Maconha e skate: de onde vem essa amizade tão antiga
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Maconha e skate: de onde vem essa amizade tão antiga

Do tênis com bolso secreto pra erva ao antidoping das Olimpíadas: a história de uma parceria que nunca saiu do pico.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

A maconha anda junto com o skate há décadas: os dois cresceram na mesma contracultura dos anos 80 e 90, e até hoje sobrevive o clichê do “skatista maconheiro”. Nem todo skatista fuma, claro, mas a erva marcou a moda, o vocabulário e o próprio jeito de viver o skate.

Com o skate estreando nas Olimpíadas de Tóquio 2020 e ganhando ainda mais visibilidade, a pergunta ficou no ar: quão profunda é a relação entre a maconha e o skate?

Skate e maconha

Todo skatista fuma maconha?

Óbvio que não, mas é um esporte muito comum entre quem curte fumar um, a ponto de, quando o skate finalmente virou olímpico em 2020, a maior preocupação dos skatistas ser o antidoping. O próprio Tas Pappas, um dos grandes nomes do skate mundial, disse numa entrevista que isso seria um problema, porque muita gente manda as manobras chapada.

Skate, drogas e um marco: o tênis com bolso secreto

Nos anos 90, o skatista Chad Muska desenhou com uma marca um modelo de tênis de skate. E o que tinha de revolucionário? Um detalhe que fez milhares de skatistas fazerem fila pra garantir o seu par: o tênis escondia um bolso secreto na lingueta pra guardar maconha.

Depois disso, apareceu um monte de produto pra skatista com tema de maconha: roupa de todo tipo, adesivo, shape com estampa de bud ou de planta, lixa e muito mais.

Skate e maconha: o equilíbrio certo

Há estudos que apontam que a maconha, e algumas genéticas em especial, pode ajudar quem convive com fadiga, dor crônica, ansiedade e problemas ligados à inflamação. E muitos skatistas relatam que isso faz ainda mais diferença pra quem vive de esporte radical e leva tombo todo dia.

Skate é perseverança. E tem também um lado “zen” forte, que às vezes fica mais perto da meditação do que da atividade física. Os skatistas sempre fumaram pra relaxar e aliviar a dor, e muitos dizem que a maconha também reforça essa sensação de “estar presente”.

Tem quem diga que ela ajuda a tirar da cabeça os pensamentos negativos e a entrar mais fundo nesse transe “zen”. Com o medo de lado, aquela teimosia de não desistir quando a manobra dá errado fica ainda mais forte.

Efeitos da maconha no esporte

As substâncias sempre estiveram presentes no esporte, ainda mais nos que nasceram dentro da contracultura. Álcool, maconha e psicodélicos sempre estiveram enraizados em atividades como o skate. Os efeitos de fumar maconha e seus benefícios conhecidos, somados a curtir com os amigos, aparecem em todo esporte e atividade física. Mas e no skate, como fica?

O skate como ponto de encontro

Vale lembrar que, como todo esporte considerado “radical demais” no começo, o skate juntou os desajustados, os folgados e os rebeldes. A maconha, que foi ilegal durante quase toda a história do skate, era vista como coisa ruim pela grande mídia. E essa demonização, por incrível que pareça, só deixou o skate mais atraente.

Com o espírito rebelde do skate somado à maconha, nos anos 80 e 90 o público chegou em massa, e o skate virou um estilo de vida tanto quanto um esporte.

O que os skatistas dizem sobre andar de skate e fumar

Muitos skatistas das gerações dos anos 90 e 2000 defendiam a maconha e assumiam o consumo sem rodeio. Os defensores dentro da comunidade do skate foram ficando cada vez mais vocais sobre os benefícios que viam no consumo.

O pioneiro do skate Tony Alva disse: “Muita gente considera a maconha uma droga e eu não concordo. Uma grande parte da galera do skate usa a maconha como erva pra melhorar a vida e se sintonizar com o ambiente, física e mentalmente. Quando a gente tirar o estigma de que a erva é droga, os skatistas vão parar de ser rotulados de drogados... Só espero que as pessoas se informem e aprendam mais sobre isso. A legalização da maconha é algo muito esperado no mundo”.

Skatista andando de skate

Agora que a maconha legal é realidade em vários estados, países e regiões, muitas marcas de skate aproveitaram a onda. Equipamento especializado, roupa da moda e produtos de maconha chegam ao público numa oferta sem fim.

Na lista de proibidas

O COI (Comitê Olímpico Internacional) colocou a maconha na lista de substâncias proibidas depois que Ross Rebagliati ganhou o ouro no snowboard em 1998 e testou positivo para maconha. A entidade passou a tratar a maconha como substância que melhora o desempenho, embora o efeito não seja igual em todo atleta. Uns até andam mais soltos no skate; outros só querem sentar no shape e pensar nos mistérios do universo.

Mas algumas concessões foram feitas:

  • A Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês) aumentou o limite de THC tolerado nos testes. Isso deixou os exames mais flexíveis, já que o atleta pode usar THC fora de temporada, longe das competições oficiais.
  • Ficou definido que produtos de CBD não são problema para a WADA, então o CBD, procurado por quem busca alívio de dor, segue disponível para skatistas e atletas em geral. Pelo jeito, mesmo com limites, alguns produtos de cannabis vão continuar liberados para atletas olímpicos em atividade.
Cultura do skate

É interessante ver como essas mudanças nas regras do esporte aproximam ainda mais o skate e a maconha, e se tem uma coisa certa é que a maconha e o skate vieram pra ficar, e essa relação só vai crescer enquanto tiver gente que ama fumar e andar de skate.

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