CBD para queda de cabelo: funciona contra a alopecia?
SAÚDE

CBD para queda de cabelo: funciona contra a alopecia?

O que os estudos dizem sobre CBD e calvície, como se usa no couro cabeludo e por que ninguém deveria vender isso como cura.

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

O CBD não é cura para a calvície, mas há estudos que apontam que ele pode ajudar: um trabalho que aplicou extrato de cânhamo rico em CBD no couro cabeludo por seis meses relatou recrescimento dos fios, e o efeito anti-inflamatório pode aliviar caspa e irritação. A evidência ainda é pequena e preliminar. A alopecia, nome médico da queda de cabelo, tem causas genéticas, hormonais e clínicas, e mexe com a aparência e a autoestima de muita gente.

O que causa a alopecia (queda de cabelo)?

Antes de falar de CBD, vale entender de onde vem o problema. A alopecia pode ter várias causas:

  • Genética: A alopecia androgenética, a forma mais comum de queda de cabelo, muitas vezes passa de pais para filhos.
  • Mudanças hormonais: Oscilações hormonais, como na gravidez e na menopausa, podem contribuir para a alopecia em mulheres.
  • Envelhecimento natural: Com a idade, é normal o cabelo ficar mais fino e menos denso.
  • Alimentação ruim: Uma dieta pobre em nutrientes essenciais, como a vitamina D, pode afetar a saúde dos fios.
  • Química no cabelo: O excesso de tratamentos químicos e produtos agressivos pode danificar o cabelo.
  • Doenças: Doenças autoimunes, como a alopecia areata, podem causar queda repentina.
  • Tratamentos médicos: A quimioterapia e alguns remédios podem provocar queda de cabelo.

CBD e alopecia: existe relação?

O CBD é um composto da cannabis que ganhou popularidade nos últimos anos pelo potencial em vários problemas de saúde. No caso da alopecia, alguns estudos e muitos relatos sugerem que ele pode trazer benefícios.

  • Estímulo ao crescimento dos fios: Os óleos de cânhamo e de cannabis, ricos em ômega 3 e 6, vitaminas e minerais, podem contribuir para um cabelo saudável. Um estudo com aplicação de extrato de cânhamo rico em CBD no couro cabeludo por seis meses relatou recrescimento dos fios. Uma das hipóteses é que o CBD, por atuar como modulador alostérico negativo dos receptores CB1 (ou seja, diminui a ativação desses receptores), poderia acelerar o crescimento do cabelo.
  • Hidratação e menos inflamação: O CBD é procurado para hidratar o couro cabeludo e aliviar quadros de ressecamento, como a caspa. Suas propriedades anti-inflamatórias também podem ajudar contra irritações e infecções do couro cabeludo, que favorecem caspa e queda.
Creme de CBD para uso tópico

Como usar CBD para a queda de cabelo?

O jeito mais comum de usar CBD contra a queda de cabelo é a aplicação tópica, direto no couro cabeludo. Alguns produtos citados lá fora:

  • Shampoo Steam Active Botanicals: Promete estimular o crescimento saudável dos fios e limpar sem tirar a oleosidade natural do cabelo.
  • Sérum de volume Fitish: Promete fortalecer o cabelo e favorecer o crescimento, dando volume e maciez.
  • Tratamento capilar Raincry Rebuild Bond: Promete proteger o cabelo de danos do ambiente e melhorar a aparência dos fios.

Lembre: o CBD é promissor, mas não é cura para a alopecia. Genética e alimentação também pesam na saúde do cabelo. Antes de começar qualquer tratamento com CBD, converse com um profissional de saúde, de preferência um dermatologista.

CBD e THC são a mesma coisa?

Não. A cannabis tem mais de 500 compostos orgânicos, e pelo menos 113 deles são canabinoides. Entre eles, o CBD e o THC são os que mais se destacam pelo uso terapêutico. O THC, tetra-hidrocanabinol, é o principal composto psicoativo da planta, o responsável pela brisa que deixou a maconha famosa.

