Maconha atrapalha o ganho de massa muscular? O que se sabe
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Maconha atrapalha o ganho de massa muscular? O que se sabe

Antidoping, médicos e pesquisas não batem o martelo, mas concordam num ponto: chapado, ninguém rende o máximo.

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

Não há estudos mostrando que a maconha, por si só, impede o ganho de massa muscular: o que as pesquisas indicam é que, enquanto você está sob efeito, a força, a coordenação e o fôlego caem, então treinar chapado rende menos. O uso da maconha no esporte segue sendo um tema polêmico e em plena mudança: tem atleta que defende o alívio da dor e da ansiedade, enquanto as entidades esportivas e de saúde pública alertam pros riscos e efeitos colaterais.

Nos últimos anos, com a legalização e a aceitação da cannabis crescendo em vários países, o debate sobre o uso no esporte ganhou ainda mais peso.

Maconha e esporte

Efeitos positivos e negativos da maconha no desempenho e na saúde

A Agência Mundial Antidoping (WADA) defende que a maconha é uma droga que melhora o desempenho e representa um risco à saúde. Segundo um estudo de 2011 publicado na revista Sports Medicine, “a cannabis induz euforia, melhora a autoconfiança, induz relaxamento e estabilidade e alivia o estresse da competição”.

O mesmo relatório alerta que “atletas que fumam cannabis em competição colocam em perigo a si mesmos e aos outros por causa do aumento da tomada de risco, do tempo de reação mais lento e de decisões ruins”.

Efeitos da maconha no corpo: o que dizem os especialistas?

A posição da WADA é “insustentável e ultrapassada”, segundo Jordan Tishler, médico especialista em cannabis da Inhale MD, em Boston, Massachusetts. “No máximo, a maconha é uma droga que piora o desempenho. O desempenho máximo (força máxima, velocidade máxima, VO2 máximo) dificilmente acontece quando se está sob efeito de cannabis”.

Faz sentido, já que os efeitos da cannabis podem incluir movimentos alterados, dificuldade pra pensar e resolver problemas, problemas respiratórios e aumento da frequência cardíaca, e nada disso ajuda ninguém a render o máximo.

E aí… fumar um beck atrapalha o ganho de massa muscular?

A questão é que os efeitos da cannabis que poderiam mexer no desempenho só importam de verdade enquanto você está sob efeito, diz Tishler. “Se você inala, os efeitos duram de três a quatro horas; se ingere por via oral, de oito a 12 horas”, explica.

Claro que isso também depende da pessoa e da tolerância dela, explica Ryan Vandrey, professor de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Escola de Medicina Johns Hopkins e membro da Realm of Caring, uma organização sem fins lucrativos de pesquisa, educação e promoção da cannabis.

“Se você usa cannabis à noite pra dormir, pode sobrar algum prejuízo cognitivo na manhã seguinte. Ainda não definimos depois de quanto tempo o efeito da cannabis deixa de ser uma preocupação”, diz Ryan Vandrey.

Vandrey tem razão num ponto: há poucos dados sobre o impacto, positivo ou negativo, da maconha no desempenho esportivo. “As pessoas dizem que há benefício, e dá pra argumentar na teoria que a maconha poderia enfraquecer, mas o fato é que ninguém parou pra pesquisar a fundo e resolver isso. Sem os dados, tudo o que dá pra fazer é chutar e especular”, conclui.

O que as pesquisas dizem sobre maconha e massa muscular

Uma revisão científica publicada em abril de 2021 no The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness concluiu que o consumo de maconha “não age como um agente que melhora o desempenho esportivo, como sugerem as crenças populares”.

Os pesquisadores concluíram que é melhor evitar a cannabis antes do exercício pra render o máximo, porque ela reduz a capacidade de sustentar o esforço, aumenta a frequência cardíaca e respiratória e a demanda de oxigênio do coração, e piora o equilíbrio.

Resumindo: em vez de dar vantagem, a cannabis deixa o atleta mais propenso a render abaixo do normal.

Maconha e esporte: e quem corre por hobby?

Se você não está sob efeito da cannabis, provavelmente ela não vai mexer em nada no seu desempenho, segundo o médico Jordan Tishler. Isso pesa no caso da velocista americana Sha'Carri Richardson: os canabinoides não são totalmente proibidos, o uso é restrito das 23h59 do dia anterior à competição até o fim dela.

Só que o THC pode aparecer na urina de um a 21 dias depois do uso, o que pode render punição mesmo que o atleta já não sinta mais nenhum efeito.

Efeitos positivos e negativos da maconha: o que quem corre por lazer precisa saber

Pra quem corre por lazer e fuma socialmente, vale prestar atenção na frequência, na dose e em como a maconha bate em você, aponta o professor Ryan Vandrey. “Se você usa cannabis de vez em quando, mas em doses altas, o perfil de risco é bem diferente do de uma dose pequena ocasional”, explica.

“E usar várias vezes por dia pode te colocar em risco de desenvolver um transtorno por uso de substâncias”. Vandrey também lembra que fumar é pior pros pulmões que vaporizar, e que ingerir é menos agressivo pros pulmões que os dois.

Flor de maconha na mão

Maconha e esporte: desempenho e consumo de cannabis

Não espere render o máximo se você resolver usar cannabis antes de uma prova importante. Ainda tem muita coisa em aberto sobre como a cannabis afeta o desempenho esportivo, mas a evidência disponível sugere que você não chega no seu potencial máximo sob efeito. Então, pra quem quer tirar o melhor do corpo, ficar longe da cannabis antes de competir é a melhor escolha.

A maconha faz perder massa muscular?

Fumar baseado pode deixar a fala, a deglutição e a respiração mais difíceis. Por que isso acontece? A maconha enfraquece os músculos? Por que a gente fica mais descoordenado sob efeito da cannabis?

Pesquisadores da Universidade de Cádiz (UCA), na Espanha, estudaram como os canabinoides agem no sistema nervoso e trouxeram respostas pra essas perguntas.

Maconha e esporte: efeitos nos neurônios motores

Até pouco tempo atrás, não havia estudos descrevendo o impacto direto dos canabinoides nos neurônios que controlam os músculos, os chamados neurônios motores. Já se conhecia o efeito sobre as partes superiores do sistema nervoso central, mas não sobre os motoneurônios.

O professor Bernardo Moreno e a equipe dele resolveram investigar o tema analisando o efeito dos canabinoides nos músculos da língua. A escolha não foi por acaso: a língua é um músculo crucial pra respiração, pra fala e pra engolir comida ou saliva, funções que parecem alteradas em quem usa cannabis.

Maconha no esporte e uso terapêutico: o outro lado

Esse efeito de reduzir a atividade dos neurônios também tem aplicação terapêutica. Em pessoas com doenças como a esclerose múltipla, em que há hiperatividade muscular, há estudos que apontam que a redução da atividade dos neurônios motores causada pela cannabis pode aliviar os sintomas.

Segundo o professor Moreno, nesses quadros, a diminuição da atividade neuronal pode se traduzir em melhora dos sintomas.