Maconha crua na vitamina, no suco e na salada: como consumir sem dar ruim
CONSUMO

Maconha crua na vitamina, no suco e na salada: como consumir sem dar ruim

Os jeitos de levar a planta crua para o prato e para o copo, e os cuidados com bactéria e agrotóxico que ninguém te conta.

POR Redação CosechaLibre7 MIN DE LEITURA

Dá para consumir maconha crua, sim: batida na vitamina, no suco ou picadinha na salada. Crua, ela não dá brisa, porque o THC ainda está na forma ácida (THCA), e o que você leva são vitaminas, minerais e canabinoides ácidos. O cuidado que importa é a origem da planta: folha e flor cruas só valem se vierem de um cultivo limpo, sem agrotóxico. Então, como comer maconha crua sem dar ruim?

Pode parecer estranho, mas comer maconha crua já foi comparado a comer verdura de folha verde-escura. Vale repetir: nesse estado a planta não te deixa chapado nem tem efeito psicoativo, e o gosto provavelmente vai ser bem ruim. Por outro lado, ela pode ajudar na prevenção de doenças, trazendo vitaminas, minerais e canabinoides.

O que tem na maconha crua?

No estado natural, a cannabis praticamente não tem THC, CBD e outros canabinoides prontos. O que ela tem de sobra são os precursores químicos deles: os ácidos canabinoides, que carregam um grupo carboxila que se perde quando a planta é aquecida, num processo chamado descarboxilação. Ou seja: depois do calor, o THCA, que não é psicoativo, vira THC psicoativo, e o CBDA vira CBD. O THCA já foi associado em estudos a propriedades anti-inflamatórias, à saúde do cérebro e até, em laboratório, à desaceleração do crescimento e da propagação de células cancerosas.

E se eu comer um bud cru?

Nessa linha, estes são alguns dos benefícios apontados para a maconha crua, ou seja, para o THCA especificamente:

  • Não se liga aos receptores CB1 e CB2, por isso não é psicoativo
  • Estimularia a produção de endocanabinoides
  • Se liga às enzimas da via da ciclo-oxigenase (responsável pela inflamação), o que reduziria os efeitos da inflamação
  • Poderia aliviar dor de estômago, sintomas da síndrome do intestino irritável (SII) e a inflamação digestiva ligada à obesidade
  • Há estudos de laboratório que apontam potencial para inibir a proliferação de células cancerosas
  • Poderia ser um neuroprotetor contra doenças neurodegenerativas

Já o CBDA teria estes benefícios:

  • Não é psicoativo
  • Estimularia a produção de endocanabinoides
  • Poderia melhorar o humor, até mais que o CBD

Consumir erva crua poderia estimular o nosso sistema endocanabinoide (a rede reguladora que mantém o corpo em equilíbrio), sem precisar ficar chapado nem inalar nada no processo. 

Apesar de existir bastante informação sobre cannabis, ainda faltam provas científicas de que comer a planta crua entregue mesmo os efeitos anti-inflamatórios e os outros benefícios associados a ela. No fim das contas, comer a planta assim seria bem parecido com comer qualquer outra folha verde-escura.

Bud por CosechaLibre.com

Os riscos da maconha crua: bactéria, agrotóxico e brisa inesperada

Todo mundo sabe: quase todo alimento cru tem algum risco quando vai direto para a boca. 

Comer um bud cru pode fazer mal, porque ele pode carregar bactérias e resíduos de agrotóxico que não saíram na lavagem. Além disso, comer flor crua não garante efeito zero: a planta tem THC na forma ácida, e uma parte dele pode já ter se convertido. O recomendado é processar bem os buds antes de consumir.

No caso da maconha, comer folhas cruas pode expor a pessoa a bactérias bem perigosas. Já foram encontradas E. coli e salmonela em algumas amostras de maconha, por exemplo. E tem cultivador que usa agrotóxico químico para segurar as pragas. Funciona, mas pode deixar resíduo nas flores e folhas que você vai consumir, com um gosto horrível e fazendo mal para o organismo.

