
Mate com maconha: que gosto tem e como se faz
A infusão queridinha da Argentina e do Uruguai — prima direta do nosso chimarrão — encontra a cannabis: sabor, ciência e dicas de preparo antes do primeiro gole.
O mate com maconha tem um sabor que junta duas ervas: as notas herbáceas e amargas do mate com os toques terrosos e às vezes frutados da cannabis. O mate, vale explicar, é a infusão tradicional da Argentina e do Uruguai — prima direta do chimarrão gaúcho —, famosa pelos efeitos estimulantes e energizantes e tomada quente, na cuia, com bomba. A versão com cannabis se prepara igual ao mate comum, só acrescentando uma pequena quantidade da planta à erva — uma releitura moderna que entrega uma experiência única tanto no sabor quanto nos efeitos.
O mate com folhas de maconha tem um perfil de sabor próprio: o amargor herbáceo da erva-mate fundido com notas de cannabis que vão do terroso ao levemente frutado.
Para preparar mate ou chá de maconha, o processo é parecido com o do mate tradicional, mas com pequenas quantidades de cannabis adicionadas. Antes de beber, conheça bem as doses e os efeitos da maconha — dependendo do que vai na cuia, a bebida pode ser psicoativa.

A combinação dessas duas plantas pode resultar numa bebida que não só estimula mente e corpo, mas também traz relaxamento ou uma leve euforia, dependendo da genética de cannabis usada.
Cânhamo: genética de cannabis com mil e uma utilidades
O cânhamo é uma planta versátil e multifacetada, cultivada há milênios pelos seus muitos benefícios. Costuma ser jogado no mesmo balaio das drogas por causa da parente próxima, a maconha, mas as diferenças — e a enorme variedade de aplicações — merecem destaque. A principal diferença está na quantidade de tetrahidrocanabinol (THC), o composto químico responsável pelos efeitos psicoativos.
Enquanto o cânhamo tem níveis baixíssimos de THC (em geral menos de 0,2% ou 0,3%, dependendo da legislação de cada país), a maconha concentra muito mais desse composto — e é justamente isso que a torna intoxicante.
O cânhamo não tem só THC: também produz canabidiol (CBD), outro composto com inúmeras propriedades benéficas. Ao contrário do THC, o CBD não é psicoativo e já foi usado no tratamento de condições como ansiedade, dor crônica e epilepsia — o que explica sua aceitação crescente em produtos de bem-estar e medicina.
Além da maconha medicinal, o que mais existe?
Para além das aplicações medicinais, o cânhamo cobre um espectro industrial enorme. Entra na produção de fibras para roupas, cordas, papel e até materiais de construção sustentáveis. O óleo e as sementes de cânhamo, ricos em nutrientes e CBD, viraram febre na indústria alimentícia pelos benefícios à saúde.
Mais recentemente, a indústria do bem-estar vem explorando novas formas de combinar o cânhamo com outros produtos populares. Um exemplo dessa tendência: juntar a erva-mate, bebida tradicional sul-americana conhecida pelas propriedades energizantes, com o cânhamo.
Essa fusão oferece uma experiência única, que soma os benefícios nutricionais e os potenciais efeitos calmantes do cânhamo ao vigor e à clareza mental que a erva-mate proporciona. É um retrato de como o cânhamo segue expandindo seus horizontes, abrindo novas oportunidades de uso e consumo.
Erva-mate com maconha: uma combinação inovadora e saudável
A ideia de combinar mate com maconha nasceu no Uruguai, país pioneiro na legalização do cultivo, do comércio e do uso recreativo da cannabis. Em 2012, o Uruguai começou a redigir um projeto de lei que foi aprovado em 2014 e entrou em vigor em 2017, permitindo que residentes registrados comprassem maconha em quantidades limitadas nas farmácias.
Essa flexibilização legal abriu caminho para o mate de maconha — uma planta controversa, mas cheia de benefícios, encontrando um ritual querido. Os uruguaios, fanáticos por erva-mate (consomem quase 9 kg per capita por ano), receberam muito bem a novidade. As primeiras marcas a comercializar a mistura foram a Cosentina e a Abuelita.
Vale frisar: essas ervas-mate não contêm THC em níveis que causem efeitos psicoativos (não passam de 0,2%), o que permite sua legalização e venda.
