
Dermatite atópica e cannabis: óleo de cânhamo, CBD e o eczema
Ácidos graxos do óleo de semente de cânhamo, o sistema endocanabinoide da pele e um estudo com creme de CBD: o que se sabe até agora.
A cannabis pode ajudar na dermatite atópica (o eczema) por dois caminhos: o óleo de semente de cânhamo, rico em ácidos graxos que hidratam e acalmam a pele, e os canabinoides como o CBD, que estudos apontam como anti-inflamatórios e calmantes da coceira. As pesquisas ainda são pequenas, mas um estudo de 2019 com creme de CBD sem THC relatou mais hidratação e elasticidade na pele, sem irritação.
A dermatite atópica é uma doença inflamatória crônica da pele que atinge milhões de pessoas no mundo inteiro. Coceira forte, vermelhidão e pele ressecada são os sintomas típicos, e pesam muito na qualidade de vida. Existem vários tratamentos, mas muitos pacientes procuram alternativas naturais por causa dos efeitos colaterais das terapias convencionais.
Afinal, qual é a relação entre a cannabis e a dermatite atópica? Vamos ver como os canabinoides podem influenciar essa doença de pele e o que a pesquisa científica diz sobre isso.

Óleo de semente de cânhamo e as doenças de pele
Óleos e emolientes como vaselina, cera de abelha, óleo de amêndoas, azeite de oliva e preparados sintéticos já se mostraram eficazes para aliviar os sintomas da psoríase e da dermatite. São doenças marcadas por uma pele seca demais, então tudo o que hidrata e evita mais irritação é parte essencial do cuidado.
No eczema e na psoríase, a pele seca é consequência de uma perda excessiva de água pela epiderme (a chamada perda transepidérmica), e a inflamação constante compromete a capacidade da pele de funcionar como barreira, controlando a difusão e a evaporação.
O óleo de semente de cânhamo, junto com outros óleos naturais, é uma solução potencialmente eficaz. Ele é rico em ácidos graxos poli-insaturados (os PUFAs), conhecidos por reduzir a coceira e a inflamação da pele melhor que os hidratantes com pouco PUFA. O ácido linoleico se destaca pelo benefício potencial, mas outros PUFAs também estão sendo estudados.
Por que o óleo de cannabis faz bem para a pele?
O óleo de semente de cânhamo não só hidrata direto como também tem compostos que podem ajudar a controlar o desequilíbrio de fundo em doenças de pele como a psoríase e a dermatite.
Esse óleo de cannabis na pele é uma fonte rica de nutrientes que pode melhorar a saúde da pele, restaurar a função de barreira e diminuir a irritação e a inflamação.
Colocar o óleo de semente de cânhamo na rotina de cuidados pode atacar o ressecamento e a inflamação e, segundo pacientes, trazer um alívio importante para quem convive com essas condições. Essa abordagem natural e nutritiva vem ganhando espaço e se mostra uma opção promissora no cuidado das doenças de pele.
Creme para dermatite: os canabinoides e a saúde da pele
Tanto o eczema quanto a psoríase costumam responder bem a tratamentos ricos em ácidos graxos poli-insaturados (PUFAs). Os PUFAs são fáceis de encontrar e vêm de várias fontes, e o óleo de semente de cânhamo é uma das mais generosas, com uma proporção entre eles em geral favorável.
Já os canabinoides praticamente só existem na cannabis, e há estudos que apontam um efeito importante deles nas doenças crônicas de pele. Os canabinoides participam da regulação da inflamação, o que parece ser a chave do seu potencial no eczema e na psoríase.
O trato gastrointestinal, assim como a pele, é uma das principais barreiras físicas do sistema imune e tem muitos receptores canabinoides. Uma pesquisa de 2009 indica que a pele também tem um sistema endocanabinoide próprio, que ajuda a regular a produção de vários hormônios e proteínas, como as citocinas, que participam da resposta imune, além de processos celulares como a proliferação, a diferenciação e a apoptose (morte celular programada).
Um desequilíbrio nesse sistema endocanabinoide pode estar por trás de condições crônicas da pele, como a psoríase e o eczema. Terapias específicas à base de canabinoides podem ajudar a controlar esses quadros.
Cannabis na pele: o que diz um estudo?
Um estudo publicado em 2007 mostrou que o THC, o CBD, o CBN, o CBG e a anandamida tiveram algum grau de eficácia em frear a produção de queratinócitos (as principais células da epiderme). Como o excesso de queratinócitos está envolvido na psoríase, esses resultados reforçam a pesquisa de terapias com canabinoides para essa doença.
Além disso, já foram encontrados receptores canabinoides nas fibras nervosas mais finas que controlam os folículos pilosos, e se viu que os queratinócitos se ligam à anandamida, o endocanabinoide mais abundante, e a metabolizam.
Resumindo: os canabinoides e os PUFAs parecem ter um papel importante no manejo de doenças crônicas de pele como a psoríase e o eczema. A pesquisa segue, e as terapias baseadas nesses compostos podem abrir opções novas para quem sofre com esses quadros.
CBD na psoríase e na dermatite atópica: o estudo clínico de 2019
Um estudo clínico de 2019 investigou o efeito de um creme de CBD em pacientes com psoríase e dermatite atópica. O creme tinha CBD e também outros compostos naturais, como camomila, calêndula e lavanda, mas nada de THC. Em cremes, a recomendação é não usar CBD puro ou isolado, e sim combinado com outras substâncias naturais, pelo efeito sinérgico.

Resultados do estudo
Os resultados mostraram que o uso tópico do creme enriquecido com CBD melhorou de forma significativa os parâmetros e os sintomas da pele. Não houve registro de irritação nem de reação alérgica durante o tratamento.
A pomada de CBD sem THC, aplicada na pele, apareceu como uma alternativa não invasiva, segura e eficaz para melhorar a qualidade de vida de pacientes com alguns problemas de pele, principalmente os de fundo inflamatório.
Melhoras observadas
- Hidratação da pele: os níveis de hidratação da pele subiram de forma significativa depois do uso do creme de CBD.
- Elasticidade da pele: também houve melhora visível na elasticidade, outro problema comum em quem tem dermatite atópica.
Conclusão
O estudo conclui que um creme de CBD combinado com outros ingredientes naturais pode ser uma opção eficaz para condições de pele como a psoríase e a dermatite atópica. Vale lembrar que foi um estudo pequeno: o resultado anima, mas não substitui o acompanhamento com dermatologista. Nesse grupo, o tratamento tópico não invasivo melhorou a qualidade de vida sem reações adversas, o que reforça o potencial do CBD no cuidado da pele.
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