O ideal, para consumir maconha crua com segurança, é só fazer isso quando você sabe que a planta não recebeu nenhum produto químico perigoso para a saúde. 

Como comer maconha crua?

Assim como a maconha “cozida”, a crua também tem o seu lado divertido na hora de consumir, e dá para ter um momento igualmente gostoso graças à variedade de opções. Olha só os jeitos mais populares.

Vitamina (smoothie)

É um jeito gostoso e fácil de se encher de fitonutrientes. Basta jogar flores e folhas de maconha crua no liquidificador junto com a sua vitamina para levar uma dose de ácidos canabinoides e terpenos. Outra ideia é bater frutas tropicais, frutas vermelhas e gelo com cannabis: sabor e frescor que não têm comparação. 

Suco

Esse método junta tudo de bom do mundo canábico: canabinoides, terpenos e flavonoides de um lado, e do outro a chance de descartar a fibra desnecessária, que às vezes é difícil de digerir. 

Salada

Uma salada colorida também resolve. Pique bem fininho algumas folhas frescas de maconha e jogue numa tigela com as verduras que você mais curte (aqui dá para soltar a criatividade e combinar o que quiser). 

Semente de cânhamo

Essas não podem faltar, porque são cheias de nutrientes e dão um gostinho de castanha a qualquer prato. Dá para salpicar em massa, salada, creme e até no cereal. Você fica com um prato completo, com ótimos níveis de ácidos graxos ômega, aminoácidos essenciais, cálcio, ferro e fibra.

Óleo de semente de cânhamo prensado a frio

Por último, o óleo de semente de cânhamo prensado a frio concentra os benefícios da semente num óleo saboroso. Você pode usar para cozinhar ou para temperar salada. Na comida, ele não decepciona.

Quando o assunto é comer coisa crua, como já dissemos, o ideal é garantir que o seu produto é de qualidade. O melhor é usar fertilizantes ecológicos ou orgânicos, porque assim você sabe que não entrou nenhum químico capaz de estragar o resultado final da planta e a sua saúde. 

Nesse sentido, a gente recomenda adubos orgânicos como composto, algas marinhas, húmus de minhoca e farinha de osso. Esses fertilizantes servem de alimento para fungos e bactérias, que vão decompondo o material com o tempo e deixam os nutrientes prontos para a planta absorver.

As vantagens desse tipo de adubo: imitam a decomposição natural da matéria orgânica, alimentam os organismos do solo, são totalmente seguros e livres de químicos nocivos, e os preparados concentrados permitem uma absorção mais rápida. Mas, como todo produto, também têm desvantagens: uma pilha de composto pode levar um ano ou mais para engrenar a compostagem, e os preparados misturam muitos nutrientes diferentes, o que dificulta subir a dose de um mineral ou elemento específico. 

Consumir maconha crua pode ser uma ótima experiência se você souber aproveitar. 

E fumar maconha fresca, sem secar?

Fumar maconha fresca pode fazer mal. O bud fresco tem muita água, o que atrapalha a queima e reduz a potência. Além disso, pode carregar bactérias e fungos capazes de causar infecções nos pulmões. Por isso, o recomendado é fazer a secagem e a cura direitinho antes de consumir.

Quantas formas existem de consumir cannabis?

  1. Fumar: é o jeito mais comum de consumir cannabis. As flores secas são dichavadas e vão para a seda, o pipe ou o bong. Acende e inala a fumaça.
  2. Vaporização: em vez de queimar as flores, você aquece numa temperatura específica para liberar os compostos ativos num vapor que é inalado.
  3. Comestíveis: são comidas e bebidas com extrato de cannabis. Entram aí brownies, biscoitos, balas, bebidas e por aí vai.
  4. Tinturas: extratos líquidos da planta, tomados por via oral ou sublingual.
  5. Óleos: extratos concentrados da planta que podem ser tomados por via oral ou aplicados na pele.
  6. Tópicos: cremes, loções e bálsamos aplicados direto na pele, procurados para aliviar dor, inflamação e outros problemas de pele.