Maconha em idosos: efeitos, interação com remédios e o que a família precisa saber
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Maconha em idosos: efeitos, interação com remédios e o que a família precisa saber

Metabolismo mais lento, efeito que dura mais e uma gaveta cheia de remédios: por que drogas e cannabis pesam diferente depois dos 65.

POR Redação CosechaLibre6 MIN DE LEITURA

Nos idosos, as drogas, maconha incluída, pesam diferente: o metabolismo é mais lento, os efeitos duram mais e o risco de interação com remédios do dia a dia é bem maior. E embora o uso de drogas ilegais costume cair depois dos primeiros anos da vida adulta, só nos Estados Unidos quase um milhão de pessoas com 65 anos ou mais vivem com um transtorno por uso de drogas.

Muitos idosos recorrem à cannabis para dor, para dormir melhor ou para controlar a ansiedade. O ponto é que, nessa idade, a erva pode interferir em outros medicamentos e provocar efeitos diferentes dos que aparecem em gente mais jovem.

Casal de idosos conversando em casa

Uso de drogas na terceira idade: o que dizem os estudos?

Com a variedade de produtos de maconha e CBD (canabidiol) que existe hoje, os riscos para idosos podem ser maiores que para jovens. Segundo especialistas, esses produtos podem interferir em remédios, mesmo quando a pessoa sente que está tendo benefícios com o uso.

Um estudo publicado em 2020 no Journal of the American Geriatrics Society, com quase 600 adultos acima de 65 anos, mostrou que 15% tinham usado cannabis nos três anos anteriores. Desses, 80% disseram usar por motivos médicos, principalmente para aliviar dor, dormir melhor e controlar a ansiedade. A maioria contou que a família sabia do uso, mas só 40% tinham falado sobre isso com o médico.

Já se sabe que os idosos estão mais propensos a alterações de humor, doenças pulmonares ou cardíacas e problemas de memória. A maconha pode piorar esses quadros e agravar as consequências negativas para a saúde. Além disso, como algumas drogas afetam a coordenação, o julgamento e o tempo de reação, aumentam as chances de quedas e acidentes de carro.

Maconha e idosos: como ela interfere nos remédios?

Com o envelhecimento aparecem problemas de saúde crônicos, e os idosos, que tomam mais remédios do que qualquer outra faixa etária, ficam mais expostos a medicamentos com potencial de causar dependência.

Um estudo com 3.000 adultos entre 57 e 85 anos mostrou que misturar remédios com receita, remédios sem receita e suplementos alimentares é muito comum. Segundo os dados, 80% dos participantes tomavam pelo menos um remédio com receita por dia, e quase metade tomava mais de cinco remédios ou suplementos, o que coloca quase 1 em cada 25 pessoas dessa faixa etária em risco de uma interação medicamentosa importante.

Outros riscos incluem o uso errado, sem querer, dos remédios receitados e a piora de problemas de saúde mental que já existiam. Um estudo de 2019 com pacientes acima de 50 anos concluiu, por exemplo, que mais de 25% dos que usavam benzodiazepínicos ou opioides de forma indevida chegaram a ter pensamentos suicidas, contra 2% dos que não usavam. Ou seja: esses remédios sempre deveriam ter passado por uma avaliação cuidadosa antes de serem receitados.

Mulher idosa sorrindo ao ar livre

Nesse sentido, a busca dos idosos pela maconha também fala das falhas da medicina tradicional e do acesso a tratamentos que funcionem. Por quê? Porque os avôs e avós que fumam maconha estão atrás de uma alternativa para condições difíceis, para as quais as terapias disponíveis muitas vezes são de acesso complicado.

Quais os efeitos da maconha em idosos?

Segundo os Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês), o THC da maconha age no cérebro (sistema nervoso central) e faz os neurônios liberarem dopamina, uma das substâncias que mais influenciam o humor e o pensamento e que é conhecida por estar ligada à sensação de bem-estar. Por isso a maconha pode causar efeitos prazerosos como:

  • Sensação de bem-estar ou de relaxamento intenso.
  • Aumento do apetite (a famosa larica)
  • Visão, audição e paladar mais aguçados

Quanto tempo duram os efeitos da maconha em idosos?

A rapidez com que os efeitos aparecem depende da forma de uso. Se você inala a fumaça, num baseado ou num cachimbo, sente em poucos segundos ou alguns minutos. Já com comestíveis, como bolinhos, o efeito chega entre 30 e 60 minutos depois.

Em pessoas mais velhas, porém, os efeitos podem durar mais, porque o metabolismo fica mais lento com a idade. Isso pesa principalmente nos comestíveis, que precisam ser digeridos. Mesmo fumando, pode levar oito horas ou mais para o efeito do THC passar, e ainda mais em idosos, segundo os estudos. Um metabolismo lento pode pesar mais do que o próprio produto.

Idosos usando maconha: o que a família precisa saber?

Se você tem pessoas mais velhas por perto usando maconha, saiba que quem consome produtos de maconha ou CBD pode desenvolver certa dependência. Por isso a família tem um papel importante: pode incentivar a pessoa a conversar com o médico para garantir que não haja incompatibilidade com os remédios que ela toma.

Muitos filhos adultos compram produtos para os pais sem entender que a dose e o tipo de produto mudam o efeito. A recomendação para idosos que pensam em experimentar cannabis por motivos médicos é tratá-la como qualquer outro remédio, que pode ter efeitos colaterais e interagir com outros medicamentos.

Tratamento da dependência de drogas em idosos

Não há certeza sobre quais são os melhores modelos de tratamento, mas as pesquisas mostram que pessoas mais velhas têm melhores resultados com tratamentos mais longos.

Entre os modelos considerados ideais estão o diagnóstico e o manejo de outros problemas crônicos, a reconstrução da rede de apoio, mais acesso a serviços de saúde, melhor acompanhamento de cada caso e capacitação das equipes em estratégias baseadas em evidência adequadas a essa faixa etária. Também se considera necessário pesquisar métodos de detecção específicos e modelos integrados de cuidado para quem tem problemas clínicos e psiquiátricos ao mesmo tempo. Um dado animador: uma vez que começam o tratamento, os idosos costumam responder bem.

Mesmo assim, não se sabe a prevalência exata dos transtornos por uso de drogas entre idosos. Pode acontecer até de o médico, sem saber do uso de maconha, confundir os sintomas com outras doenças crônicas ou com mudanças da idade, ou achar que são só reações a momentos estressantes da vida da pessoa.