Por que a semente feminizada só dá fêmea: os cromossomos XX e XY explicados
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Por que a semente feminizada só dá fêmea: os cromossomos XX e XY explicados

Fêmea é XX, macho é XY e quem decide é o pólen: força uma fêmea a soltar pólen e o Y some da conta.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

A semente feminizada só dá fêmea por uma questão de cromossomos: fêmea é XX, macho é XY, e quem define o sexo da semente é o pólen. Quando uma fêmea é forçada a soltar pólen (com tiossulfato de prata, o STS, ou prata coloidal), esse pólen só carrega X, e por isso as sementes que ele gera saem XX, fêmeas em 99% dos casos. Não tem modificação genética nenhuma: é só a planta mãe com o sexo revertido.

O boom canábico começou nos anos 60 e 70 do século passado, quando alguns aventureiros passaram a desenvolver as primeiras genéticas comerciais. Pioneiras como Skunk e Haze abriram caminho para que grandes breeders (os criadores de cruzamentos genéticos) fossem lançando novas variedades.

Nos primeiros 30 anos, as sementes de cannabis não precisavam de identificação nenhuma além do nome da genética. Com a chegada das feminizadas, mais ou menos no começo deste século, surgiu o nome "regulares" ou "standard" para as sementes de sempre, ou seja, as que dão tanto macho quanto fêmea.

Como se fazem sementes de maconha regulares

Fazer semente regular é muito mais simples que fazer feminizada. Basta o pólen de um macho fecundar as flores de uma fêmea para gerar milhares de sementes. Por outro lado, para garantir semente de qualidade, toda regular precisa de um processo enorme de seleção, tanto da mãe quanto do pai.

Escolher uma boa mãe é mais fácil, porque as características dela aparecem de cara: sabor, aroma, efeito, potência, produção, resistência. Já escolher um bom pai é mais complicado, porque muita coisa que se procura numa fêmea quase não dá para ver num macho. E só cultivando os filhos dá para saber se o pai entrega o que o breeder procura ou não.

As sementes feminizadas foram um baita avanço por vários motivos. O principal é que garantem planta fêmea em 99% dos casos. Além disso, o processo de seleção praticamente some, porque os bancos de sementes geralmente partem de clones elite de qualidade comprovada, como Critical Mass, White Widow, Black Domina, Amnesia, Cheese etc.

Planta de maconha feminizada em floração

Mas, afinal, o que são sementes feminizadas?

Sementes de cannabis feminizadas são as produzidas (sem modificação genética, revertendo o sexo de uma planta mãe) para garantir plantas fêmeas. Elas são muito procuradas por cultivadores porque é a fêmea que dá os buds de melhor qualidade, com mais canabinoides como THC e CBD.

As feminizadas servem tanto para indoor quanto para outdoor, porque deixam o cultivador controlar melhor o sexo das plantas e aproveitar ao máximo o rendimento. Com feminizadas, não aparece macho, que não serve para produzir flor e ainda pode polinizar as fêmeas, baixando a qualidade e a quantidade dos buds.

Alguns cultivadores avançados até se arriscam a fazer as próprias sementes feminizadas com técnicas de reversão de sexo ou cruzamento seletivo, para garantir que todas as sementes saiam feminizadas. Isso dá mais controle sobre o cultivo e permite manter genéticas específicas.

 

Entender como uma semente feminizada garante uma planta fêmea é muito mais fácil do que parece.

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Pois é: entender como uma semente feminizada garante uma planta fêmea é bem mais fácil do que parece, e não precisa ser geneticista. As plantas de cannabis, assim como a gente, têm uma predisposição maior ou menor para ser macho ou fêmea. Isso se deve basicamente a dois cromossomos, o X e o Y. Uma planta com dois cromossomos X (XX) é fêmea; uma com um X e um Y (XY) é macho.

Daí fica fácil ver que quem passa o segundo cromossomo, X ou Y, é sempre o macho. É o mesmo que acontece com os humanos e a maioria dos mamíferos: o pai define qual cromossomo entra. Se for X, o filho sai fêmea (XX). Se for Y, sai macho (XY). Então, se o "macho" passar sempre o X em vez do Y, os filhos vão ser sempre fêmeas.

A cannabis é uma espécie dioica, ou seja, tem plantas fêmeas e plantas machos separadas. Mas tem outro detalhe incrível: uma fêmea submetida a um estresse forte pode soltar flores masculinas. Só que essas flores, mesmo sendo masculinas, têm cromossomos XX, porque a planta continua sendo fêmea. Quando o pólen dessas flores poliniza uma flor feminina, as sementes nunca vão ter o cromossomo Y capaz de fazer a planta que nascer delas virar macho.

As primeiras feminizadas foram feitas estressando as plantas com o ambiente, mas o resultado era instável. Hoje se usam técnicas de feminização muito mais confiáveis, principalmente o STS (tiossulfato de prata) e a prata coloidal. E, no caso da prata coloidal, é bem fácil de conseguir: qualquer um com um pouco de dedicação e o mínimo de conhecimento consegue fazer as próprias sementes feminizadas.

Mudas de maconha recém-germinadas

Qual é a diferença entre feminizada e automática?

A diferença entre as genéticas feminizadas e as automáticas (autoflorescentes) está na genética e no ciclo de vida.

As sementes feminizadas são criadas para dar plantas fêmeas numa porcentagem altíssima, o que vale ouro para o cultivador, porque as flores da fêmea concentram mais canabinoides, como THC e CBD. Por isso as feminizadas são ideais para quem quer cultivar para uso medicinal ou adulto.

Já as automáticas são genéticas que florescem sozinhas depois de um certo tempo, não importa o ciclo de luz. Elas não dependem de fotoperíodo para entrar em floração: florescem conforme a idade e a genética. Por isso têm um ciclo de vida mais curto, da semeadura à colheita, e são ideais para quem quer várias colheitas numa mesma temporada.