Cannabis ruderalis: a subespécie que deu origem às automáticas
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Cannabis ruderalis: a subespécie que deu origem às automáticas

Baixinha, de clima frio e com pouco THC, a ruderalis floresce sem depender da luz, e foi isso que criou as autoflorescentes.

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

Qual a diferença entre sativa, índica e ruderalis?

A cannabis ruderalis é a subespécie de clima frio que floresce sozinha, sem depender das horas de luz, e é dela que vêm as automáticas. A diferença entre sativa, índica e ruderalis está principalmente na origem geográfica, no jeito de crescer e nos efeitos. As três são subespécies do gênero Cannabis, cada uma com características próprias.

A Cannabis sativa surgiu em climas tropicais e subtropicais e costuma crescer alta e magra, com folhas compridas e estreitas. Em geral tem THC alto, o que se traduz numa brisa mais energética e eufórica. É conhecida por estimular a criatividade e o papo, ideal pra fumar de dia.

Já a Cannabis indica veio de regiões montanhosas e de clima mais frio. Costuma ser mais baixa e robusta, com folhas mais largas e compactas. A índica geralmente tem mais CBD que a sativa, o que a deixa mais relaxante e sedativa. O efeito é mais tranquilo, bom pra relaxar e aliviar o estresse e a tensão.

A Cannabis ruderalis é a menos conhecida e se destaca por florescer independente do fotoperíodo. Ou seja: ela não depende das horas de luz pra começar a florir, como as sativas e índicas. A ruderalis aparece principalmente em latitudes mais ao norte e foi usada pra criar as genéticas automáticas (autoflorescentes).

Resumindo, sativa, índica e ruderalis se diferenciam pela origem, pelo crescimento, pelo teor de canabinoides e pelo efeito em quem consome. A sativa é conhecida pelo efeito estimulante e energético, a índica pelo relaxante e sedativo, e a ruderalis pela autofloração. Cada uma tem seu charme, e foi essa mistura que gerou a enorme variedade de genéticas que existe hoje.

O que é a cannabis ruderalis?

A cannabis ruderalis é uma subespécie do cânhamo que nasce principalmente em regiões frias, como o Leste Europeu, a Ásia Central e outras áreas com clima claramente desfavorável pra maconha. É baixinha, tem pouco THC e, principalmente, floresce de forma automática, independente da luz que recebe.

Quando os breeders cruzam a ruderalis com índicas e sativas, o resultado são as plantas automáticas, que começam a florir entre a segunda e a quarta semana de crescimento, independente da luz recebida (fotoperíodo).

Por isso, e por outros motivos, muitos bancos de sementes automáticas e marcas de sementes focaram o trabalho na criação de genéticas autoflorescentes.

A autofloração é um processo único e raro. Ela surge quando os criadores que trabalham com as variedades mais comuns de Cannabis indica ou sativa incorporam a genética da Cannabis ruderalis.

As índicas e sativas puras dependem do fotoperíodo (a proporção entre horas de luz e de escuro a que ficam expostas) pra florir, enquanto as ruderalis quase nunca dependem.

Vantagens de cultivar automáticas

  • As sementes automáticas permitem ao cultivador de outdoor fazer cultivos fáceis e rápidos. E dá pra ir tocando ciclos inteiros de automáticas enquanto as fotoperiódicas crescem ou florescem. Na Argentina, cultivar automáticas no outdoor dentro da lei é possível graças ao REPROCANN, o registro argentino de cannabis medicinal.
  • São pequenas (no máximo 1 metro de altura, mais ou menos), então as automáticas são bem discretas no outdoor, em terraço, varanda ou quintal.
  • Se o clima deixar (mínimas sempre acima de 10 °C), dá pra cultivar automáticas o ano inteiro no outdoor.
  • Como o ciclo é curto e rápido, a planta fica menos exposta a pragas.
  • Se você for cultivar automáticas no outdoor, vai ver que elas aguentam melhor o frio, embora agradeçam um clima ameno.

Desvantagens de cultivar automáticas

  • No indoor, com feminizadas fotoperiódicas de floração rápida você consegue igualar o tempo de cultivo de uma automática, com mais qualidade e mais produção.
  • Como não respondem ao fotoperíodo, não dá pra manter uma genética automática: nada de planta-mãe nem de clones.
  • As automáticas têm menos canabinoides que a mesma genética na versão fotoperiódica.

Como germinar sementes automáticas passo a passo

Germinar a semente:

Pra isso, você precisa de um método de germinação e de uma das várias sementes que encontra na nossa loja.

Preparar os vasinhos:

Com as sementes germinadas, deixe prontos uns vasinhos de 7×7 com terra, onde a raiz cresça sem nenhum obstáculo. O ideal é evitar germinar em Jiffy.

Primeiro, encha os vasinhos de terra e regue bem, porque até a planta aparecer na superfície você não vai molhar de novo. Se regar antes de a semente sair, ela pode se mexer, subir pra superfície, afundar mais do que devia ou queimar ao sair com a terra encharcada.

Enterrar a semente:

Enterre a semente de meio a 1 cm de profundidade, fazendo um buraquinho com uma caneta ou qualquer coisa parecida. Coloque a semente com a raiz pra baixo, cubra com um pouco de terra sem apertar muito e deixe ali até ela finalmente aparecer na superfície do vaso.

O ideal é deixar 24 h de luz nessa fase, até transplantar pro vaso definitivo. Se você não tem lâmpada, dê o máximo de luz possível e não deixe o vaso pegar frio.

Agora é esperar:

Espere a plântula sair da terra e dar aquele estirão típico da semente de cannabis atrás da luz. Isso leva uns quatro ou cinco dias, não muito mais, e você tem que ficar bem atento pra não passar do tempo. Fique de olho nesse momento pra planta não começar a se desenvolver no vasinho.

Passar pro vaso definitivo:

Encha o vaso definitivo de terra até em cima, bem acomodada pra não baixar muito na rega. Se apertar demais, falta oxigênio e as raízes não ficam saudáveis. É pra apertar na medida, e isso também se aprende com o tempo. A luz ideal é de 20 h até o fim, ou o máximo de horas de sol possível.

Com o vaso definitivo cheio, faça um buraco fundo pra colocar a planta do vasinho, porque ela vai ser enterrada com caule e tudo. O passo seguinte é regar aos poucos e pelas bordas, pra encharcar bem a terra.

pH ideal para automáticas

O pH do solo define a capacidade da planta de absorver os nutrientes que estão nele. Se o pH estiver alto demais (alcalino) ou baixo demais (ácido), pode rolar um bloqueio de nutrientes e a planta vai sofrer com carências. A cannabis se desenvolve melhor em solo com pH entre 6,0 e 6,5.

Qual o substrato ideal para automáticas?

É importante escolher um substrato bom e bem aerado pra cultivar suas automáticas.

Normalmente a terra já vem com fibra de coco, mas você pode acrescentar mais (de 30% a 50%) pra deixar o substrato mais aerado.

Também dá pra usar só fibra de coco, mas lembre que o coco é um substrato inerte, então você vai precisar adubar desde o começo do cultivo.