
Plantar maconha na primavera: quando germinar nos trópicos e fora deles
Temperatura mínima, horas de luz e o mês certo de germinar mudam muito entre a zona tropical e o sul do continente.
Guia para plantar maconha na primavera
Plantar maconha na primavera é o jeito mais natural de cultivar outdoor: os dias passam de 12 horas de luz e a planta entra numa fase vegetativa forte. O momento exato muda conforme o clima: nos trópicos dá para germinar logo no começo da estação, e fora deles o ideal é esperar o segundo mês, com mínimas acima de 10 °C. A América Latina é enorme e tem de tudo, de montanhas e vales a altiplanos secos, litoral e ilhas tropicais, e a maconha cresce sem drama em boa parte desse território.
Cortada pela linha do Equador, a América Latina ocupa parte dos dois hemisférios e, com exceção do Uruguai, de três quartos da Argentina e de outras faixas do Cone Sul (como o Chile e o sul do Brasil), fica entre os trópicos. Ou seja: no conjunto, o continente oferece todo tipo de clima para quem curte cultivar maconha.
Como qualquer planta do mundo, a maconha precisa de algumas condições para se desenvolver. Se a ideia é plantar outdoor, preste atenção em duas delas:
1- Temperatura: a planta de maconha para de se desenvolver quando esfria. Então, para ela crescer, o ideal é só começar o cultivo quando as temperaturas mínimas estiverem acima de 10 °C.
A primavera não chega igual em todas as regiões, e a temperatura no nível do mar não é a mesma que a 1.000 m de altitude. Por isso, vale conferir as mínimas da primavera onde você mora.
2- Horas de luz: sementes feminizadas e regulares (fotoperiódicas) precisam de uma certa quantidade de horas de luz para crescer e para florir. No hemisfério norte, a maioria das genéticas comerciais tem luz suficiente para crescer a partir de maio e para florir a partir de agosto.
Se você quer genéticas que se desenvolvem sem depender das horas de luz, a pedida são as sementes automáticas (autoflorescentes). Apesar dessa característica, elas precisam de muitas horas de luz para render bem. A vantagem é que você não precisa esperar os dias encurtarem para elas começarem a florir.
As leis mudam de país para país, e a maconha é tolerada em graus bem diferentes pela América Latina, então se informe sobre as regras de onde você está. Na hora de entender o clima e as temperaturas ideais para cultivar, o melhor é ter um pouco de conhecimento local e um calendário solar e lunar. Como referência, para o Trópico de Câncer usamos as médias da Cidade da Guatemala; para o de Capricórnio, as de Lima; e para as regiões ao sul, fora dos trópicos, as de Santiago do Chile.
Quando a primavera chega, estes são os números que contam:
TRÓPICO DE CÂNCER
• Duração média do dia: março: 12h03, abril: 12h28, maio: 12h48
• Temperatura média: março: 26 °C, abril: 27 °C, maio: 26 °C
TRÓPICO DE CAPRICÓRNIO
• Duração média do dia: setembro: 12h01, outubro: 12h20, novembro: 12h40
• Temperatura média: setembro: 19 °C, outubro: 20 °C, novembro: 22 °C
REGIÕES DO SUL (FORA DOS TRÓPICOS)
• Duração média do dia: setembro: 11h52, outubro: 12h54, novembro: 13h51
• Temperatura média: setembro: 19 °C, outubro: 20 °C, novembro: 21 °C
O primeiro mês da primavera começa com o equinócio vernal, o ponto a partir do qual, até o equinócio de outono, todos os dias têm mais de 12 horas de luz. Isso é fundamental para uma fase vegetativa saudável.
Nos trópicos, dá para germinar a maconha já nessa etapa. As mudas brotam e se desenvolvem com o calor tropical e crescem rápido. Cultivando nessa região, é muito importante escolher as genéticas certas, de preferência resistentes a bactérias e fungos, uma qualidade que faz toda a diferença em ambiente úmido.
Quanto às genéticas, as sativas e as de dominância sativa vão bem e florescem sem problema. Já as índicas crescem bem na vegetativa, mas podem ter dificuldade para entrar em floração, porque as noites não ficam longas rápido o bastante para disparar essa fase. Nesse caso, pode ser preciso recorrer à privação de luz (cobrir as plantas por algumas horas) para garantir a floração das genéticas mais dependentes do fotoperíodo.
Fora dos trópicos, embora os dias aumentem mais rápido, o sol demora mais para dar à maconha toda a exposição de que ela precisa. Germinar as sementes no segundo mês da primavera garante uma boa fase vegetativa e os melhores resultados no final. Se a germinação for cedo demais, as fotoperiódicas podem se desorientar e perder produção e qualidade no fim da floração.
Nessa situação, a duração do dia avisa as plantas mais novas de que é hora de florir. Semanas depois, elas precisam voltar para a vegetativa e florir de novo quando chega o outono. As plantas nessa fase vegetativa continuam lindas, mas as flores saem de qualidade inferior e a colheita fica bem fraca.
Se a meta é ter plantas grandes em regiões onde a vegetativa é mais curta, germine as sementes antes de a primavera começar e dê luz artificial para esticar o período vegetativo. As plantas já estabelecidas podem ir para fora quando os dias passarem de 12 horas de luz. Depois de duas semanas na sombra para se adaptar e endurecer, elas deslancham assim que pegam sol pleno.
O começo da primavera é o momento ideal para começar o topping (poda apical) e moldar o padrão de crescimento da planta. Plantas bem podadas e bem cuidadas costumam responder com crescimento vigoroso e várias pontas de floração. Uma copa distribuída por igual, com os galhos de baixo abertos e limpos, garante plantas totalmente saudáveis.
Nessa época, também vale começar a pulverizar soluções foliares orgânicas: pesticidas e fungicidas naturais, como o óleo de neem, e estimulantes de crescimento, como algas marinhas ou babosa (aloe vera). O ideal é aplicar no fim da tarde ou à noite.
Por fim, no fim da primavera chega a hora de corrigir o solo de novo para preparar a explosão vegetativa do verão. É aí que as plantas vão se esforçar para formar o máximo possível de pontas de floração.
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