Maconha mata neurônios? O que a ciência diz sobre o cérebro
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Maconha mata neurônios? O que a ciência diz sobre o cérebro

Nem mito de propaganda antidrogas nem passe livre: o efeito da maconha no cérebro depende de idade, frequência e da relação entre THC e CBD.

POR Redação CosechaLibre4 MIN DE LEITURA

A ideia de que a maconha “mata neurônios” é uma simplificação: o que os estudos apontam é que o THC pode afetar memória, atenção e aprendizado, e que esse impacto pesa mais em quem começa cedo e usa com muita frequência. A relação entre o consumo de buds de maconha e a saúde do cérebro é debatida há décadas, e uma das dúvidas mais comuns é justamente se a erva danifica os neurônios e, com isso, a função cerebral no longo prazo.

Essa preocupação foi alimentada por vários estudos e afirmações que sugerem que certos compostos da cannabis, como o THC, podem prejudicar a memória, a concentração e outros processos cognitivos.

Só que pesquisas mais recentes começaram a esclarecer o assunto e mostram que a resposta não é tão simples: os efeitos dependem de fatores como a frequência de uso, a idade de quem consome e a proporção de compostos como THC e CBD na planta.

Quais são os efeitos dos canabinoides no cérebro?

A descoberta dos efeitos do THC no cérebro foi um marco na ciência. Em 1963, o químico Raphael Mechoulam e sua equipe na Universidade Hebraica de Jerusalém identificaram o THC como o principal composto psicoativo da cannabis.

Com essas pesquisas, eles também descobriram que o cérebro humano produz um composto parecido com o THC, a anandamida, que junto com o 2-araquidonoilglicerol (2-AG) faz parte do grupo dos endocanabinoides.

Os endocanabinoides têm papel central no sistema endocanabinoide, a rede de sinalização que o corpo usa para regular humor, memória, apetite e dor. Eles atuam sobre os neurônios por meio de receptores específicos na membrana neuronal. Esses receptores de canabinoides estão espalhados por várias áreas do cérebro, como o hipocampo, o hipotálamo, o cerebelo, os gânglios da base e a amígdala, entre outras.

Essa distribuição permite que o THC ative receptores diferentes no cérebro, o que se traduz em efeitos e respostas diferentes.

Efeitos de curto prazo do THC no cérebro

Quando você fuma maconha, o THC é absorvido pelos pulmões e chega rápido à corrente sanguínea, por isso o efeito é imediato. Já no cérebro, o THC se liga aos receptores canabinoides e provoca uma superestimulação de certas células neuronais. Isso pode desencadear efeitos como:

  • Euforia: sensação de bem-estar e prazer
  • Alteração dos sentidos: principalmente da percepção de tempo e espaço
  • Alucinações e delírios (em doses altas)
  • Mudanças de humor e reações emocionais intensas
  • Limitação dos movimentos e da coordenação
  • Dificuldade para resolver problemas e falhas de memória
  • Psicose temporária em casos de consumo alto ou frequente

Além disso, o THC aumenta a liberação de dopamina e estimula o sistema de recompensa do cérebro. Isso reforça a sensação de prazer ligada ao consumo, mas também contribui para alguns riscos no longo prazo.

Efeitos de longo prazo da maconha no cérebro

O consumo prolongado e iniciado cedo pode ter impacto na função cerebral, afetando a memória, o aprendizado e a formação de conexões entre neurônios. Alguns estudos apontam que o uso frequente de maconha pode influenciar:

  • Capacidade de aprendizado e memória: o cérebro jovem é especialmente vulnerável, o que afeta a capacidade de reter e processar informação.
  • Capacidade de raciocínio e de resolver problemas: à medida que se desenvolve uma dependência psicológica, a motivação e o foco podem cair.

Entre os efeitos de longo prazo também está o risco de desenvolver uma dependência psicológica, movida em grande parte pela vontade emocional de sentir de novo a brisa do THC.

Efeitos físicos ligados ao consumo de canabinoides

O uso prolongado de cannabis também pode trazer efeitos físicos e problemas de saúde, como:

  • Problemas respiratórios em quem fuma com frequência
  • Coração acelerado, o que pode ser um risco para quem tem problema cardíaco
  • Náuseas e vômitos intensos em casos de uso crônico

Efeitos mentais do consumo prolongado dos diferentes tipos de canabinoides

Na saúde mental, o consumo prolongado e em doses altas pode agravar alguns transtornos e sintomas, como:

  • Alucinações e episódios de paranoia
  • Piora dos sintomas em pessoas com esquizofrenia ou histórico de transtornos psicóticos