Maconha no esporte profissional: o que dizem atletas e especialistas
SAÚDE

Maconha no esporte profissional: o que dizem atletas e especialistas

Phelps, Rapinoe e Sha'Carri de um lado, médicos e pesquisadores do outro: a erva ajuda na recuperação, mas não te faz correr mais rápido.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

A maconha não melhora o rendimento esportivo, e usada antes do treino pode até atrapalhar, mas cada vez mais atletas recorrem à cannabis para a recuperação, o sono e a ansiedade. O segredo, para quem decide usar, é fazer isso de forma consciente e estratégica, sem comprometer o desempenho.

O pulo do gato está em entender como as diferentes genéticas e canabinoides agem no seu corpo e na sua cabeça, e ajustar o uso para complementar a sua rotina esportiva, não substituir.

Neste guia, a gente mostra como a cannabis entra na rotina de quem treina, o que atletas de alto nível falam dela e o que os especialistas dizem sobre concentração, motivação e recuperação, além dos efeitos negativos que podem pesar no seu desempenho.

Com a abordagem certa, há quem relate que a cannabis vira uma aliada na experiência esportiva, ajudando a chegar nos objetivos de um jeito mais equilibrado.

Planta de maconha no dia 42 de cultivo

Maconha e exercício no esporte profissional

Apesar das punições e proibições de sempre, o esporte profissional vem mexendo nas regras sobre o consumo de cannabis. O assunto ainda é tabu, mas o uso de maconha não para de crescer no esporte de elite.

Atletas famosos como Michael Phelps, Usain Bolt, Allen Iverson, Carmelo Anthony e Conor McGregor já admitiram usar maconha ou derivados terapêuticos e medicinais. Essa tendência aponta para uma mudança de paradigma no mundo do esporte.

A virada no esporte profissional

O esporte vive uma fase nova, em que a voz dos atletas pesa cada vez mais. Dirigentes e entidades começam a reconhecer que quem rala de verdade e ganha campeonato são os atletas.

Como diz Rodney Wallace, ex-jogador de futebol costa-riquenho e fundador da Rewind, uma marca de CBD orgânico: “O pessoal ‘lá de cima’ está abrindo os olhos e entendendo que proibir a cannabis só piora o jogo.” Wallace destaca que a cannabis pode ajudar os atletas a lidar com enxaqueca, insônia, dor física e ansiedade, mas não melhora diretamente o rendimento físico.

O reconhecimento da cannabis no esporte

O esporte profissional está entendendo, cada vez mais, a importância de cuidar do bem-estar físico, mental e emocional dos atletas. Rachael Rapinoe, ex-jogadora de futebol dos EUA e CEO da Mendi, uma empresa de produtos com CBD, comenta: “Há provas suficientes que apoiam o uso da cannabis como solução natural para ajudar com o estresse, a ansiedade e o bem-estar geral.”

Rachael e a irmã, Megan Rapinoe, estrela do futebol feminino, defendem o uso da cannabis não psicoativa para fins medicinais e terapêuticos.

Desafios e futuro da maconha no esporte

Mesmo com a aceitação crescendo, o estigma em torno da cannabis continua sendo um obstáculo. O caso de Sha’Carri Richardson nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, quando ela foi suspensa por dar positivo para cannabis, mostra o quanto a percepção pública ainda precisa mudar.

Devon Allen, atleta olímpico, chegou a prever que nos Jogos Olímpicos de 2024 a cannabis seria aceita no esporte: “Tem ciência demais apoiando o uso terapêutico de produtos com CBD e THC.”

Vencendo o estigma

O estigma da cannabis, muitas vezes ligado ao crime e à falta de produtividade, continua forte em muitos lugares. Ayesha McGowan, ciclista e ativista, resume: “Enquanto a gente continuar associando a cannabis ao crime, as pessoas vão manter distância.” Mesmo assim, a informação crescente sobre os benefícios da cannabis está mudando essa visão aos poucos.

Fumar maconha e fazer exercício: os possíveis benefícios

Há estudos que apontam que a cannabis pode ajudar na recuperação física, no sono e na ansiedade, com potencial terapêutico relevante. Ainda falta muito caminho, mas a evidência científica vem dando cada vez mais base ao uso da cannabis no esporte, sugerindo que a planta pode ter um papel no bem-estar dos atletas.

O que dizem os especialistas sobre a maconha no rendimento esportivo?

A posição da American Medical Association (AMA) sobre a cannabis foi chamada de “insustentável e ultrapassada” por Jordan Tishler, médico especialista em cannabis da Inhale MD, em Boston.

Segundo Tishler, “se tem alguma coisa, a maconha é uma droga que piora o rendimento. O desempenho máximo (força máxima, velocidade máxima, VO2 máximo) dificilmente acontece sob efeito de cannabis.”

Bud de maconha em close

Os efeitos da maconha no rendimento esportivo

Entre os efeitos da cannabis estão alterações nos movimentos do corpo, dificuldade para pensar e resolver problemas, problemas respiratórios e aumento da frequência cardíaca, nada disso ajuda a dar o seu melhor.

Tishler explica que, “se você inala, os efeitos duram de três a quatro horas; se ingere, de oito a 12 horas”. Mas a duração também depende de cada pessoa e da sua tolerância, completa Ryan Vandrey, professor de Psiquiatria e Ciências do Comportamento da Escola de Medicina Johns Hopkins.

Vandrey aponta que, mesmo que a cannabis ajude a dormir, pode sobrar algum prejuízo cognitivo no dia seguinte. “Ainda não sabemos a partir de quando o efeito da cannabis deixa de ser uma preocupação”, explica.

Faltam dados concretos

Vandrey também chama atenção para a falta de dados conclusivos sobre o impacto da cannabis no rendimento esportivo. “As pessoas dizem que tem benefício, e dá para argumentar na teoria que a maconha pode ser debilitante, mas o fato é que ninguém parou para pesquisar a fundo e resolver a questão. Sem dados, tudo o que dá para fazer é chutar e especular”, afirma.

O que mostram as pesquisas mais recentes

Uma revisão científica publicada em abril de 2021 no The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness concluiu que o consumo de maconha “não age como um agente que melhora o desempenho esportivo, como diz a crença popular”.

A pesquisa concluiu que é melhor evitar a cannabis antes do exercício para render o máximo, já que a maconha reduz a capacidade do atleta de sustentar o esforço, aumenta a frequência cardíaca e respiratória e a demanda de oxigênio do coração, além de causar problemas de equilíbrio.

Resumindo: a maconha não dá vantagem nenhuma no rendimento esportivo e, na real, pode aumentar a chance de você sair perdendo.