REPROCANN e a Resolução 1780/2025: o que muda no cultivo legal de maconha na Argentina
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REPROCANN e a Resolução 1780/2025: o que muda no cultivo legal de maconha na Argentina

Novas categorias, genéticas registradas e prazo de seis meses: o advogado Luis Osler explica a norma que reorganizou a cannabis medicinal argentina.

POR Redação CosechaLibre3 MIN DE LEITURA

Por Editorial CosechaLibre

Com contribuições de Luis Osler (@luisosler)


Em 23 de maio de 2025, a Argentina publicou no Boletim Oficial a Resolução 1780/2025, que reestrutura o REPROCANN (o registro argentino do Programa de Cannabis) e define novas regras para o cultivo, o uso terapêutico e a produção legal de cannabis medicinal no país. Em resumo: muda quem pode se inscrever e em qual categoria, só valem genéticas registradas e quem já estava inscrito ganhou seis meses para se adequar.

Luis Osler, advogado especializado em direito canábico, explica que a resolução fecha um longo período de incerteza jurídica: “É uma norma que vem reorganizar e reforçar a rastreabilidade e a segurança no circuito legal da cannabis para uso medicinal, protegendo os pacientes e fortalecendo os padrões técnicos”.

🔍 O que muda com a Resolução 1780/2025?

Segundo a análise de Osler, a nova norma:

  • Revoga a Resolução 3132/2024

  • Reestrutura as categorias de inscrição

  • Aperta o controle sobre as variedades genéticas

  • Traz mais exigências para terceiros cultivadores e pessoas jurídicas

  • Muda a validade e a revisão das permissões

  • Dá 6 meses de prazo para adequação

“O objetivo é claro: garantir o uso terapêutico previsto na Lei 27.350, evitar o uso indevido do sistema e combater o desvio com fins comerciais”, explica Osler.

📂 As novas categorias de inscrição no REPROCANN

A resolução separa três tipos de inscrição:

1. Autocultivador

Podem se registrar pacientes com indicação médica. Familiares diretos (pais, mães, tutores, curadores) também podem cultivar em nome do paciente.

Validade da permissão: 3 anos.


2. Terceiro cultivador

Pode cultivar para si mesmo e para um único paciente a mais, com a autorização desse paciente.

Requisitos:

  • Não ter antecedentes criminais por delitos da Lei 23.737 (a lei de drogas argentina)

  • Laudo cromatográfico por lote de produto

  • Relatórios semestrais de cultivo

  • Não passar do dobro da quantidade permitida para um autocultivador


3. Pessoas jurídicas

Inclui associações civis, fundações e entidades com fins científicos e sociais. As exigências:

  • Inscrição no registro de substâncias sujeitas a controle especial

  • Diretor médico registrado no REFEPS, o cadastro federal argentino de profissionais de saúde

  • Responsável técnico qualificado

  • Plano de cultivo

  • Consentimento informado digital com assinatura registrada

Validade da permissão: 1 ano, com renovação obrigatória

Você pode tirar sua permissão com a gente clicando aqui.

🧬 Genéticas registradas: requisito obrigatório

A resolução determina que só podem ser usadas variedades genéticas registradas. Segundo Osler, a ideia é:

  • Fortalecer a rastreabilidade

  • Garantir previsibilidade e estabilidade dos derivados

  • Assegurar padrões científicos e sanitários


📅 Transição: 6 meses de prazo

Quem já está inscrito no REPROCANN tem até novembro de 2025 para se adequar. O Ministério pode cancelar permissões vigentes se os novos requisitos não forem cumpridos. Além disso, o limite passa a ser de três endereços de cultivo por inscrição.

“Isso acaba com o uso abusivo do sistema por meio do ‘terceiro solidário’ como fachada para distribuição ilegal. O que fica de pé é o acesso terapêutico real, rastreável e documentado”, afirma Osler.

Conclusão: mais controle, mais legitimidade

A Resolução 1780/2025 reforça o marco legal da cannabis medicinal na Argentina, mas também desafia a comunidade a profissionalizar o seu papel. Para Osler, “é fundamental que quem faz parte do ecossistema canábico entenda e respeite essa nova norma para sustentar os avanços conquistados nesses anos”.

Aqui na CosechaLibre comemoramos esse passo e renovamos nosso compromisso de acompanhar cultivadores, pacientes, profissionais e organizações nesse novo cenário.

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