
Maconha nos cuidados paliativos: o que a ciência diz sobre a dor do câncer
Pacientes procuram a cannabis para dor, enjoo, apetite e sono. Uma revisão de 14 ensaios clínicos mostra até onde a evidência chega na dor oncológica.
Nos cuidados paliativos, a maconha é procurada para aliviar dor, ansiedade, falta de apetite e insônia, e pacientes relatam melhora na qualidade de vida. Mas, para a dor do câncer especificamente, a evidência ainda é fraca: uma revisão de 14 ensaios clínicos com 1.823 pessoas não encontrou alívio maior que o do placebo com os medicamentos à base de cannabis testados. Os cuidados paliativos buscam melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças crônicas ou terminais, e é aí que o interesse médico pela planta cresce.
Neste texto, a gente olha quais propriedades da maconha são apontadas como úteis nos tratamentos paliativos. Do alívio da dor e da ansiedade ao efeito no apetite e no sono, a maconha é vista como uma opção terapêutica promissora para o bem-estar de quem enfrenta quadros médicos difíceis — e vale conferir o que os estudos de fato mostram.

Os canabinoides, os compostos ativos da maconha, interagem com o sistema endocanabinoide do corpo humano, e há estudos que apontam efeitos positivos no manejo de sintomas de doenças graves. A seguir, a gente vê como a maconha pode trazer alívio e conforto a pacientes em cuidados paliativos, com uma visão mais completa do potencial dela nesse campo da medicina.
Tratamento com óleo de cannabis para aliviar a dor do câncer
A dor associada ao câncer é uma preocupação enorme para quem enfrenta a doença e pesa na qualidade de vida e no bem-estar geral. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o uso de opioides, como os remédios parecidos com a morfina, para tratar a dor moderada a intensa causada pelo câncer. Mesmo assim, entre uma em cada dez e uma em cada seis pessoas não sente alívio suficiente com esses tratamentos convencionais.
O que já se testou com maconha
Em busca de alternativas, pesquisadores passaram a estudar o potencial dos produtos derivados da cannabis na dor do câncer. Isso inclui a planta inalada ou ingerida, além de óleos, sprays e comprimidos com princípios ativos tirados da planta ou fabricados de forma sintética. Alguns pacientes relatam alívio com os medicamentos de cannabis, mas é fundamental avaliar de forma sistemática se eles funcionam e se são seguros.
Objetivo do estudo:
O principal objetivo do estudo foi investigar se os medicamentos à base de cannabis aliviam a dor em pessoas com câncer e identificar efeitos indesejados ou prejudiciais associados ao uso.
Métodos:
Foi feita uma revisão completa de ensaios clínicos que compararam medicamentos de cannabis com outros tratamentos para a dor do câncer em adultos. Os resultados foram avaliados e a confiança na evidência foi classificada levando em conta fatores como a metodologia e o tamanho dos estudos.
Resultados:
Foram identificados 14 estudos com 1.823 pessoas no total, com variações na duração e na dose dos medicamentos de cannabis. A maioria foi feita na América do Norte, e vários foram financiados por empresas farmacêuticas.
Os medicamentos avaliados incluíam tanto produtos com THC e CBD derivados da planta quanto canabinoides sintéticos que imitam os efeitos do THC. Nenhum estudo usou a planta de cannabis em si.

Conclusões:
O estudo dá um panorama completo da eficácia e da segurança dos medicamentos de cannabis no tratamento da dor do câncer. Os resultados mostram que é preciso mais pesquisa para entender melhor o papel desses tratamentos e como eles podem entrar no manejo da dor de pacientes oncológicos.
O que os estudos com cannabis mostraram na dor do câncer
Spray bucal de THC e CBD funciona?
O spray bucal com uma combinação de THC e CBD derivados da planta não mostrou melhora significativa na dor moderada a intensa do câncer em comparação com o placebo, em pacientes que já usavam opioides.
Pelos dados, cerca de 32% das pessoas tratadas com o spray de cannabis relataram melhora importante, contra 23% das que receberam o spray de placebo.
Além disso, 19% abandonaram o tratamento com o spray de cannabis, um pouco mais que os 16% do grupo do placebo. Não houve diferença significativa em efeitos colaterais graves entre os dois grupos.
Canabinoide sintético: funciona para a dor da quimioterapia?
Um canabinoide sintético que imita os efeitos do THC não se mostrou mais eficaz que o placebo para reduzir a dor associada à quimioterapia ou à radioquimioterapia em pessoas com câncer de cabeça e pescoço e alguns tipos de câncer de pulmão.
Comparação com um remédio parecido com a morfina:
Com o analgésico anterior suspenso, uma dose única de um canabinoide sintético que imita os efeitos do THC não mostrou diferença significativa na redução da dor moderada a intensa do câncer em comparação com uma dose única pequena de um remédio parecido com a morfina, num período de três a quatro horas e meia.
Óleo de CBD para dor nos cuidados paliativos:
O CBD somado aos cuidados paliativos padrão não parece trazer benefício extra na redução da dor em pessoas com câncer avançado, segundo o único estudo disponível.
Limitações da evidência:
Há confiança moderada nos resultados que indicam que o spray bucal de THC e CBD não reduz a dor intensa do câncer em quem já usa opioides. Mesmo assim, os estudos têm limitações, como a falta de informação detalhada sobre todos os tratamentos usados.
A confiança é baixa nos resultados sobre a eficácia do canabinoide sintético na dor da quimioterapia ou da radioquimioterapia, e também na comparação com remédios parecidos com a morfina, por causa da escassez de dados e do tamanho pequeno dos estudos.
Da mesma forma, a confiança é baixa na evidência sobre a eficácia do CBD nos cuidados paliativos, já que existem poucos estudos nessa área.
O CLUBE
Faça parte da comunidade
Produtores com nome e sobrenome, lote rastreável, comunidade de verdade. Sem enrolação, sem promessa vazia.
Entrar no clubeCONTINUE LENDO
CONSUMOMolho para salada com maconha: a receita de Natal que vai com tudo
Um vinagrete balsâmico com azeite canábico para a ceia de Natal no calor, fácil de fazer e que combina com qualquer salada.
LD-50 da maconha: dá para ter overdose de cannabis?
A dose letal da maconha é praticamente impossível de alcançar, mas exagerar dá bad, e tem jeito certo de atravessar.