Planta de cânhamo ou de maconha? Como diferenciar e o que se usa de cada uma
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Planta de cânhamo ou de maconha? Como diferenciar e o que se usa de cada uma

Altura, caule, folhas, flores e THC: os sinais que separam o cânhamo industrial da maconha no campo e no uso.

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

Cânhamo e maconha são a mesma espécie, Cannabis sativa, mas dá para diferenciar pela planta: o cânhamo é alto (2 a 5 metros), com caule grosso, poucos galhos e quase nenhuma flor, e tem muito pouco THC; a maconha é arbustiva, de 1 a 3 metros, e é cultivada pelas flores cheias de resina. Também muda o uso de cada parte: fibra, semente e óleo no cânhamo; flores, folhas e extrações na maconha. 

O cânhamo, também chamado de cânhamo industrial, é considerado uma variedade da Cannabis sativa. É usado há milhares de anos no mundo todo: na China e em outras regiões da Ásia, por exemplo, há uns oito mil anos ele serve para produzir fibras e alimentos. Também já virou roupa de todo tipo, peças de barco e até papel.

O que é a maconha?

A maconha é uma das plantas medicinais mais usadas do mundo. Pertence à mesma espécie, gênero e família do cânhamo e é usada para fins recreativos, medicinais, religiosos e espirituais, graças às propriedades psicoativas do tetra-hidrocanabinol (THC). Já se conhecem mais de 113 canabinoides, e a planta costuma ser dividida em três tipos: indica, sativa e ruderalis. 

Hoje, o cultivo de maconha se caracteriza por uma infinidade de genéticas, umas surgidas naturalmente e outras estabilizadas por melhoramento. Por isso, no mercado de sementes de maconha tem para todos os gostos, com teores de canabinoides, sabores, aromas e efeitos diferentes.

O que é o cânhamo?

O cânhamo, chamado de industrial pelas inúmeras aplicações nesse setor, é uma grande fonte renovável de matéria-prima, uma alternativa sustentável para o planeta e muito útil na indústria e na alimentação. A planta que conhecemos hoje é resultado de milhares de anos de seleção, em que a humanidade buscou tirar o máximo dela: óleos, fibras e celulose com mil e uma utilidades.

Na morfologia, a planta de cânhamo industrial costuma ser mais alta que a maconha e pode chegar a 5 metros. Os caules são mais grossos e menos ocos, têm menos galhos que os da maconha e quase não dão flores. Mas a morfologia muda conforme o uso que se quer do cânhamo industrial no cultivo:

Cânhamo cultivado para fibra:

  • Plantas altas (de 2 a 5 metros), de caule muito comprido e com grandes espaços entre os nós
  • Poucos galhos e interior do caule oco ou pouco lenhoso
  • Plantio muito denso (pouco espaço entre uma planta e outra)

Cânhamo cultivado para semente:

É quando o cânhamo fica mais parecido com a maconha, embora tenha menos galhos e menos flores. Também é plantado bem adensado.

Cânhamo para extração de óleo, celulose ou material lenhoso:

As genéticas cultivadas para isso têm um caule mais denso.

Quais são as principais diferenças entre cânhamo e maconha?

Na composição química, as duas têm uma diferença clara na distribuição dos canabinoides. Os mais conhecidos são o CBD e o THC. Mas o que é cada um?

O tetra-hidrocanabinol (THC) é um dos quase cem princípios ativos conhecidos da cannabis. É a psicoatividade dele que dá a brisa. 

Outra substância da planta é o canabidiol (CBD), que não é psicoativo. Existem genéticas de cannabis com muito CBD e pouquíssimo THC.

 

Quanto THC e CBD tem o cânhamo e a maconha

Aqui a diferença é grande. O cânhamo tem um bom teor de CBD e porcentagens mínimas de THC. Na maconha é o contrário: o CBD costuma ser baixo, embora o trabalho de melhoramento tenha conseguido aumentá-lo para aproveitar o potencial terapêutico. E o THC da maconha costuma ser bem mais alto, entre 10% e 20%.