O CBD não dá brisa; o THC dá. Mas os dois têm valor terapêutico, que aumenta quando “trabalham” juntos, no chamado efeito entourage: o CBD pode reforçar algumas propriedades do THC, como a analgésica, e ao mesmo tempo suavizar a psicoatividade dele.

O que é CBD e para que serve?

O CBD foi aprovado pela primeira vez como medicamento em 2018 pela agência americana de alimentos e medicamentos (FDA), com o nome de “Epidiolex”, para tratar convulsões em crianças com formas graves de epilepsia. Fora isso, muita gente no mundo todo usa CBD para várias questões, como alívio da dor, sono e bem-estar geral.

Além da epilepsia, há estudos que apontam que o CBD pode ajudar a reduzir a ansiedade de pessoas com esquizofrenia, psicose ou diferentes dependências.

O CBD tem um leque grande de usos terapêuticos em estudo. É pesquisado contra estresse, depressão e transtornos mentais, e tem ação neuroprotetora e relaxante muscular, por isso pode ser indicado (sempre por profissionais) como tratamento paliativo para dor e outros desconfortos.

O óleo de cannabis rico em CBD é usado no dia a dia como suplemento, remédio tópico ou tratamento farmacológico para aliviar:

  • dor crônica,
  • inflamação em doenças inflamatórias do intestino ou da pele,
  • ansiedade,
  • depressão
  • a intensidade e a frequência das crises em epilepsias refratárias, entre outros.

O óleo de cannabis também é usado para sintomas de doenças neurológicas ou neuropsiquiátricas como:

  • esclerose múltipla,
  • Alzheimer,
  • Parkinson
  • esquizofrenia.

O CBD é só uma das mais de 500 substâncias ativas da maconha conhecidas até hoje, entre as quais há mais de uma centena de canabinoides diferentes.

Óleo de CBD em frasco conta-gotas

Como o CBD age no cérebro

O cérebro, a medula espinhal e o sistema nervoso periférico têm receptores naturais, o CB1 e o CB2, que interagem com os canabinoides. Essa interação ativa e estimula as respostas naturais do corpo ao estresse, à ansiedade e à dor. A homeostase é a autorregulação das funções do corpo, e há estudos que apontam que o óleo de CBD pode ajudar nesse processo natural.

Ilustração do sistema endocanabinoide

Como tomar óleo de CBD para dor

O CBD pode ser tomado por via oral ou aplicado na pele, dependendo do produto. Tem muita opção, de óleos e cápsulas, que supostamente aliviam a ansiedade, a sais de banho, cremes e óleos para massagem, entre outros. Dá para fumar também, mas se o uso de CBD é terapêutico ou medicinal, o melhor é evitar a combustão e escolher formas de consumo mais saudáveis. 

Diversos estudos mostraram que o CBD tem um efeito anticonvulsivante importante em diferentes tipos de epilepsia, e o uso cresceu muito justamente porque ele não tem efeito psicoativo.

Graças à evolução do cultivo, hoje existem genéticas ricas em CBD e quase sem THC, para quem não quer o canabinoide THC, que é o psicoativo.

CBD: contraindicações e interação com remédios

O CBD interage com remédios e pode reduzir ou prolongar o efeito deles: ele inibe ou ativa as enzimas do citocromo P450 (CYP), que o fígado usa para metabolizar uma enorme quantidade de compostos e medicamentos.

O ideal é falar com seu médico se você toma algum remédio. E vá com cuidado se tiver histórico de transtornos mentais, abuso de álcool ou drogas, ou se estiver grávida ou amamentando.

Muitos óleos de cannabis para vaporizar (e-líquidos, os refis de cigarro eletrônico) têm propilenoglicol. Esse aditivo, quando superaquecido, gera formaldeído, um subproduto cancerígeno.