Maconha na academia: o que a erva faz com o treino e os músculos
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Maconha na academia: o que a erva faz com o treino e os músculos

Do livro “Runner's High” aos alertas da Agência Mundial Antidoping: o que se sabe sobre treinar depois de fumar.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

A maconha não constrói músculo nem vira suplemento, mas tem cada vez mais gente usando antes ou depois do treino porque diz que malhar fica mais prazeroso e a rotina pega. Por outro lado, o THC acelera o coração, sobe a pressão por um tempo e pode atrapalhar reflexo e coordenação. Ou seja: pode ajudar na motivação, mas não é para todo mundo nem para qualquer esporte.

Muita gente se pergunta como fica a erva no esporte: o que acontece se eu fumar e for treinar? Maconha e academia combinam?

Para uma parte da galera, fumar maconha atrapalha o ganho muscular; para um número crescente de pessoas, usar cannabis antes, durante ou depois do treino é justamente o que segura a rotina de exercícios. Josiah Hesse, jornalista especializado em cannabis, reuniu no livro “Runner's High” entrevistas com atletas, pesquisadores e especialistas, mostrando como a erva pode deixar o exercício mais divertido e motivador.

Fisiculturista e folha de maconha: a relação entre a erva e o treino

Hesse defende que a resistência ao exercício muitas vezes vem de estereótipos: a ideia de que treino tem que ser desconfortável, pesado ou tomar tempo demais para dar resultado.

Por isso, aqui você vê como a cannabis pode mudar o jeito de encarar o exercício, deixando tudo mais prazeroso e ajudando a manter a motivação lá em cima.

O que a ciência diz sobre maconha e exercício

Olhar os estudos que já existem sobre maconha e atividade física dá uma ideia mais clara de para onde essa relação está indo.

Uma pesquisa de 2019 analisou dados de 600 usuários de cannabis em estados dos EUA onde a erva é legal. Detalhe que chamou atenção: 80% disseram usar maconha antes ou depois de se exercitar. Essas pessoas faziam, em média, 43 minutos de exercício aeróbico e 30 de anaeróbico por semana.

Os resultados mostraram uma ligação entre o uso de cannabis e níveis mais altos de exercício. Um dos motivos apontados foi o prazer maior durante a atividade. Os atletas que fumam disseram que a erva antes e depois do treino aumenta a sensação de prazer e ajuda na recuperação.

Mas não dá para olhar só o lado bom. Especialistas alertam para possíveis efeitos no tempo de reação e na coordenação, principalmente em esportes radicais. Mesmo com a cannabis e o esporte já andando juntos nos países onde ela é legal, ainda falta entender direito como a erva afeta o desempenho e a recuperação do corpo.

Maconha e academia: o lado ruim

Ao contrário dos depoimentos positivos, a ciência indica que a cannabis pode ter efeitos negativos no sistema cardiovascular. Um estudo de 2005 mostrou que doses baixas ou moderadas de THC podem causar taquicardia e aumentar a pressão arterial temporariamente.

Para quem é saudável, isso pode não ser problema, mas quem tem doença cardíaca precisa de cuidado antes de juntar baseado e exercício. Vale entender bem os detalhes dessa relação para decidir com informação se e como combinar cannabis e treino.

Maconha no esporte: o que diz a Agência Mundial Antidoping

A Agência Mundial Antidoping (WADA, na sigla em inglês) considera a maconha uma droga que melhora o desempenho e um risco à saúde, com base num estudo de 2011 publicado na revista Sports Medicine. Segundo esse estudo, a cannabis provoca euforia, aumenta a autoconfiança, relaxa e alivia o estresse, coisas que poderiam beneficiar o atleta.

Por outro lado, o relatório aponta que o uso em competição pode colocar o atleta em perigo por aumentar a tomada de risco, deixar o tempo de reação mais lento e piorar as decisões.

Flor de maconha na mão

Um ponto-chave é quanto tempo os canabinoides ficam no corpo do atleta. Mesmo com vários países afrouxando as leis sobre maconha, os comitês esportivos continuam rígidos.

O exame de urina, método mais comum de detecção, pode acusar cannabis até 30 dias depois do uso, e em quem fuma todo dia o THC pode levar até 90 dias para sair totalmente do corpo. Isso pode pesar na elegibilidade do atleta e precisa ser levado a sério.

Maconha antes do treino: como deixar o exercício mais divertido e motivador?

Josiah Hesse reforça que a cannabis pode deixar o exercício mais divertido e ajudar as pessoas a manterem a motivação para treinar. Não é um suplemento milagroso para o desempenho atlético, mas pode transformar rotinas e treinos em algo mais atraente.

Conforme a cannabis fica mais acessível no dia a dia, aparecem relatos de vários jeitos em que ela entra no treino: ajuda quem faz ioga a se concentrar numa postura, alivia a ansiedade de fisiculturistas na hora de puxar ferro ou deixa a aula de spinning mais gostosa para o ciclista.

Como a maconha influencia o desempenho no esporte?

Importante: a cannabis não transforma ninguém em atleta do nada. O potencial dela está em aumentar o prazer de se exercitar. E as evidências indicam que quem curte a atividade física tende a manter a rotina de exercícios.

Maconha e academia: recomendações finais

Josiah Hesse aconselha começar com doses baixas, fazer atividades tranquilas e estar num ambiente conhecido para ter a melhor experiência. Mas atenção, principalmente se você tem problema cardíaco ou ansiedade: algumas pessoas devem evitar se exercitar sob efeito da cannabis.

Resumindo: usada com cabeça, a cannabis pode mudar a visão negativa que muita gente tem do exercício, tirando a culpa, o esgotamento físico e o medo da rotina de treino.

Josiah Hesse sugere deixar esses pensamentos de lado, usar maconha depois da academia (ou antes) com moderação e começar curtindo atividades físicas leves, tipo uma caminhada longa no parque.