
Flavonoides da maconha: o que são, as cannflavinas e para que servem
Nem só de THC e terpeno vive a erva: os flavonoides dão cor, aroma e sabor à flor e são estudados como anti-inflamatórios.
Flavonoides
Flavonoides são compostos vegetais que dão cor, aroma e sabor às plantas, e a maconha tem os dela, inclusive alguns exclusivos, as cannflavinas. Quem fuma costuma falar só dos canabinoides (como o THC e o CBD) e dos terpenos, mas os flavonoides são outro composto essencial da erva. Os flavonoides da cannabis mexem no aroma, no sabor e na cor, e são estudados pelo seu potencial terapêutico. Em laboratório, alguns deles se mostraram cerca de 30 vezes mais eficazes que a aspirina para frear a inflamação.
Parte da importância dos flavonoides vem do “efeito entourage”, a interação sinérgica entre canabinoides, terpenos, flavonoides e outros compostos naturais da planta. O efeito entourage quer dizer que quem usa pode ter mais benefícios terapêuticos combinando os compostos da planta inteira do que isolando cada um, embora os flavonoides também possam ser úteis sozinhos.

Então, o que são os flavonoides e por que eles importam?
Os flavonoides são um grupo variado de compostos químicos vegetais, com mais de 6 mil tipos. Eles estão na maioria das verduras, frutas, na cannabis e em outras plantas. São um dos compostos responsáveis pelas cores vivas de frutas, verduras e flores. Na planta, os flavonoides atraem insetos polinizadores (abelhas e borboletas), ajudam a encarar o estresse ambiental e regulam o crescimento das células.
Mas para que servem os flavonoides quando a gente consome? Eles são ricos em compostos antioxidantes e anti-inflamatórios, e alguns são estudados como anticancerígenos. Há estudos que associam os flavonoides à longevidade, à melhora da função vascular em pessoas com diabetes e à prevenção do câncer.
Os flavonoides fazem parte da classe dos polifenóis, compostos vegetais usados há séculos na medicina chinesa e na ayurvédica. Muita gente procura os polifenóis para proteger a pele, a função cerebral e ajudar a regular o açúcar no sangue e a pressão arterial.
Alguns alimentos ricos em flavonoides são morango, couve, chá, uva, cebola, chocolate e até vinho tinto. Fique ligado: o jeito de cozinhar ou guardar os alimentos pode mudar a quantidade de flavonoides que eles têm. Fruta ou verdura que perde a cor viva está perdendo flavonoides.
Os componentes da cannabis parecem não ter fim. Os flavonoides da maconha são muito menos estudados que os outros compostos da planta, mas a pesquisa segue mostrando que cada parte dela tem uma função. Estima-se que até 10% dos compostos conhecidos da planta de maconha sejam flavonoides.

Assim como acontece em outras flores, os flavonoides influenciam a pigmentação da cannabis. Junto com os terpenos, eles também ajudam a definir o aroma e o sabor da maconha.
Os flavonoides exclusivos da erva são chamados de cannflavinas. Ao todo, os pesquisadores já identificaram mais de 20 flavonoides na planta de cannabis. Como a maioria dos compostos da maconha, os flavonoides não dão brisa, mas são farmacologicamente ativos e têm potencial terapêutico.
Assim como os flavonoides dos alimentos, as cannflavinas têm ação anti-inflamatória, antioxidante e antibacteriana. Há estudos que apontam que os flavonoides da cannabis podem reduzir o risco de doenças neurodegenerativas, cardiovasculares e até de câncer. Combinadas com outros compostos da cannabis, as cannflavinas são procuradas para aliviar dores como enxaqueca e dor de cabeça.
Na linha do efeito entourage, os flavonoides ajudariam a potencializar os benefícios dos outros compostos, como os canabinoides. Como cada genética de maconha tem uma proporção diferente de compostos, ou não tem alguns deles, os efeitos medicinais e psicoativos mudam de uma strain para outra.
Os flavonoides exclusivos da maconha são as cannflavinas A, B e C. Fora elas, a cannabis tem os mesmos flavonoides de outras plantas. Existem milhares de flavonoides; estes são alguns dos mais abundantes da natureza.
Quercetina: é o flavonoide mais abundante. Presente na cannabis, na maçã, no chocolate, no vinho tinto, no chá-verde e em outros alimentos, tem propriedades antifúngicas e antioxidantes. Pesquisadores acreditam que ela poderia ajudar a baixar o colesterol.
Catequina: aparece no cacau, nos chás e em algumas frutas, e parece ser um antioxidante poderoso. Há estudos que apontam benefícios para a saúde cardiovascular e ação antiviral.
Taxifolina: presente até no vinagre, tem atividade promissora em pesquisas contra inflamação, infecção microbiana, estresse, doenças cardiovasculares e doenças do fígado.
Hesperetina: encontrada no limão e na laranja, tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.
Rutina: encontrada no chá-verde, no pimentão vermelho, na maçã e em outros alimentos, há estudos que apontam que ela reduz marcadores de estresse e inflamação, o que melhora a função metabólica.
Isovitexina: é estudada pelos efeitos antitumorais e antioxidantes.
Apigenina: abundante no aipo, no manjericão, no coentro e em outras ervas, há estudos que apontam que ela pode ajudar contra ansiedade e depressão.
Antocianina: encontrada na uva e em algumas frutas tropicais, como o açaí, tem forte ação antioxidante.
Cannflavinas A e B: exclusivas da cannabis, funcionam como agentes anti-inflamatórios.
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