Cannabis e saúde vaginal: endometriose, vulvodinia, TPM e prazer
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Cannabis e saúde vaginal: endometriose, vulvodinia, TPM e prazer

Óleos, óvulos e lubrificantes de cannabis estão chegando à ginecologia. O que se sabe sobre dor, sexo e saúde íntima, e o que ainda falta provar.

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

A cannabis vem ganhando espaço na saúde íntima feminina: cremes, óvulos, supositórios e lubrificantes à base da planta são procurados para aliviar dor (na endometriose, na vulvodinia ou durante o sexo) e melhorar a experiência sexual. A evidência ainda é inicial: há estudos e pesquisas com pacientes que apontam benefícios, mas faltam ensaios clínicos para confirmar a eficácia.

Os compostos ativos da cannabis, como o THC e o CBD, interagem com o sistema endocanabinoide do corpo, que tem papel central na regulação da dor, da inflamação e da função sexual. Pacientes relatam alívio em condições como a dispareunia (dor durante o sexo), a endometriose e outros problemas ginecológicos.

Além disso, há quem use produtos de cannabis para aumentar a sensibilidade, relaxar e melhorar a lubrificação, o que pode contribuir para uma vida sexual mais satisfatória. Por isso vale entender como a cannabis pode entrar com segurança no cuidado da saúde vaginal.

Maconha e sexo: como a cannabis pode ajudar a mulher

O uso medicinal da maconha é cada vez mais procurado para controlar sintomas de várias doenças específicas do corpo feminino. Essa relação entre as mulheres e a “medicina verde” vem crescendo, principalmente com o aumento do uso de produtos de cannabis medicinal. A seguir, vemos como a cannabis pode ajudar as mulheres em diferentes aspectos da saúde.

Cannabis medicinal em mulheres mais velhas

O uso de cannabis medicinal é mais comum entre mulheres, principalmente acima dos 60 anos. Esse grupo tem mais tendência a sofrer de dor crônica, a principal condição para a qual os canabinoides são indicados como complemento das terapias tradicionais.

A prevalência de dor crônica varia de 8,7% a 64,4% conforme o estudo, com média geral de 31%, e é mais alta nas mulheres. Um em cada dez adultos recebe diagnóstico de dor crônica a cada ano, o que faz dela um problema de saúde pública no mundo todo.

Controle da ansiedade e de outros sintomas

As mulheres também usam cannabis para controlar ansiedade, náusea, falta de apetite, síndrome do intestino irritável e dor de cabeça, entre outras condições. Muitas preferem a via oral, em forma de extratos ou óleos.

Cannabis e endometriose: alívio dos sintomas

A endometriose é uma doença crônica que afeta de 5% a 15% das mulheres em idade reprodutiva. Ela se caracteriza pelo crescimento de tecido endometrial fora do útero e provoca dor forte e difusa, infertilidade, cólica menstrual intensa (dismenorreia) e dor na relação (dispareunia).

Mulheres com endometriose apresentam alterações nos níveis de canabinoides produzidos pelo corpo e têm menos receptores CB1 no tecido endometrial. Mexer no sistema endocanabinoide pode influenciar a evolução da doença e o controle da dor.

Pesquisas feitas na Austrália e na Nova Zelândia com pacientes apontam que a cannabis medicinal, principalmente produtos com CBD, pode ajudar a controlar a dor e melhorar a qualidade de vida.

Ajuda na dor crônica da vulvodinia

A vulvodinia, uma dor crônica na vulva, afeta até 28% das mulheres em algum momento da vida, segundo algumas estimativas. As causas são várias, incluindo inflamação e proliferação de nociceptores (as terminações nervosas que captam a dor). A dor pode ser em pontada, em queimação ou ardência, e atrapalha tanto o contato sexual quanto o não sexual.

Pelo efeito anti-inflamatório e pela ação sobre a dor neuropática, a cannabis medicinal poderia ajudar a aliviar a dor da vulvodinia. A evidência é promissora, mas são necessários mais estudos clínicos para confirmar a eficácia.

Alívio dos sintomas da TPM

A síndrome pré-menstrual (TPM) afeta cerca de 65% a 70% das mulheres, com sintomas físicos e emocionais como dor abdominal, dor nas articulações e mudanças de humor, entre outros. Pacientes relatam que a cannabis medicinal alivia esses sintomas, mas faltam estudos clínicos que confirmem a eficácia.

A cannabis age diferente conforme o sexo?

Estudos pré-clínicos em animais sugerem que o THC e seu principal metabólito ativo são mais potentes em ratas fêmeas nas pesquisas sobre dor. As fêmeas mostram um efeito analgésico maior com THC, o que sugere uma resposta melhor no controle da dor.

Resumindo, a cannabis medicinal é estudada como aliada em várias frentes da saúde feminina, do manejo da dor crônica ao alívio de sintomas de condições ginecológicas. Mas ainda é fundamental seguir pesquisando para confirmar esses efeitos em humanos e aprimorar o uso no cuidado da saúde da mulher.

Quais são as formas de usar cannabis medicinal?

Via inalatória

Fumar: fumar cannabis pode causar problemas nas vias respiratórias por causa da combustão, como tosse e predisposição a doenças como a DPOC.

Vaporização: vaporizar flores secas (e não óleos) parece trazer menos efeitos adversos para a respiração. Os vaporizadores portáteis de hoje mantêm a temperatura sob controle, em torno de 200 °C, transformando a resina em vapor sem queimar a planta. Mexer na temperatura permite regular a densidade e o sabor do vapor e controlar o que se consome, evitando partículas e substâncias tóxicas da combustão. O efeito começa em uns 5 minutos e dura cerca de 2 horas.

Óleo de cannabis sublingual

As gotas de óleo de cannabis debaixo da língua começam a fazer efeito em 20 a 30 minutos, e o efeito dura de 6 a 8 horas.

Comestíveis de cannabis

Os comestíveis são outra via bem popular. Sem entrar em detalhes aqui, vale lembrar que o efeito demora mais para começar (de 30 minutos a 2 horas), mas costuma durar mais (até 8 horas).

Tópicos

Lubrificantes e óvulos vaginais: os produtos tópicos aplicados nas mucosas começam a agir em uns 20 minutos, com sensação de calor, relaxamento e mais lubrificação, que pode durar até 2 horas. Um exemplo é o óleo 420 placer, um óleo à base de CBD vendido na Argentina, pensado para estimular as terminações sensitivas da região do clitóris e aumentar o prazer.

A recomendação é aplicar no clitóris 20 minutos antes. Não é exatamente um lubrificante: ele gera um efeito excitatório que estimula a lubrificação natural, relaxa a musculatura e deixa a região mais sensível. O efeito dura de 40 minutos a uma hora. Pode ser usado com camisinha ou com barreiras de proteção sem látex (poli-isopreno).

Supositórios de canabidiol (CBD)

Os supositórios de CBD são outra forma de uso, procurada pelas possíveis propriedades anti-inflamatórias, analgésicas e ansiolíticas.