O que é THC: como age no cérebro, para que serve e a diferença para o CBD
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O que é THC: como age no cérebro, para que serve e a diferença para o CBD

A molécula da brisa explicada sem enrolação: receptores, dopamina, usos medicinais, quanto tem na maconha de hoje e quanto tempo fica no sangue.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

O que é o THC?

THC é a sigla de tetra-hidrocanabinol, ou delta-9-tetra-hidrocanabinol. É a molécula canabinoide da maconha (cannabis) reconhecida há muito tempo como o principal composto psicoativo, ou seja, a substância que deixa quem fuma maconha chapado, na brisa. Ele age se ligando a receptores do cérebro e do sistema nervoso, e é usado tanto de forma recreativa quanto medicinal.

O THC é só uma das mais de 500 substâncias ativas e 60 moléculas canabinoides diferentes conhecidas até hoje na maconha. Mas o THC é, sem dúvida, o canabinoide mais famoso. Outra molécula canabinoide importante, muito conhecida e estudada pelas qualidades terapêuticas, é o canabidiol (CBD).

Como o THC age no corpo e para que serve?

O THC funciona se ligando aos receptores canabinoides do corpo, espalhados pelo cérebro e pelo sistema nervoso. O THC pode ser detectado no corpo por muito mais tempo que a maioria das outras drogas (até 20 horas depois do consumo), embora o efeito psicoativo dure só algumas horas.

Os receptores canabinoides se concentram em áreas do cérebro ligadas ao pensamento, à memória, ao prazer, à coordenação e à percepção do tempo. O THC se encaixa nesses receptores, ativa todos eles e mexe com a memória, o prazer, os movimentos, o raciocínio, a concentração, a coordenação e a percepção dos sentidos e do tempo.

O THC estimula as células do cérebro a liberar dopamina, o que dá a euforia. Ele também interfere no jeito como o hipocampo, a parte do cérebro responsável por formar novas memórias, processa a informação.

Bud de maconha

Usos do THC

O THC é usado de forma recreativa, mas também tem vários usos medicinais. A maconha é usada como remédio há milhares de anos, mas a pesquisa sobre o uso dela para aliviar e tratar doenças ainda é relativamente recente, apesar de avançar rápido.

Alguns problemas de saúde em que o THC é procurado:

  • Ansiedade
  • Depressão
  • Glaucoma
  • Inflamação
  • Doença inflamatória intestinal (DII)
  • Insônia
  • Síndrome do intestino irritável
  • Enxaqueca
  • Esclerose múltipla
  • Espasticidade muscular
  • Náusea
  • Dor
  • Falta de apetite
  • Transtorno de estresse pós-traumático
  • Convulsões
  • Sintomas ligados ao HIV/aids

Quanto THC tem a maconha?

“As porcentagens de THC na maconha não são as mesmas do passado. Isso porque a maconha de hoje é bem mais potente, com níveis de THC que ficam em média em 9,6%”, segundo o Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas dos EUA (NIDA). Para comparar, no começo dos anos 1990 a maconha costumava ter por volta de 4% de THC.

O THC aparece no exame de sangue?

Sim, o THC pode ser detectado no sangue depois do consumo de maconha. Só que o tempo que ele fica no sangue depende de vários fatores, como a quantidade consumida, a frequência de uso, a idade, o peso e o metabolismo da pessoa.

Em geral, o THC aparece no sangue até 1 ou 2 dias depois de um uso ocasional, mas em quem usa com frequência ou há muito tempo ele pode ser detectado por várias semanas.

Vale saber: o nível de THC no sangue não acompanha necessariamente o quanto a pessoa está chapada. Isso porque o THC fica armazenado na gordura do corpo e vai sendo liberado aos poucos no sangue. Ou seja, alguém pode ter THC detectável no sangue sem estar sob efeito nenhum.

Qual a diferença entre THC e CBD?

Os dois pertencem à mesma família de compostos químicos, os canabinoides, mas têm diferenças importantes nos efeitos e nas propriedades.

O THC é o principal composto psicoativo da cannabis, ou seja, é o responsável pela brisa e pela euforia de quem fuma maconha. Ele se liga aos receptores canabinoides do cérebro e do corpo e produz uma série de efeitos, como mudanças no humor, na percepção, na memória e na coordenação motora.

Já o CBD não é psicoativo e não dá a brisa do THC. Em compensação, tem potencial terapêutico e é usado em várias condições médicas, como epilepsia, ansiedade e dor crônica. Também há estudos que mostram que o CBD modula parte dos efeitos psicoativos do THC, o que ajuda quem quer os benefícios medicinais da cannabis sem ficar chapado.

O CBD é usado para ajudar ou aliviar condições como:

  • Convulsões
  • Inflamação
  • Dor
  • Psicose e outros transtornos mentais
  • Doença inflamatória intestinal
  • Náusea
  • Enxaqueca
  • Depressão
  • Ansiedade

O CBD pode ser tomado por via oral ou aplicado na pele, dependendo do produto. Tem opção para tudo: de óleos e cápsulas gelatinosas, que segundo os fabricantes aliviam a ansiedade, a sais de banho relaxantes, cremes e óleos de massagem. Claro que também dá para fumar, mas, se o uso de CBD é terapêutico ou medicinal, o melhor é evitar a combustão e usar formas de consumo mais saudáveis.

Vários estudos mostraram que o CBD tem forte efeito anticonvulsivante, muito eficaz em diferentes tipos de epilepsia, e o uso dele cresceu muito justamente por não ter efeito psicoativo.

Graças à evolução das técnicas de cultivo, dá para plantar genéticas que tenham praticamente só CBD, sem precisar consumir o THC, que é o canabinoide psicoativo.

Resumindo

O THC é o princípio ativo da maconha que te deixa chapado. Alguns estudos indicam que ele pode aliviar a dor crônica e outros problemas de saúde.

Mas o THC não cai bem para todo mundo: para algumas pessoas ele pode ser problemático e, embora não exista overdose fatal de THC, uma dose grande demais pode trazer efeitos colaterais chatos, como paranoia, ansiedade, boca seca, náusea ou vômito.

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