Mulheres e maconha: do parto no Egito antigo às cultivadoras de hoje
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Mulheres e maconha: do parto no Egito antigo às cultivadoras de hoje

Cólica, TPM, endometriose, sexo, menopausa e amamentação: como a cannabis acompanha a vida das mulheres há séculos e o que a ciência já sabe (e ainda não sabe).

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

As mulheres usam maconha há séculos: no Egito antigo para ajudar no parto, na Europa do século XIX para aliviar a dor da amamentação e, até hoje, contra a cólica menstrual. O mundo canábico moderno sempre foi dominado por homens, mas as mulheres seguem aproveitando a planta tanto pelo alívio da dor quanto pelo simples prazer de consumir, e hoje cultivam, militam e pesquisam de igual para igual.

Maconha e menstruação: o uso na Antiguidade

Na Antiguidade, a cannabis foi usada pelas mulheres para tratar dores ligadas à menstruação e à maternidade. No século XIX, na Alemanha e na Áustria, se usava um creme à base de cannabis para desinflamar e aliviar a dor nos seios de quem estava amamentando. Ou seja, a ligação entre amamentação e maconha vem de longe (mais abaixo a gente explica por que hoje a recomendação é outra).

No Egito, as mulheres usavam uma pomada de cannabis com mel para provocar contrações e ajudar no parto. A cannabis e a menstruação também sempre andaram juntas: contra a cólica, a planta foi usada no passado e segue sendo usada hoje. Antes eram pomadas e beberagens; agora existem até absorventes internos com extrato de cannabis vendidos para aliviar a dor.

Conta-se ainda que, na Rússia, a planta era usada para deixar mais prazerosa a primeira relação sexual das mulheres virgens, e ela foi usada no mundo todo como afrodisíaco.

Plantas de maconha em floração numa sala de cultivo

Mulheres que fumam maconha: como é hoje?

Hoje, a relação entre maconha e mulheres mudou. O uso terapêutico continua, mas também existe uma consciência sobre o uso recreativo que deixa claro: o mundo canábico não é só dos homens.

Muitas associações de mulheres estão entre as que mais brigam pela legalização do autocultivo, para fazer produtos medicinais e tratar filhos, familiares ou elas mesmas. As cultivadoras tiram colheitas monstruosas e mostram que, embora o cultivo de maconha tenha sido um território majoritariamente masculino, isso ficou para trás.

Maconha e mulheres seguem com uma relação firme, e elas brigam por igualdade nessa e em outras práticas e indústrias. Passo a passo, vão marcando o próprio lugar no mundo canábico como cultivadoras, ativistas, pesquisadoras e muito mais.

E vale dizer: o uso recreativo também já é hábito para muitas mulheres. O que antes ficava restrito ao alívio de sintomas hoje é um estilo de vida que elas também adotaram.

Para que as mulheres usam maconha?

Maconha e menstruação: contra a cólica

Uma pesquisa publicada no Journal of Pain Research ouviu mais de 400 mulheres e encontrou que cerca de 84% das participantes sofriam com cólica menstrual, e 43% delas sentiam dor em toda menstruação.

Há dados que sugerem que de 5% a 10% das mulheres têm uma dor forte o suficiente para atrapalhar a rotina. Mas o que a ciência diz sobre o óleo de cannabis para cólica? Ainda não existe nenhum estudo controlado que avalie os efeitos da cannabis na menstruação.

Por outro lado, um estudo publicado em 2014 perguntou a 192 mulheres se já tinham usado maconha para aliviar a cólica. O dado que chama atenção: 85% responderam que sim, e 90% delas disseram que a cannabis ajudava. Por isso a relação entre maconha e ciclo menstrual merece mais pesquisa.

Contra a TPM

Muitas mulheres sentem sintomas nas semanas antes da menstruação, como mudança de humor, seios sensíveis, cansaço e irritabilidade. Esse conjunto de sintomas é a famosa tensão pré-menstrual (TPM).

Ainda há poucos estudos em humanos sobre cannabis e TPM. Mesmo assim, já se investiga se a maconha tem efeito sobre a insônia, a irritabilidade, a depressão e a dor nas articulações que vêm com a TPM.

Maconha para mulheres com endometriose

A endometriose pode afetar mulheres de qualquer idade. Ela acontece quando o tecido que reveste o útero começa a crescer em outros lugares, inclusive nos ovários. Esse crescimento fora do lugar pode causar dor pélvica, dor na relação sexual, infertilidade e sangramento excessivo.

Num estudo, 252 mulheres relataram que a cannabis fumada ou ingerida mexeu com os sintomas da endometriose, principalmente os gastrointestinais, a dor e o humor. Esses achados podem puxar mais estudos para confirmar os resultados.

Mulher, maconha e sexo

O sexo deveria ser um momento de prazer, mas nem todo mundo sente assim, ou pelo menos não sempre. Ansiedade, ressecamento vaginal e falta de desejo são fatores que podem levar a mulher a evitar o sexo com o parceiro ou a parceira.

Então, será que os efeitos da maconha na mulher (e no homem) podem melhorar a experiência sexual? Há estudos em andamento tentando descobrir. Um deles, de 2019, publicado na revista Sexual Medicine, procurou uma relação entre o uso de cannabis antes do sexo, a função sexual feminina e mais satisfação com o orgasmo.

Enquanto a pesquisa não fecha a conta, algumas empresas já criaram produtos de cannabis para mulheres pensados para o sexo, como lubrificantes.

Ilustração sobre mulheres e maconha

Menopausa

Falando de maconha e mulheres, não dá pra deixar de fora a menopausa, a fase em que a menstruação para por causa da queda dos hormônios. Ela costuma chegar entre os 45 e os 55 anos. A queda de hormônios como o estrogênio provoca uma série de sintomas, como fogachos (as ondas de calor), dificuldade para dormir, palpitações, dores musculares e nas articulações, ganho de peso, menos desejo sexual e enxaqueca.

Mas a maconha pode ajudar com os sintomas da menopausa? Ainda faltam ensaios clínicos conclusivos, mas uma pesquisa de opinião mostrou que a maioria das mulheres entrevistadas era a favor do uso de cannabis medicinal para os sintomas da menopausa, como problemas de sono, humor e ansiedade.

Maconha e amamentação: pode?

Muita mulher se pergunta: “se eu fumo maconha, posso amamentar?”. A amamentação é outro ponto importante quando o assunto é cannabis e mulheres.

Amamentar dói, em maior ou menor grau, para muitas mulheres, e algumas poderiam pensar em fumar maconha para ter um alívio natural. Só que consumir maconha depois do parto pode ter efeitos no bebê.

Maconha e amamentação não combinam. Por quê? Porque os canabinoides, como o THC, são lipossolúveis (se dissolvem em gordura) e ficam guardados nas reservas de gordura do corpo; por isso podem passar para o leite materno e causar sonolência e fraqueza no bebê. Com base nisso, o CDC, o centro de controle de doenças dos Estados Unidos, recomenda evitar qualquer forma de cannabis durante a amamentação.

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