
Estudar cannabis na Argentina: as pós e cursos das universidades públicas
La Plata, Quilmes, Rosario, Bahía Blanca e Arturo Jauretche: onde a universidade argentina já ensina cannabis medicinal, cultivo e política de drogas.
Onde estudar cannabis na Argentina? Os cursos e pós-graduações nas universidades argentinas
Na Argentina já dá para estudar cannabis em universidade pública: nos últimos anos, a Universidade Nacional de La Plata abriu uma pós-graduação em prescrição e pesquisa de cannabis medicinal, a de Quilmes uma pós em cannabis e política de drogas, e Rosario, Arturo Jauretche e a Universidade Nacional do Sul criaram diplomaturas e disciplinas sobre o tema (vale conferir no site de cada uma se as turmas seguem abertas). Tanto as leis quanto a indústria da cannabis no país vizinho crescem a passos largos. Não é só o consumo pessoal, medicinal, terapêutico ou recreativo, que está na boca de todo mundo: também começam a se abrir novos caminhos para quem quer se formar e aprender mais sobre a planta, suas qualidades, benefícios e usos.
A formação acadêmica voltada para a cannabis é indispensável para uma indústria forte e bem embasada, e aprender sobre as leis, os métodos de cultivo e os usos é necessário para que quem se capacita nessas áreas trabalhe de forma profissional.
A Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nacional de La Plata foi pioneira ao criar uma pós-graduação em Prescrição e Pesquisa de Cannabis Medicinal. Ela é voltada principalmente para médicos e veterinários e trata de temas legais e acadêmicos.
Um dos objetivos principais da pós é “adquirir os conhecimentos necessários para a prescrição racional de preparados à base de canabinoides para uso medicinal”, como explica o comunicado publicado pela UNLP.

A Universidade Nacional de Quilmes lançou uma Pós-graduação em Cannabis, Regulação e Política de Drogas. A UNQ propõe um debate respeitoso sobre as políticas de drogas e a discussão da legalização da cannabis, entre outras substâncias proibidas.
A pós busca “questionar e formular uma proposta que supere os paradigmas que, sobretudo do ponto de vista jurídico e político, não têm sido satisfatórios nas sociedades contemporâneas para que os governos desenhem políticas sociais inclusivas e democratizantes, especialmente no campo da saúde pública.”, explica a UNQ.
Os seminários tratam de história, leis, medicina, políticas públicas de drogas, pesquisa e, claro, cannabis.
A Universidade Nacional do Sul, em Bahía Blanca, foi uma das primeiras a oferecer uma disciplina de Cannabis Medicinal para os alunos do curso de Medicina. A matéria, que é optativa, é voltada principalmente para o uso medicinal da cannabis e pode ser cursada por quem está no terceiro ano do curso.
O professor Alejandro Bucciarelli, do curso de Farmácia do Departamento de Biologia, Bioquímica e Farmácia da UNS, explica que o “objetivo é dar uma contribuição de peso aos alunos de graduação em áreas onde a formação é escassa, especificamente no que diz respeito às plantas medicinais. Trabalhamos de graça, mas com entusiasmo, porque vemos que existe uma realidade e uma demanda social de pessoas que recorrem a essas terapias porque percebem uma melhora em certas doenças ou condições de saúde.”
A Universidade Nacional de Rosario tem uma nova Diplomatura em Cannabis Medicinal, coordenada junto com a Fundação para os Estudos Internacionais (Funpei). Com o objetivo de informar e educar sobre as mudanças regulatórias da cannabis, as duas instituições criaram esse “diploma internacional em endocanabinologia, cannabis e canabinoides para médicos, farmacêuticos, químicos e profissionais de outras ciências da saúde”, segundo a descrição do curso. Quem quiser se inscrever deve entrar em: funpei.org/cannabis-medicinal.

A Universidade Nacional Arturo Jauretche oferece uma Diplomatura em Cannabis e seus usos medicinais e, segundo o site, ela “surge da necessidade de capacitar usuários, cultivadores, produtores, professores, pesquisadores e toda a comunidade sobre os avanços em diferentes temas: propriedades botânicas da planta, pesquisa básica e clínica, propriedades terapêuticas da cannabis.” Para se inscrever, é só clicar aqui.
É animador ver as instituições acadêmicas ampliando as opções para quem quer se informar e se capacitar sobre cannabis. Precisamos de mais cursos, graduações e pós que abracem esses temas e problemas para fortalecer uma indústria que não para de crescer. Antes tarde do que nunca?
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