Como o frio afeta a maconha e como usar a seu favor na floração
CULTIVO

Como o frio afeta a maconha e como usar a seu favor na floração

Do vegetativo à secagem: o que o frio faz com a planta de maconha em cada fase e em que ponto ele deixa de ser aliado.

POR Redação CosechaLibre8 MIN DE LEITURA

O frio afeta a maconha de dois jeitos: na medida certa e no fim da floração, ele estimula a planta a produzir mais resina e preserva os terpenos; em excesso (abaixo de 8-9 °C e, pior ainda, abaixo de 0 °C), trava as raízes, corta a absorção de nutrientes e pode congelar a seiva. A temperatura é um dos pontos mais importantes no cultivo e, em certas épocas e regiões, o frio vira um baita obstáculo. Mas, se você conhece bem a sua planta, dá para tirar proveito dele.

Para a maconha, como para qualquer planta, frio demais é tão ruim quanto calor demais. E cada fase de crescimento pede uma coisa diferente: você precisa saber o que convém e como a temperatura deve entrar no jogo em cada momento. 

O frio em cada fase do cultivo: quanto frio a planta de maconha aguenta?

Na fase de crescimento, a planta investe toda a energia na produção de celulose, ou seja, em formar uma boa massa vegetal, tanto nas raízes quanto na parte aérea. 

Se você começa o cultivo no início da primavera, a planta tem uns quatro meses de crescimento para desenvolver uma estrutura bem forte, com raízes grandes, profundas e milhares de radicelas, aquelas raízes finas e brancas que são as que mais absorvem nutrientes.

Quando a floração começa (em meados de julho no hemisfério norte, onde esse calendário foi pensado), a planta já tem uma estrutura consolidada para encarar vários tipos de estresse, inclusive o térmico, que é o assunto de hoje. 

Quando a colheita se aproxima e você acha que o frio virou um inimigo que castiga a planta sem parar, calma: é o sinal clássico de que o ciclo está chegando ao fim. Como resposta, e para tentar atrair o pólen de um macho, a planta multiplica a produção de resina. Esse momento é chave, porque a cannabis está tentando cumprir sua função vital: produzir sementes para perpetuar a espécie.

Quanto mais resina a planta produz, mais chance tem de pegar pólen de macho. Como não sobra muita coisa para fazer no fim do ciclo, ela joga toda a energia nisso: dá para ver os buds endurecendo a olhos vistos e as folhas, ainda em bom estado, começando a enrugar, como acontece com as árvores que perdem as folhas no outono. E a planta se cobre de uma camada grossa e espessa de resina que vai encher seus olhos.

Lembrando: isso só acontece se a planta já estiver totalmente madura, prestes a entrar na fase final. Se o frio chegar antes, por qualquer motivo, acontece o contrário: os buds que ainda estão se formando não chegam a ficar firmes e a planta começa a decair, jogando fora todo o potencial que tinha para continuar crescendo.

Além disso, o calor tende a volatilizar os terpenos, e o frio não. O sabor e o aroma de uma planta cultivada no frio são muito mais puros e intensos.

Use o frio a seu favor: conheça bem o seu clima

Como vimos, o frio faz bem para a planta nessas condições. Mas atenção: estamos falando de frio, não de temperatura baixa demais, como abaixo de 8-9 °C. Aí a atividade das raízes desacelera e a absorção de nutrientes cai. Se ficar abaixo de 0 °C, segura que lá vem problema: a seiva congela, as funções vitais param e o tempo até tudo voltar a funcionar pode ser fatal para a planta.

Calma que isso não quer dizer que a planta vai morrer, longe disso, ainda mais se for uma planta bem formada. Mas não dá para negar que expor a planta a temperaturas muito baixas faz mal. 

Só para ter ideia de como a natureza é poderosa: já se viu sativa de bom tamanho coberta de neve no começo de dezembro (inverno do hemisfério norte), colhida duas semanas depois sem nenhum problema, num cultivo feito tim-tim por tim-tim e com uma sorte rara. E isso em planta na terra, porque em vaso o frio pega bem mais pesado.

Por isso é fundamental conhecer o clima onde você está antes de escolher a genética. 