Propriedades e efeitos da maconha
O cânhamo ganhou popularidade pelos seus múltiplos benefícios e aplicações. Na Espanha, os produtos de cânhamo — óleos e cosméticos com extrato da planta — viraram tendência de verdade.
Embora os chás de maconha disponíveis no mercado não contenham THC nem causem dependência, eles são conhecidos pelas propriedades benéficas. O CBD presente nas folhas de cânhamo é eficaz contra a dor crônica, melhora o bem-estar de quem convive com ansiedade ou depressão e dá suporte ao sistema digestivo.
Mesmo assim, é essencial lembrar que o cânhamo não é um medicamento no sentido estrito — seus benefícios aparecem melhor com o uso regular.

Como funciona o mate de maconha com CBD?
A erva-mate é uma fonte rica de vitaminas B e C, além de minerais essenciais como cálcio, ferro e zinco. Carrega antioxidantes e, graças ao alto teor de cafeína, proporciona forte estímulo, melhora a concentração e segura a fome.
O cânhamo, por sua vez, entrega uma dose sólida de nutrientes — ferro, cálcio, magnésio, zinco, cromo, vitaminas B e E, e ácidos graxos ômega-3 e ômega-6. O CBD do cânhamo oferece um efeito relaxante e calmante, que suaviza na medida certa o estímulo da cafeína da erva-mate.
Essa combinação cria um equilíbrio que permite curtir a bebida até de noite, sem se preocupar com o sono.
Erva-mate com folhas de maconha: as variedades disponíveis
Se você quer experimentar erva-mate com cânhamo, há várias opções no mercado. Uma das que mais se destacam é a Cannabis Absinth, da marca brasileira Verde Mate Green, que além de erva-mate verde e cânhamo leva losna e um mix de ervas aromáticas — o sabor suave a torna ideal para iniciantes.
Outra opção é a Yaguar Cannabis, que contém CBD em forma de farinha de cânhamo. Esse produto, de estilo argentino, é conhecido pelo sabor e aroma intensos, resultado da secagem em forno e do posterior envelhecimento das folhas de Ilex paraguariensis.
Por fim, para quem valoriza produtos de alta qualidade e padrões éticos, existe a Yerba Mate Orgânica Cannabis da Soul Mate, uma edição limitada que promete uma experiência única e saudável.
Dicas para curtir a infusão com flor de maconha
Resfriamento adequado
Se você prefere a infusão de cannabis gelada, é fundamental deixar a bebida chegar à temperatura ambiente antes de levá-la à geladeira. Isso evita que uma mudança brusca de temperatura comprometa os sabores e as propriedades da infusão.
É simples: deixe a infusão esfriar naturalmente e depois leve à geladeira para curtir uma bebida refrescante.
Dosagem e tempo de espera
Um dos pontos mais importantes ao consumir infusão de cannabis é a dosagem. Diferente da inalação, em que os efeitos aparecem quase na hora, o THC ingerido por via oral demora mais para fazer efeito — em geral, de uma a duas horas.
É crucial ter paciência e não passar da dose recomendada: o corpo pode absorver até 40% do THC ingerido, contra apenas 15% quando se fuma. Ou seja, os efeitos podem ser bem mais intensos e duradouros.
Por isso, espere o tempo necessário para sentir os efeitos antes de cogitar repetir a dose — é a melhor forma de evitar uma experiência ruim por exagero acidental.
Acompanhamentos e aproveitamento
A infusão de cannabis é um jeito delicioso e simples de aproveitar os benefícios da maconha em casa. Para melhorar a experiência, acompanhe sua infusão com um pedaço de brownie ou de bolo. A combinação não é só gostosa: também deixa o momento de relaxamento ainda mais prazeroso.
Seguindo essas dicas, você aproveita ao máximo os efeitos da infusão de cannabis, com uma experiência segura e agradável garantida.
O CLUBE
Faça parte da comunidade
Produtores com nome e sobrenome, lote rastreável, comunidade de verdade. Sem enrolação, sem promessa vazia.
Entrar no clubeCONTINUE LENDO
CONSUMOCelulose ou seda: as diferenças que realmente importam na hora de fumar
Transparente, sem químicos e de queima lenta: veja como a celulose se compara com a seda tradicional.
CONSUMOO que é celulose? A seda transparente, sem mistério
O biopolímero natural por trás das sedas transparentes: como é feito, como queima e se vale mesmo a pena na hora de enrolar.