O que é compostagem e o que pode ir na composteira do seu grow
CULTIVO

O que é compostagem e o que pode ir na composteira do seu grow

Material verde, material marrom, umidade no ponto e uma lista do que fica de fora: como transformar o lixo do grow em adubo.

POR Redação CosechaLibre7 MIN DE LEITURA

Compostagem é transformar restos orgânicos, como sobras de cozinha e da própria planta, em adubo rico em nutrientes: microrganismos decompõem o material e deixam esses nutrientes prontos para a raiz absorver. Para quem cultiva, é um jeito barato e simples de manter os cultivos de maconha saudáveis e ainda dar um destino decente ao lixo do grow.

Com os resíduos orgânicos certos, mais bactérias, umidade e oxigênio, o processo anda sozinho: as bactérias decompõem a matéria orgânica e, no caminho, geram calor.

Como fazer compostagem?

Com o crescimento do cultivo de cannabis, a quantidade de resíduo gerado só aumenta. Como cultivadores, temos duas opções: jogar fora ou reciclar em composto. Se jogamos no lixo, causamos estrago ambiental, como a produção de metano e gás carbônico no aterro à medida que os restos de maconha se decompõem.

Como fazer uma composteira caseira?

Para quem nunca mexeu com isso, compostagem pode parecer complicado. Não é: dá para compostar em casa de forma fácil e barata. Você precisa de uma composteira, que pode ser montada com dois baldes de tinta, um dentro do outro, minhocas californianas e bokashi (opcional), e assim chegar a uma maconha orgânica.

Composteira caseira com restos orgânicos

O que pode ir na composteira?

O objetivo é decompor matéria orgânica, então frutas e verduras entram fácil. Em geral, a matéria orgânica se divide em dois tipos: material verde e material marrom. É preciso uma proporção equilibrada entre os dois para os microrganismos benéficos trabalharem bem.

Do lado do grow, entram talos e raízes, substrato usado, plantas mortas ou que não vingaram, além de sementes, brotos e folhas descartados por doença ou baixa qualidade.

A maconha precisa de macro e micronutrientes. Então, estes são os elementos e os resíduos que você pode reciclar no seu adubo para maconha:

Água:

A mistura tem que estar úmida, mas não encharcada. Para testar, aperte um punhado na mão: se escorrer, está molhada demais. Se não sair nada, está seca. O ideal é que, ao apertar, saiam umas gotinhas.

Oxigênio:

é fundamental, porque os microrganismos que fazem a decomposição morrem sem ele. Se a mistura estiver úmida demais e com textura de pasta, o oxigênio dificilmente entra.

Nitrogênio: 

São os materiais que dão proteína aos microrganismos, também chamados de material verde: restos de cozinha, frutas, verduras, grama cortada, esterco, borra de café, folhas ou sachês de chá, folhas verdes e restos de poda recente.

Fósforo: 

Como casca de ovo e esterco;

Potássio: 

Os mais conhecidos são banana, pepino e repolho.

Carbono:

Também chamado de material marrom: restos de plantas secas (folhas e talos), palha, cinza de madeira, papelão, papel, serragem e cabelo. Evite papel ou papelão com tinta colorida, e a cinza e a serragem precisam estar livres de óleo, tinta ou outros produtos químicos.

Plantas de maconha em fase vegetativa

Lembre que resto orgânico atrai mosca e barata, que podem botar ovos na composteira. Dá para usar repelentes naturais ou plantas companheiras. Outra saída é colocar uma tampa ou um mosquiteiro por cima.

Aos poucos, vá acrescentando matéria vegetal fresca e folhas secas na composteira.

Quando a mistura ganhar a cara de composto maduro, ou seja, restos que já não dá para reconhecer de onde vieram, cor marrom-escura e cheiro leve de terra, o composto orgânico está pronto para ser misturado ao substrato e virar fertilizante caseiro para maconha.

