Quando adubar a automática: na terra ou na fibra de coco
NOTAS

Quando adubar a automática: na terra ou na fibra de coco

O substrato decide o momento: na terra você espera os sinais de fome, na fibra de coco começa cedo. E sempre com meia dose.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

Numa automática plantada em terra já adubada, o fertilizante normalmente só entra quando a planta mostra sinais de fome (folhas amarelando, bordas claras ou manchas marrons) ou perto da floração; na fibra de coco ou em outro meio inerte, a alimentação começa bem mais cedo. Em qualquer caso, a regra é começar com metade ou um quarto da dose da tabela e ir subindo devagar. As automáticas (ou autoflorescentes) têm várias vantagens: ciclo rápido, geralmente menos de 11 semanas da germinação à colheita, floração que não depende do fotoperíodo e boa resistência a mofo e pragas.

A maior vantagem, porém, é o ciclo curto e o tamanho compacto, o que significa que elas não pedem muito nutriente. Isso deixa o cultivador economizar, porque não precisa alimentar a planta por meses para ter um bom resultado.

Aqui a gente te conta qual é o melhor jeito de adubar uma autoflorescente.

Maconha automática: como alimentar?

No mercado tem fertilizante de crescimento e de floração feito especialmente para automáticas, mas ele não é indispensável para o cultivo dar certo.

O importante é entender o que suas plantas precisam e saber qual fertilizante para maconha usar, para garantir que elas recebam a quantidade certa de nutrientes.

Além da água e do ar, que trazem hidrogênio, carbono e oxigênio, o foco principal deve estar no nitrogênio (N), no fósforo (P) e no potássio (K), os macronutrientes essenciais. Outros elementos importantes são cálcio, magnésio e enxofre, além de pequenas quantidades de micronutrientes como ferro, zinco e manganês, que a planta absorve em doses menores e que normalmente já vêm na linha de nutrientes que você usa.

É fácil ficar encucado com as proporções de NPK, mas a maioria das automáticas cresce bem desde que tenha um pouco de cada elemento disponível. O desafio de verdade é não exagerar: na maioria dos casos, “menos é mais”.

Como usar o fertilizante na automática?

Quando você começar a alimentar a automática, dilua bem os nutrientes para não queimar a planta nem travar o desenvolvimento dela. Por exemplo: se a tabela sugere 5 ml por litro, comece com 2,5 ml ou 1,25 ml (metade ou um quarto da concentração) e observe como a planta responde.

Algumas automáticas, como a Purple Punch Auto ou a famosa Gorilla Glue Auto, são bem comilonas e podem pedir uma dose mais forte de fertilizante, mas o certo é sempre começar baixo antes de testar concentrações maiores.

Como a automática amadurece pela idade, e não pela luz, qualquer estresse nutricional, como o excesso de adubo, pode frear o crescimento se não for bem manejado. E corrigir uma falta de nutrientes é sempre mais fácil do que consertar um excesso.

Por que o substrato muda a hora de adubar a automática

O momento e a quantidade de fertilizante para maconha automática dependem muito do meio de cultivo. Um substrato à base de terra costuma já trazer alguns nutrientes, enquanto num sistema hidropônico não tem nada de partida. A forma como o nutriente chega à planta também muda: na hidroponia não existe um meio onde os minerais fiquem retidos antes de serem absorvidos.

A maioria dos substratos para maconha já vem com os micro e macronutrientes necessários para manter a automática alimentada até o fim do vegetativo. Se aparecerem sintomas como folhas amarelas, bordas claras, manchas marrons ou pontas secas antes da floração, é hora de começar a adubar, mas com doses leves, aumentando aos poucos a cada rega se a planta responder bem.

Já num meio inerte, que fornece pouco nutriente sozinho, como a fibra de coco, a alimentação precisa começar mais cedo. Existem nutrientes específicos para fibra de coco, mas os nutrientes de hidroponia também funcionam sem problema.

Dicas para usar fertilizante na maconha automática

Montar um plano de adubação genérico que sirva para todo cultivador, toda genética, toda condição e todo sistema de cultivo é impossível. Então, no fim, você vai ter que confiar no seu olho para decidir quando e como adubar a automática. Por isso, aqui vão algumas dicas que facilitam esse desafio:

Compre nutrientes de qualidade:

Investir em nutrientes de qualidade, como Biobizz, Advanced Nutrients ou Plagron, é o melhor que você pode fazer. Mas não siga a tabela de alimentação ao pé da letra, porque ela costuma exagerar nas doses.

Use as recomendações do fabricante como guia e adapte ao que a sua automática está pedindo. Se ela parecer superalimentada, não aumente a concentração só porque a tabela manda.

Não misture tudo de uma vez:

Na hora de preparar a solução, coloque cada fertilizante separadamente para que tudo se dissolva por igual. Em cultivos sem terra, considere um suplemento de Cal-Mag para garantir o cálcio e o magnésio.

Lembre de conferir o pH:

Confira o pH depois de colocar os nutrientes, porque ele afeta a absorção. Use um medidor de EC (condutividade elétrica) para garantir que a solução não ficou forte demais.

Atenção à temperatura da água:

Regue com água em temperatura ambiente (22-23 °C) para não estressar as plantas. Você pode escolher nutrientes orgânicos ou minerais, como preferir. Não complique: domine o básico antes de se aprofundar. Manter tudo simples no começo evita dor de cabeça e deixa você ganhar confiança e experiência aos poucos.

Resumindo: seja com adubo caseiro ou com qualquer tipo de fertilizante, o essencial é dar à maconha os nutrientes de que ela precisa para se desenvolver bem. A absorção acontece principalmente pelas raízes e, em menor escala, pela cutícula e pelos estômatos das folhas, por isso uma alimentação equilibrada é tão importante.

Com tantas formas de adubar, dá para adaptar a alimentação às necessidades de cada cultivo e garantir os nutrientes certos para um crescimento saudável e vigoroso.