 

Como diferenciar a planta de cânhamo da planta de maconha?

No visual, a planta de cânhamo cresce para cima e quase nada para os lados. A altura costuma ficar entre 2 e 4 metros e pode chegar a 5 com sorte. As folhas são bem grandes, com folíolos largos, e a distância entre os nós às vezes passa de 30 centímetros. Troncos e galhos são mais densos, e as flores têm um aspecto espigado, comprido e ralo. 

Já a planta de maconha varia de tamanho conforme a genética, de 1 a 3 metros. Vigor e rigidez são marcas dela, com aparência de arbusto, flores mais resinosas e pesadas e nós mais próximos uns dos outros. 

No cultivo de maconha, para evitar polinização, os cultivadores experientes tiram as plantas macho; no cânhamo, a polinização é permitida, porque a semente também é um produto aproveitável. Além disso, no cânhamo a adubação é fundamental, porque, segundo os produtores, adubo demais pode levar o THC acima do limite permitido pelas regulamentações de cada lugar.

 

Cânhamo e maconha: diferenças de uso

Por fim, o uso de cada uma é bem diferente, como já dissemos. O cânhamo serve para fabricar tecidos, materiais industriais, cosméticos e alimentos ricos em CBD; o cultivo de maconha gira em torno das flores para uso recreativo e medicinal, que podem ser consumidas de várias formas. 

Embora o THC seja o canabinoide predominante e o responsável pelo efeito psicoativo, hoje muitos bancos de sementes conseguiram aumentar o CBD em suas genéticas, que são procuradas por pacientes para aliviar dores ou lidar com quadros como depressão e ansiedade.

 

Que partes de cada planta são usadas? 

Toda parte da planta tem uso, mas cânhamo e maconha têm suas especialidades. 

Usos do cânhamo

  • Roupas e outros produtos:

No cânhamo, depois da colheita, o que se aproveita são as partes mais fibrosas. A fibra de cânhamo é um material resistente e maleável, que pode ser triturado e transformado em vários materiais ou ser tecido.

Marcas como Levi’s e Nike já usaram cânhamo em alguns de seus produtos mais conhecidos, e hoje o uso mais comum dele é justamente na fabricação de fibras têxteis. 

  • Cosméticos e flores:

Há alguns anos, também cresceu a produção de cosméticos e de flores de cânhamo para uso terapêutico e medicinal. 

  • Cultivado pelo valor nutritivo:

Entre outros usos, as sementes viram uma das muitas alternativas veganas ao leite, já que são ricas em ácidos graxos; também servem para fazer óleos com gorduras e proteínas, biocombustíveis e materiais para setores como a construção civil e a indústria automotiva. 

  • Para o solo:

As raízes do cânhamo também podem limpar um solo contaminado, num processo chamado fitorremediação. Como o cânhamo é muito resistente, cresce em lugares onde outras plantas sofrem, e as raízes conseguem absorver toxinas. Plantado em áreas de solo tóxico ou pobre, ele melhora a terra de forma efetiva.

Usos da maconha

A planta de maconha também pode ser aproveitada inteira (embora isso seja menos comum). Tecnicamente, daria para usá-la para as mesmas coisas que o cânhamo, mas ela renderia muito menos material. Por isso, a maconha costuma ser cultivada para dar flores ricas em canabinoides. 

O THC se concentra nas flores, mas também há alcaloides, terpenos e canabinoides no resto da planta, principalmente nas “folhas de açúcar” que envolvem os buds. Dá para fazer manteiga de maconha e outras delícias com folhas e talos, ou fazer extrações para aproveitar tudo de bom.

Apesar dessas diferenças marcantes, muita gente tem dificuldade de distinguir cânhamo e maconha, porque as folhas são parecidas. Por isso, prática, observação e experiência são essenciais para virar especialista nas duas plantas. 

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