Quantas genéticas de maconha existem? E as triploides e CRISPR que vêm aí
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Quantas genéticas de maconha existem? E as triploides e CRISPR que vêm aí

Ninguém tem a conta fechada, mas a próxima leva de genéticas pode vir sem semente nenhuma e editada com tesoura molecular.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

Não existe um número oficial de genéticas de maconha no mundo: são milhares de variedades, cruzadas por bancos de sementes e breeders, e todo ano chegam dezenas de novas. Só em 2023 apareceram muitas genéticas que ficaram famosas antes mesmo de chegar às growshops, e algumas nem chegaram ainda. A novidade de verdade, porém, está em como elas vão ser criadas daqui para frente: plantas triploides e edição genética com CRISPR, dois temas que todo cultivador deveria ter no radar.

Como funciona a criação de genéticas de maconha?

Tradicionalmente, as genéticas de maconha são diploides, ou seja, têm dois conjuntos de cromossomos. Nas sementes regulares, um conjunto vem da mãe, que sempre passa um cromossomo “X”, e outro do pai, que pode passar um “X” ou um “Y”: por isso nascem fêmeas (“XX”) e machos (“XY”).

Já as sementes feminizadas carregam apenas dois cromossomos “X” da planta fêmea, o que gera, na grande maioria, descendência fêmea. Tanto as feminizadas fotoperiódicas quanto as automáticas têm um par de cromossomos “XX”.

Mudas de maconha recém-germinadas

As sementes triploides, por sua vez, têm três conjuntos de cromossomos, com o conjunto extra vindo tanto do pai quanto da mãe. Como o número de cromossomos é ímpar, a planta triploide não consegue ser fecundada: o resultado são plantas estéreis, que não formam semente nenhuma.

Várias indústrias usam a genética triploide, incluindo a da banana no mundo inteiro. O exemplo clássico é a variedade “Cavendish” (a banana-nanica que você compra no mercado), feita com genes de banana triploide para garantir frutas sem aquelas sementes duras por dentro. Como a planta triploide não se poliniza, ela só se multiplica por clone (estaca).

Sementes feminizadas x sementes triploides de maconha

Até hoje, a criação de cannabis, tanto de automáticas quanto de feminizadas fotoperiódicas, se baseou na genética tradicional “diploide” (com dois conjuntos de cromossomos). Só que os próximos anos podem trazer as primeiras sementes de genéticas triploides, o que pode mudar radicalmente rendimento e qualidade. Mas o que isso significa na prática?

Segundo as pesquisas em andamento, na maconha triploide os níveis de canabinoides tenderiam a ficar estáveis, mesmo em níveis de saturação, e acabaria a preocupação com buds cheios de semente por uma polinização acidental.

E mais: dá para passar clones das suas plantas triploides para os amigos sem problema, porque eles enraízam fácil e viram novas plantas triploides saudáveis, com a mesma genética de elite.

Um detalhe importante: genética triploide de cannabis não é a mesma coisa que organismo geneticamente modificado (OGM, o famoso transgênico). A triploidia envolve manipulação genética, e não modificação genética.

Por que as genéticas triploides podem revolucionar a maconha

As genéticas de maconha triploides têm potencial para provocar uma revolução na indústria da cannabis, um mercado em que o produto final tem preço alto e a demanda não para de crescer.

Por isso, as genéticas triploides podem ser a próxima fronteira, com vantagens novas e transformadoras tanto para quem cultiva em casa quanto para o cultivo comercial.

O que é a edição genética CRISPR/Cas9?

CRISPR é a sigla em inglês de “Clustered Regularly Interspaced Short Palindromic Repeats”, ou Repetições Palindrômicas Curtas Agrupadas e Regularmente Interespaçadas. A técnica foi desenvolvida em 2012 pelas pesquisadoras Emmanuelle Charpentier, francesa, e Jennifer A. Doudna, americana.

É uma técnica de edição genética extremamente precisa, capaz de cortar sequências específicas do DNA que formam os genes. Assim, genes responsáveis por características da planta de cannabis, como a cor das folhas ou a síntese de THC ou CBD, podem ser modificados ou eliminados de vez. O resultado é uma planta de maconha feita sob medida, com precisão cirúrgica.

Por mais que pareça coisa inventada em laboratório, o CRISPR é na verdade um mecanismo de defesa das bactérias, que reconhece e corta sequências de DNA de vírus para neutralizar a infecção. Essas “tesouras moleculares” desenvolvidas pela dupla de cientistas podem ser usadas em células de bactérias, animais ou plantas.

Plântula de maconha nos primeiros dias de vida

A técnica é um avanço enorme na edição genética e na indústria agroalimentar. E as plantas editadas com ela não são consideradas transgênicas, porque o CRISPR não insere DNA de fora: ele edita o material genético sem adicionar genes de outras espécies ou organismos.

O que o CRISPR/Cas9 pode mudar nas genéticas de maconha

A aplicação do CRISPR/Cas9 promete uma série de vantagens importantes para as genéticas de maconha. Entre elas, colheitas mais homogêneas e maior rendimento. E ainda estes benefícios, que podem te ajudar a ter plantas incríveis:

  • Mais controle da proporção THC/CBD no cultivo de cânhamo, em que variações genéticas podem gerar THC acima do permitido e causar prejuízos grandes por causa das restrições legais a esse canabinoide psicoativo.
  • Mais produção de THC nas plantas de maconha, seja turbinando a produção nos tricomas, seja induzindo a planta a produzir em outras partes para uma produção em massa.
  • Mais produção de canabinoides raros ou minoritários com potencial farmacêutico nas flores.
  • Mais biomassa.
  • Mais resistência a doenças e a fatores ambientais.
  • Mais tricomas.
  • Mudanças no perfil de terpenos.

Com esse horizonte, não é surpresa que os grandes nomes da indústria da cannabis estejam investindo pesado para entrar na corrida pelas próximas genéticas de maconha.