Cannabis e doenças neurológicas: epilepsia, esclerose múltipla, dor neuropática e Parkinson
SAÚDE

Cannabis e doenças neurológicas: epilepsia, esclerose múltipla, dor neuropática e Parkinson

Onde a cannabis já tem remédio aprovado, onde os estudos ainda são preliminares e o que esperar da pesquisa em neurologia.

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

Na neurologia, a cannabis já tem uso aprovado em algumas doenças: o CBD reduz crises em epilepsias graves, como as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut, e um spray de THC e CBD alivia a espasticidade da esclerose múltipla. Na dor neuropática, no Parkinson e no Alzheimer, há estudos que apontam potencial, mas a evidência ainda é preliminar. À medida que a pesquisa destrincha a relação entre os compostos da planta e o sistema nervoso, abrem-se novas possibilidades para condições neurológicas debilitantes.

O uso da cannabis, e especialmente de componentes como o canabidiol (CBD) e o tetra-hidrocanabinol (THC), ganhou atenção pelo potencial de controlar as convulsões em pacientes com epilepsia refratária, aqueles que não respondem bem aos tratamentos convencionais.

Além disso, a eficácia da planta está sendo estudada em doenças como Parkinson, esclerose múltipla e Alzheimer, entre outras.

Por isso, a gente mostra aqui como está a pesquisa sobre cannabis e doenças neurológicas: os avanços mais importantes, os desafios que continuam e as perspectivas para o futuro.

Tratamento da epilepsia com CBD: avanços e perspectivas

A epilepsia, uma condição neurológica que atinge milhões de pessoas no mundo, é difícil de tratar. Muitos pacientes melhoram com os antiepilépticos convencionais, mas uma parte importante, cerca de 30%, continua tendo crises que limitam a qualidade de vida.

Essa resistência ao tratamento, chamada de epilepsia farmacorresistente, cria uma necessidade urgente de alternativas mais eficazes.

Uma das frentes de maior interesse na busca por tratamentos novos é o canabidiol (CBD), um composto da cannabis. O CBD tem mostrado resultados promissores nas formas mais graves de epilepsia, como as encefalopatias epilépticas, que costumam aparecer no primeiro ano de vida, provocam crises fortes e frequentes e prejudicam o desenvolvimento neurológico.

CBD nas síndromes de Dravet, Lennox-Gastaut e outras epilepsias

Um dos marcos mais importantes da pesquisa com CBD para epilepsia foi o tratamento bem-sucedido da síndrome de Dravet, uma forma devastadora de encefalopatia epiléptica.

Depois de verem melhora nos pacientes tratados com CBD, pesquisadores fizeram ensaios clínicos randomizados que confirmaram a redução das crises, o que levou à aprovação de um medicamento à base de CBD para essa doença em 2019.

Em seguida vieram estudos parecidos na síndrome de Lennox-Gastaut, outro transtorno grave que atinge crianças e jovens adultos. De novo os resultados foram animadores, e um medicamento de CBD também foi aprovado para essa condição.

Além disso, o CBD está sendo estudado para outras formas de epilepsia, como a esclerose tuberosa, os espasmos infantis e a síndrome de Rett. Ainda não há resultados definitivos sobre a eficácia, mas os estudos preliminares mostram um potencial promissor.

Resumindo, o CBD se mostrou uma ferramenta valiosa no tratamento de formas graves de epilepsia e traz esperança para pacientes que não respondem bem aos tratamentos convencionais.

Conforme a pesquisa avança e os efeitos do CBD no sistema nervoso ficam mais claros, é provável que o uso se amplie ainda mais, com novas opções terapêuticas para quem convive com essa doença.

Efeitos da cannabis no cérebro: e a dor neuropática crônica?

A dor neuropática crônica é uma condição debilitante que atinge muita gente. Ela tem sintomas bem característicos, como formigamento, dormência, queimação e choques, que podem persistir e resistir aos tratamentos convencionais.

Esse tipo de dor não pesa só na qualidade de vida: também afeta o humor, o sono e a concentração, e repercute em todas as áreas do dia a dia.

Diferente da dor visceral ou musculoesquelética, a dor neuropática nasce de lesões diretas em estruturas do sistema nervoso. Essas lesões podem ser centrais, no cérebro e na medula espinhal, ou periféricas, atingindo raízes nervosas ou nervos periféricos. As causas são variadas e vão de traumatismos a doenças metabólicas como a diabetes.

Como a dor neuropática é tratada?

Tratar a dor neuropática crônica pode ser difícil e exige várias frentes. Antiepilépticos e outros remédios são comuns, mas a eficácia varia e pode ser limitada em alguns casos.

É aí que o canabidiol (CBD) entra como uma opção terapêutica promissora. Estudos preliminares sugerem que o CBD, junto com o tetra-hidrocanabinol (THC), pode aliviar a dor neuropática, mas ainda faltam pesquisas para confirmar a eficácia e definir doses e vias de administração.

Cannabis na esclerose múltipla e na espasticidade

A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurodegenerativa que atinge milhões de pessoas no mundo e causa sintomas como espasticidade e espasmos musculares. O tratamento convencional costuma incluir terapias para controlar esses sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Nesse contexto, os canabinoides, principalmente o THC e o CBD, surgiram como opções terapêuticas eficazes para a espasticidade na EM.

Estudos clínicos mostraram a eficácia do spray de THC e CBD (nabiximol) na redução da espasticidade e de outros sintomas da EM. Também se observou que esse tratamento pode melhorar a dor neuropática, a disfunção da bexiga e outros sintomas da doença.

CBD no Alzheimer e no Parkinson: as novas estratégias

Doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson são um desafio enorme para a neurologia, porque são progressivas e não têm tratamento que cure.

O CBD, porém, aparece como possível candidato a tratamento neuroprotetor nessas condições, pela capacidade de modular o estresse oxidativo e, potencialmente, evitar a morte de neurônios.

Os estudos clínicos nessa área ainda são poucos, mas os resultados preliminares são animadores e sugerem que o CBD pode ter um papel importante no manejo dessas doenças.

O futuro dos tratamentos neurológicos com canabinoides

Nas últimas décadas, cresceu muito o interesse pelo uso de canabinoides no tratamento de doenças neurológicas.

Da epilepsia às doenças neurodegenerativas, os canabinoides se mostraram uma opção terapêutica promissora, mas ainda falta pesquisa para entender por completo a eficácia e a segurança em cada condição.

Para seguir avançando na pesquisa e no desenvolvimento de tratamentos com canabinoides, é fundamental partir da evidência científica e do trabalho multidisciplinar, para garantir que os pacientes recebam o melhor cuidado possível.

Com mais conhecimento sobre os efeitos dos canabinoides no sistema nervoso, dá para abrir novas portas no tratamento de doenças neurológicas difíceis e melhorar a qualidade de vida de quem convive com elas.