
Spliff: o que é, como bolar e por que vale pensar duas vezes no tabaco
O baseado misturado com tabaco é tradição na Europa, mas tem custo para o pulmão e para o sabor da erva. Saiba como se faz e quais ervas usar no lugar.
O que é um spliff e como fazer?
Spliff é um beck que mistura maconha com tabaco, enrolado na seda como um cigarro. É um jeito de fumar muito comum em algumas culturas, principalmente na Europa, e a proporção entre erva e tabaco muda de pessoa para pessoa. Para bolar, você dichava a maconha, mistura com o tabaco na medida que preferir, coloca na seda, enrola e fecha.
Primeiro, dichave a maconha em pedacinhos e depois misture com o tabaco na proporção que você quiser. Tem gente que prefere mais erva para ter uma brisa mais forte, e tem gente que coloca menos maconha para deixar a onda mais leve.
Com a mistura pronta, é só colocar na seda e enrolar no formato de cigarro. Depois, feche o beck e acenda.
O que acontece se você fumar um cigarro depois de um baseado?
Fumar um cigarro depois de um baseado pode ter vários efeitos, e a resposta muda conforme a pessoa e as quantidades. Estas são algumas situações e pontos para levar em conta:
- Potencialização do efeito: algumas pessoas sentem a brisa ficar mais intensa depois de fumar um cigarro. Isso porque o tabaco tem nicotina, que age no sistema nervoso e pode reforçar os efeitos do THC da maconha.
- Mistura de efeitos: a combinação de tabaco e maconha pega diferente em cada pessoa. Uns ficam relaxados ou eufóricos; outros sentem ansiedade ou mal-estar.
- Riscos para a saúde: fumar cigarro e maconha pode fazer mal, principalmente para os pulmões e o sistema respiratório. Juntar as duas coisas pode aumentar esses riscos e é especialmente ruim para quem já tem problema respiratório.
- Vício: misturar tabaco e maconha pode aumentar o risco de ficar viciado em tabaco, por causa da nicotina do cigarro.

O que vicia mais: tabaco ou maconha?
Dependência é um fenômeno complexo, que pega cada pessoa de um jeito, e o vício em tabaco ou em maconha varia conforme o indivíduo e o padrão de uso. Mas, no geral, a nicotina do tabaco é considerada mais viciante que a maconha.
A nicotina é uma substância altamente viciante presente nos produtos de tabaco, como o cigarro. Ela age no sistema nervoso central e pode criar uma dependência física e psicológica forte. Quem fuma tabaco com frequência muitas vezes desenvolve um vício pesado em nicotina e pode ter crise de abstinência ao tentar parar.
Já a maconha, que tem o composto psicoativo THC (tetra-hidrocanabinol), também tem potencial de dependência, mas em geral é considerada menos viciante que a nicotina. Nem todo mundo que fuma maconha desenvolve dependência, mas algumas pessoas podem ter dependência psicológica ou física. Os fatores que pesam incluem frequência e quantidade de uso, genética e ambiente.
Maconha e tabaco: de onde vem a mistura
No renascimento da cannabis, nos anos 1960 e 1970, os usuários na Europa fumavam quase só haxixe. Em geral, misturavam o haxixe com tabaco ou desmontavam cigarros e montavam de novo com o concentrado de cannabis. Como quase ninguém tinha noção dos perigos da nicotina e do tabaco, isso era supernormal. Já a maioria dos usuários nos EUA tinha acesso a buds e flores puras, então dava pra bolar baseados só de maconha, sem precisar misturar.
A combustão faz mal, seja qual for a planta que você fuma. A real é que existem muitas formas de usar maconha sem inalar fumaça nem fumar.
Fumar a mistura de maconha e tabaco não só prejudica a saúde bem mais do que a combustão da maconha sozinha, como também atrapalha a tentativa de medir os efeitos da cannabis na saúde. O debate sobre legalização muitas vezes gira em torno dos perigos de “fumar”, porque a maioria dos estudos europeus sobre cannabis fala de fumar maconha e tabaco juntos, e não só maconha.
Fumar tabaco pode levar a várias doenças. Uma das mais comuns entre fumantes é a DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), uma doença debilitante e progressiva que ataca direto os pulmões e não tem volta. Os casos graves deixam o paciente preso à cama, com cilindro de oxigênio para conseguir respirar.
Os efeitos de fumar maconha pura são bem diferentes dos da mistura com tabaco. Alguns pacientes contam que a combinação de nicotina e maconha traz alívio da dor e relaxamento, mas com frequência relatam cansaço, dor no peito, tosse e irritação na garganta como efeitos negativos.
Misturar maconha com tabaco tem muito mais a ver com cultura e geografia do que com estilo de vida. São costumes que passam de geração em geração, e, mesmo com a oferta enorme de flor que existe hoje, na Europa ainda se fuma muito a mistura de tabaco com maconha, ou de tabaco com haxixe.
E se você ama maconha e vai fumar, é uma pena esconder os sabores e aromas tão potentes e únicos da planta enchendo o beck de tabaco. E se você nem fuma cigarro, colocar uma coisa tóxica junto com a erva não faz o menor sentido.

Se a ideia é misturar a sua maconha com alguma erva e fugir dos efeitos nocivos do tabaco, aqui vão algumas opções mais saudáveis para você escolher.
- Camomila: pode ajudar na digestão e no relaxamento.
- Equinácea: pode ajudar a aliviar a dor, reduzir a inflamação e apoiar o sistema endocanabinoide.
- Eucalipto: dá um sabor picante parecido com o mentol e pode dar aquela sensação de pulmão aberto.
- Manjericão: pode aliviar o estresse e baixar o cortisol.
- Lúpulo: um parente da maconha que tem o mesmo terpeno, o mirceno; pode reforçar o relaxamento.
- Lavanda: dá um sabor lindo e tem o terpeno linalol, que pode ajudar a relaxar.
- Hortelã: dá um sabor fresco e pode ajudar a desentupir as vias respiratórias.
- Artemísia: tem gosto parecido com o da sálvia e pode favorecer o descanso, a criatividade e os sonhos lúcidos.
- Rosa: umas poucas pétalas dão um aroma e um sabor floral delicados.
- Alecrim: tem o terpeno betacariofileno, que pode ajudar na inflamação e aliviar o estresse.
- Sálvia: pode relaxar, ajudar na digestão e abrir o apetite; um pouquinho rende muito.
- Erva-mate: não muda o sabor nem dá efeito extra, mas é uma alternativa gostosa ao tabaco.
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