Consequências da maconha no corpo: o que o uso frequente faz no cérebro, no pulmão e no coração
CONSUMO

Consequências da maconha no corpo: o que o uso frequente faz no cérebro, no pulmão e no coração

A maconha tem lado terapêutico e tem custo: veja o que a ciência já associa ao uso repetido e o que muda de pessoa para pessoa.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA
Planta de maconha em floração dentro de uma sala de cultivo

Consequências da maconha no corpo

As consequências da maconha no corpo dependem de quanto, com que frequência e de que jeito você usa. No curto prazo, o THC mexe com atenção, memória, coordenação e tempo de reação, e acelera o coração; no uso pesado e repetido, os riscos aparecem no pulmão (quando é fumada), no sistema cardiovascular e no cérebro de quem começa antes dos 18. Faz mal ou faz bem? A resposta honesta é: as duas coisas, dependendo do contexto.

A maconha está, junto com o tabaco, o álcool e a cafeína, entre as drogas mais usadas do mundo, e vários países regulamentaram o uso olhando para o lado terapêutico. Há estudos que apontam ação anti-inflamatória, alívio da dor crônica e efeito relaxante muscular, e ela é bastante procurada por pacientes em quimioterapia, que relatam menos náusea e outros efeitos colaterais do tratamento.

A planta tem mais de 100 compostos, mas dois mandam no efeito sobre o organismo: o tetra-hidrocanabinol (THC), o psicoativo, que altera o funcionamento normal do cérebro, e o canabidiol (CBD), que não dá brisa e é o principal responsável pelos benefícios terapêuticos atribuídos à planta.

Só que nem tudo são flores. Junto com os efeitos positivos que quase todo mundo reconhece, não dá para negar que existem efeitos negativos ligados ao uso repetido de maconha.

Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA), a maconha afeta principalmente as áreas do cérebro responsáveis por atenção, coordenação, tomada de decisão, aprendizado, memória e tempo de reação. Alguns desses efeitos são de curto prazo, ou seja, aparecem logo depois de usar. Outros podem ser de longo prazo, por causa do uso continuado.

As consequências negativas da maconha

Uma pesquisa publicada em 2022 e repercutida pela CNN revisou estudos com mais de 43 mil pessoas e mediu o impacto do THC nas funções mais altas do pensamento. Isso pesa porque, além do que já foi citado, o cérebro também cuida de planejar, organizar, resolver problemas e controlar emoções e comportamento.

Nessa linha, a conclusão foi que a maconha pode atrapalhar o desenvolvimento cognitivo dos jovens, cujo cérebro ainda está em formação. Segundo o CDC, usar antes dos 18 anos pode afetar o jeito como o cérebro cria as conexões que sustentam atenção, memória e aprendizado.

Buds de maconha em floração vistos de perto

Outro ponto: o uso crônico pode fazer mal ao pulmão e ao coração. O sistema respiratório é o mais exposto quando você fuma, porque a fumaça carrega muitas das mesmas toxinas, irritantes e substâncias cancerígenas da fumaça do cigarro.

Os riscos mais comuns de fumar maconha são tosse, catarro e até bronquite, sintomas que costumam melhorar quando a pessoa para. Quem fuma também pode danificar o tecido pulmonar e os vasos sanguíneos pequenos. Mesmo assim, ainda falta muita pesquisa para saber em detalhe quais são os efeitos específicos da maconha fumada.

E o vaporizador? Parece menos agressivo que fumar um beck, mas também cobra seu preço na saúde respiratória: segundo um estudo publicado em 2021, quem vaporiza maconha tem quase o dobro de chance de relatar chiado no peito do que quem fuma cigarro comum ou usa cigarro eletrônico.

No coração, sabe-se que o uso de maconha pode aumentar o risco de doenças cardíacas e de AVC. E, logo depois de fumar, a pressão arterial e a frequência cardíaca podem subir.

Resumindo, os efeitos mais associados ao uso repetido de maconha são:

- Perda da capacidade de concentração.

- Queda da capacidade cognitiva e do rendimento intelectual.

- Perda de autocontrole e episódios de irritabilidade ou agressividade.

- Sonolência.

- Perda de memória.

- Possíveis alterações nos neurônios (um ponto que a ciência ainda discute).

- Episódios psicóticos, sobretudo em pessoas predispostas.

- Dificuldade para lidar com tarefas sociais e com outras pessoas.

- Perda de coordenação motora, que vira lentidão e movimentos desajeitados.

- Quadro depressivo.

- Aumento dos batimentos cardíacos.

- Ansiedade.

O que muda o efeito da maconha em cada pessoa

O CDC deixa claro que vários fatores pessoais influenciam o jeito como a maconha afeta alguém. Entre eles, a quantidade e a frequência de uso, e a mistura com outras substâncias, como álcool ou outras drogas, que pode aumentar o risco de efeitos nocivos.

A forma de uso também pesa muito. As mais comuns são fumar em baseado, blunt (enrolado em folha de charuto) ou bong, vaporizar, ou comer e beber a erva misturada em comidas e bebidas, tipo brownie ou refrigerante.

Tem mais dois fatores: a experiência prévia da pessoa com maconha ou outras drogas e questões puramente biológicas, como genética e sexo.

Por mais que pareça tudo negativo, a cannabis de uso medicinal é uma ferramenta essencial para muitos pacientes que lidam com diferentes doenças. Por isso, o conselho é procurar um médico que entenda de cannabis ou, se não for possível, começar com cautela e calma.

Outra coisa importante: não use óleos ou preparados de cannabis que aparecem em rede social ou no mercado informal sem certificação nem procedência. É muito difícil saber o que tem ali dentro, e eles podem fazer mal à saúde, porque muitas vezes o que esses produtos menos têm é a própria erva.

O melhor é se informar e buscar lugares de confiança e seguros. Uso responsável é o caminho.


Continue lendo nossos conteúdos