
10 doenças em que a maconha medicinal pode ajudar, segundo os estudos
Da dor crônica ao Alzheimer: onde a cannabis tem evidência sólida, onde ainda é promessa e por que o médico precisa estar no circuito.
As doenças em que a maconha medicinal tem mais evidência de benefício são a dor crônica, as náuseas e vômitos da quimioterapia e a espasticidade da esclerose múltipla; também é procurada para insônia, HIV/aids, depressão, ansiedade, estresse pós-traumático, glaucoma, dor do câncer e Alzheimer. Maconha medicinal é o uso da planta, ou das substâncias que ela tem, para tratar doenças ou sintomas. No fundo, é a mesma planta da maconha recreativa, só que usada com fim medicinal ou terapêutico.
A planta da maconha tem mais de 100 substâncias diferentes chamadas canabinoides, e cada uma age de um jeito no corpo. O delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD) são as principais substâncias da cannabis usadas na medicina. O THC é o responsável pelo efeito psicoativo, ou seja, pela brisa que bate quando você consome.
A maior parte das evidências sobre o efeito terapêutico da cannabis tem a ver com a capacidade de reduzir a dor crônica, as náuseas e os vômitos causados pela quimioterapia e a espasticidade, aquela rigidez e tensão muscular que a esclerose múltipla provoca.
Os canabinoides, as substâncias ativas da maconha medicinal, são parecidos com substâncias que o próprio corpo produz e que participam do apetite, da memória, do movimento e da dor.
As pesquisas até agora sugerem que os canabinoides poderiam: reduzir a ansiedade, diminuir a inflamação e aliviar a dor, controlar as náuseas e os vômitos da quimioterapia, atacar células de câncer e frear o crescimento de tumores (por enquanto, sobretudo em estudos de laboratório), relaxar a musculatura tensa em pessoas com esclerose múltipla e estimular o apetite e o ganho de peso em pessoas com câncer e aids.
Dor crônica
Muitos pacientes recorrem à cannabis para aliviar a dor crônica, e há bastante evidência científica a favor. Segundo um trabalho de 2017 citado com frequência, em ensaios clínicos com pessoas com problemas de saúde muito dolorosos (lesão na medula, HIV, síndrome de dor regional complexa, câncer, quimioterapia, problemas musculares e articulares, artrite reumatoide e esclerose múltipla), a cannabis reduziu a dor em torno de 40%.
Insônia
Ao se ligar aos receptores de canabinoides nas células do cérebro, o THC e o CBD podem melhorar o sono, pelo menos a curto prazo, em pessoas com insônia por dor, apneia obstrutiva do sono, fibromialgia, esclerose múltipla e ansiedade.
HIV/aids
Nessa doença, vários estudos mostram benefícios da cannabis no cuidado paliativo. Pacientes com HIV relatam que a maconha ajuda a ganhar peso, melhora o humor e o sono e alivia a dor.
Depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático
Numa pesquisa recente com pacientes idosos que usavam cannabis medicinal, mais de 90% disseram que o tratamento à base de cannabis ajudou em alguma dessas condições, ou em todas. Na depressão, há relatos de queda de até 50% nos sintomas com terapias ricas em CBD.
Glaucoma
O glaucoma é uma doença que pode aumentar a pressão dentro do olho, danificar o nervo óptico e causar perda de visão. A maconha reduz a pressão intraocular por algumas horas, e há quem estude se isso poderia ajudar a frear a doença; por enquanto, os oftalmologistas seguem preferindo os colírios.
Esclerose múltipla (EM)
Nos Estados Unidos, as pessoas com esclerose múltipla são o segundo maior grupo de usuários de maconha medicinal, atrás de quem sofre de dor crônica. O motivo é que há ciência sólida sobre a capacidade da cannabis de reduzir os espasmos musculares da EM.
Dor do câncer
A cannabis é muito procurada para a dor do câncer e para os efeitos colaterais do tratamento: náusea, vômito, falta de apetite e perda de peso. Mas isso não quer dizer que ela sirva para tratar o câncer em si, e sim os sintomas que a doença causa. Há estudos com avanços nessa área, mas a medicina ainda não tem provas suficientes para criar tratamentos com cannabis contra o câncer.
Doença de Alzheimer
As placas de beta-amiloide se acumulam no cérebro dos pacientes com Alzheimer e levam a uma piora cognitiva progressiva. Um trabalho publicado no Journal of Alzheimer's Disease mostrou que o THC reduziu os níveis de beta-amiloide pouco tempo depois de aplicado, num estudo de laboratório.
Mesmo com vários estudos mostrando benefícios da cannabis para diferentes doenças e sintomas, é fundamental consultar um médico ou profissional de saúde antes de se tratar de qualquer uma delas, porque alguns remédios podem não combinar com o tratamento com cannabis. Nenhum corpo é igual ao outro nem funciona do mesmo jeito, então consultar um especialista é sempre a melhor decisão.
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