Antes de arriscar consequências fatais para as suas plantas, o melhor é apostar em índicas precoces e de montanha quando o clima já esfria muito no começo do outono, porque essas genéticas estão preparadas para aguentar as noites frias do fim do verão e início do outono. Elas também vão bem onde os dias são muito quentes mas as noites esfriam tanto que o estresse térmico fica difícil de aguentar para a maioria das variedades.

Cultivo de maconha exposto ao frio

Algumas dicas para o cultivo no frio

Vale tirar as folhas grandes e quase todas as pequenas quando você cultivou no frio no fim da temporada ou calcula que falta uma semana para a colheita. Na prática, é uma manicure (trim) da maconha uma semana antes de colher. Sem as folhas que fazem a fotossíntese e mantêm o processo biológico normal, a planta passa a se concentrar na produção de resina e tricomas (as glândulas de resina onde ficam os canabinoides). 

Quando começam os dias e noites frios, pare de regar. O motivo é simples: a mesma geada que cai nas folhas pode  congelar a água que está no substrato, e isso pode ser fatal para a planta. Então, uma seca prolongada junto com uma geada não muito forte entrega uma colheita de máxima qualidade.

Como vimos, a planta aguenta bem o frio na parte aérea, mas não tanto nas raízes. Uma das melhores formas de protegê-las é uma cobertura (mulching) de grama recém-cortada, folhas secas ou até um plástico ou saco. No caso da grama e das folhas, ao compostar elas chegam a temperaturas bem altas. E como a compostagem é lenta, não vai prejudicar uma planta que você vai colher em poucos dias. 

O plástico, por sua vez, ajuda muito o substrato a esquentar durante o dia, bem mais do que sem ele. E à noite demora mais a esfriar, segurando a temperatura praticamente até o dia seguinte.

Secagem e cura no frio

Usar frio seco na secagem é a melhor opção possível. E se a cura acontecer em condições parecidas, melhor ainda. 

O calor acelera a secagem, mas tira potência do THC. O frio não, desde que seja seco e não úmido, só que a secagem demora um pouco mais. 

Então, quando perceber que vem uma queda forte de temperatura nos primeiros dias de outono, você já precisa ter as informações da sua planta na mão: se é sativa ou índica, se está quase no ponto de colheita ou se ainda faltam semanas, e até se a genética vem de clima frio ou não. Com essas respostas, você escolhe melhor as genéticas no ano seguinte.

Como dissemos lá em cima, frio ou calor demais não fazem bem para ninguém, muito menos para a sua planta. Mas, se você conhece bem o que está enfrentando, dá para aproveitar o melhor de cada um e fazer a planta crescer com força e a colheita final ser espetacular. 

Abaixo de quantos graus o frio prejudica a maconha?

A maconha tem certa tolerância ao frio, mas quanto frio a maconha aguenta depende da genética e das condições. Em geral, temperaturas abaixo de 10 °C já começam a atrapalhar o crescimento. Algumas variedades, porém, são geneticamente adaptadas para resistir melhor ao frio, principalmente as que vêm de regiões frias ou montanhosas. Essas costumam ser mais resistentes e toleram temperaturas perto do ponto de congelamento. Quando se espera frio prolongado, dá para proteger as plantas com estufa, cobertura de plástico ou manta para criar uma barreira contra o frio, ou até com aquecedor para manter a temperatura certa em volta das plantas. Já as geadas fortes são especialmente perigosas, porque podem danificar as células e os tecidos da planta de forma irreversível. Por isso, é importante proteger a maconha das geadas e evitar exposição prolongada a temperaturas baixas para garantir um crescimento saudável.

Qual o melhor clima para a maconha?

O clima ideal para cultivar maconha costuma ser o de regiões quentes e temperadas. No vegetativo, o recomendado é algo entre 20 e 30 °C. Essa faixa dá as condições ideais para um crescimento saudável e vigoroso. Na floração, vale baixar um pouco, para uns 18 a 26 °C, o que favorece um bom desenvolvimento dos buds.

Algumas genéticas aguentam mais calor que outras. Essas variedades adaptadas suportam temperaturas mais altas, até acima de 30 °C, sem grandes danos. Se você cultiva num lugar de clima quente, pode apostar nelas para garantir um rendimento melhor.

Por outro lado, embora a maconha seja mais sensível ao frio que ao calor, algumas variedades também são resistentes ao frio e toleram temperaturas mais baixas. Se você está numa região de inverno frio, procure genéticas próprias para clima frio, capazes de aguentar temperaturas perto do congelamento.

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