Mutações da maconha: da planta albina ao pé de pato
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Mutações da maconha: da planta albina ao pé de pato

Plantas gêmeas, gigantes poliploides, galhos que viram tentáculos, buds que nascem da folha e até uma lenda subaquática: as mutações mais curiosas da cannabis.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

As mutações da maconha mais conhecidas são a planta rasteira de galhos “tentaculares”, a filotaxia verticilada (três ou mais folhas por nó), os buds que nascem das folhas, a poliploidia (plantas gigantes), as sementes gêmeas, a maconha albina e a folha “pé de pato”. Todas nascem do código genético da planta, e algumas, como a famosa “maconha subaquática” do Chile, viraram lenda. Aqui vai a lista com o que cada planta mutante tem de curioso.

A chave das mutações está escondida no mesmo lugar onde elas nascem: no código genético da planta. O DNA de qualquer ser vivo guarda segredos profundos e às vezes difíceis de entender e estudar. Por isso os pesquisadores seguem investigando e analisando esses casos.

De plantas gêmeas a albinas e até com formato de bicho, fizemos uma lista de algumas das genéticas de maconha mais curiosas que existem no mundo.

Maconha aquática: onde apareceu a primeira planta de cannabis subaquática?

A história que rodou o mundo conta que, no Chile, em 2015, pescadores acharam uma planta aquática bem interessante: uma cannabis subaquática no Oceano Pacífico. Segundo o relato, os estudos confirmaram que era mesmo uma genética de maconha.

Um grupo de pescadores estava no trampo de sempre quando, ao puxar a rede, encontrou um exemplar exótico. O Instituto Chileno de Aquicultura teria analisado a planta e afirmado que era uma Cannabis sativa. Ela ganhou o apelido de “a amiga dos pescadores”, em homenagem a quem descobriu essa espécie que vive debaixo do mar.

Segundo a mesma história, os especialistas concluíram que águas termais, um gene mutante e a localização foram os elementos-chave para essa maconha aquática aparecer. As plantas tinham flores e, na análise, o THC deu muito baixo, mas presente.

A maconha tentacular e seus galhos independentes

Entre os tipos de planta de maconha que existem no mundo, apareceu essa mutação genética que cria plantas com galhos que se espalham pelo chão como tentáculos, sempre procurando onde se fixar. Ela é conhecida como “fenótipo rasteiro”.

Bem estranho, né? Os galhos dessas plantas conseguem enraizar quando se espalham por um substrato úmido e, quando começam a formar raízes, crescem para cima como se fossem plantas independentes. Essa mutação esquisita só aparece em sativas, com folhas finíssimas e caules bem fininhos.

Filotaxia verticilada: em busca de buds grandes

Esse gene mutante é chamado de “filotaxia verticilada” e cria plantas com três ou mais folhas por entrenó em vez das duas de sempre. O resultado são fenótipos cheios, carregados de folhas. Por causa dessa quantidade de folhas, viram ótimas candidatas a produções enormes.

A má notícia: esse é um dos casos de mutação genética em que, por causa do gene, nasce uma proporção muito alta de machos. A causa dessa superprodução de folhas parece estar na mutação de um ou mais genes que controlam o crescimento da planta.

As plantas que soltam buds das folhas

Entre as mutações da maconha, essa é uma das de origem ainda desconhecida, e faz a planta desenvolver buds a partir da base de muitas das suas folhas. Quem conseguiu observar esse fenômeno estranho viu folhas e pistilos no ponto onde as folhas se juntam aos galhos.

Vale saber que essas flores não são muito grandes e, ao contrário dos buds que a gente conhece, que crescem nas gemas dos nós, essa nova geração de “buds mutantes” pode crescer também no ponto de união dos folíolos (os “dedos” da folha).

Mutação poliploide: as gigantes da cannabis

A poliploidia é uma das alterações genéticas que criam plantas com zonas hipervigorosas. É uma anomalia que acontece quando a planta tem mais conjuntos de cromossomos do que os dois característicos da espécie.

Esses exemplares costumam ser bem maiores. Mas isso não é grande vantagem: eles não conseguem passar o gigantismo para os descendentes, nem nos cruzamentos com plantas normais, nem na união com outro “mutante”.

O caso estranho das plantas “gêmeas”

Quando nascem duas plantas da mesma semente, trata-se de uma semente poliembriônica, ou seja, uma semente que traz dois indivíduos. Isso acontece quando um embrião se desenvolve a partir de um óvulo fecundado ao mesmo tempo em que outro embrião se forma a partir dos tecidos do órgão feminino da planta. Por isso, uma planta será “normal” e a outra, um clone da mãe.

Em geral, os caules dessas plantas são muito sensíveis, então se você tentar separar antes de a semente se desfazer, as duas provavelmente morrem. Mas, quando chegam a uma altura considerável (de 20 a 25 cm), dá para separar tranquilo, porque já são duas plantas independentes.

Maconha albina

Se é para falar de plantas de maconha com genéticas desconcertantes, essa é única: você vê buds brancos em plantas que misturam partes sem cor com partes verdes. Isso se chama “variegação”, uma mutação causada por uma falha na expressão dos genes que regulam a clorofila, que dá origem a plantas com traços albinos.

O segredo está na causa do albinismo: se vem do gene albino em dose dupla, a planta inteira fica branca; se vem de uma falha na expressão dos genes da clorofila, ela terá desenhos ou zonas brancas como neve, e essa é a que tem mais chance de sobreviver.

Maconha “pé de pato”

É a mutação Ducksfoot (pé de pato), que leva esse nome porque as folhas espalmadas lembram a pata do bicho. É uma alteração no genoma clássico da cannabis que aparece quase sempre em sativas.

A recomendação é não conservar a planta quando aparecer, porque se ela cruzar com variedades “normais”, saem fenótipos espalmados numa proporção de três para um.

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