Se o composto ainda for novo, o ideal é não usar mais de 30% na mistura, porque ele pode mudar bastante o pH do solo.

O que não pode ir na composteira

Na compostagem de resíduos orgânicos, fica de fora o seguinte: conservas salgadas, plantas doentes, fezes de cachorro ou gato, gordura e qualquer material com resto de produto químico.

Peixe, carne, laticínios, óleo e molhos até podem ir para a composteira, mas não é recomendado, pelo menos até você ter mais experiência, porque atraem ratos e dão problema de cheiro se a fermentação e a decomposição não estiverem estáveis.

Benefícios da compostagem

Os benefícios do composto são vários. Um dos maiores é que a compostagem é ambientalmente sustentável. E ainda dá um destino útil ao resíduo orgânico. Além de garantir um cultivo de maconha orgânica, a compostagem traz estes ganhos:

  • O cultivo com composto caseiro, por ser 100% orgânico, favorece o sabor e o aroma das flores.
  • O adubo caseiro funciona como recuperador orgânico do solo, melhorando suas propriedades e aumentando e diversificando a vida bacteriana.
  • O composto caseiro diminui a necessidade de adubo comprado, porque fornece oligoelementos e macro e micronutrientes para a planta.
  • A compostagem ajuda o solo a reter mais água, o que faz muita diferença em cultivos que sofrem estresse hídrico.
  • O composto com mais de um ano, usado como cobertura morta, segura as ervas daninhas e protege o solo do sol forte, que mata parte da vida bacteriana.
  • Além de nutrir a terra, o cultivo orgânico alimenta e favorece a reprodução das minhocas, que ajudam demais as plantas.
  • Cerca de 40% do peso do saco de lixo de casa é resíduo orgânico, que normalmente vai parar no lixão ou aterro, onde, sem tratamento adequado, pode contaminar o solo e a água subterrânea, além de gerar gases de efeito estufa.
  • A compostagem transforma lixo num ótimo recurso para adubar a horta.

Composto para maconha: o que levar em conta

Quando se fala em resíduos de cannabis, a gente pensa logo na grande indústria, mas o pequeno cultivador também pode cultivar de forma sustentável, com maconha e adubo feitos em casa. Para isso, é preciso cuidar dos resíduos orgânicos que vão para o composto.

Bom para o cultivador e para o meio ambiente.

Isso vale principalmente se você trabalha para a indústria da maconha ou procura formas sustentáveis de descarte. Além de melhorar a saúde das plantas e do solo, a compostagem é um jeito responsável de reaproveitar os restos das plantas e reduzir a pegada de carbono.

Essas melhorias no solo acontecem aos poucos e, com o tempo, podem render plantas mais fortes e colheitas maiores.

Cumprir a lei da cannabis e cuidar do meio ambiente

Na Califórnia, nos EUA, tudo o que entra em contato com o THC é classificado como “resíduo regulado especial”. A compostagem permite reaproveitar os restos de plantas e o material orgânico sem descumprir as regras. Com isso, dá para reduzir bastante a quantidade de resíduo orgânico que vai para o lixo.

Incentivar técnicas de cultivo sustentáveis

Assim você reduz o uso de produtos químicos no cultivo. E essas práticas podem até atrair mais clientes: com a legalização avançando pelo mundo, quem consome maconha recreativa está cada vez mais interessado no impacto da produção. Seguindo a tendência, muitos consumidores que estão migrando para produtos naturais podem preferir adubo orgânico e maconha orgânica.

Não é surpresa que a indústria da cannabis gere uma quantidade enorme de resíduo. O setor está sob o olhar atento de todo mundo quando o assunto é descarte. Do cultivo ao processamento, cada etapa da cadeia contribui de algum jeito com resíduos e subprodutos orgânicos.

Agora você já sabe para que serve o composto e que, na real, não existe o melhor composto para maconha: existe composto bem feito, que ainda ajuda o planeta.

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