Maconha faz mal? Os riscos do uso frequente pro corpo
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Maconha faz mal? Os riscos do uso frequente pro corpo

Ter mais informação sobre maconha não quer dizer que o uso adulto seja sempre seguro: o que os estudos dizem sobre cérebro, pulmão e coração.

POR Redação CosechaLibre5 MIN DE LEITURA

Fumar maconha com frequência tem riscos: estudos associam o uso prolongado a efeitos no cérebro em desenvolvimento (principalmente antes dos 18 anos), mais bronquite e infecções respiratórias, alteração no ritmo do coração e interação com remédios. A cannabis é consumida no mundo todo para uso recreativo, e os usos medicinais e terapêuticos ganharam espaço, mas isso não apaga os riscos, que crescem à medida que sobe o teor de tetra-hidrocanabinol (THC) das flores.

Os cientistas estão só começando a entender como o uso de maconha, principalmente o prolongado, mexe com o corpo, mas há estudos que sugerem que ele pode causar vários problemas de saúde com o tempo. Por exemplo, estudos preliminares em animais e em humanos sugerem que fumar maconha pode frear o sistema imunológico.

Quais os riscos da maconha para o cérebro?

O princípio ativo da maconha, o delta-9-tetra-hidrocanabinol, ou THC, age sobre os receptores canabinoides que ficam nas regiões do cérebro que influenciam aprendizado, memória, apetite, coordenação e prazer.

Os pesquisadores ainda estão aprendendo sobre os efeitos da maconha no cérebro a longo prazo, mas acreditam que os efeitos mais fortes acontecem em jovens que ainda estão formando conexões neurais.

Segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos), a maconha afeta o desenvolvimento do cérebro. Enquanto o cérebro ainda está em formação, como em bebês, crianças e adolescentes, ele fica especialmente vulnerável aos efeitos de longo prazo da maconha e do tetra-hidrocanabinol (THC). O tema ainda está sendo estudado, mas pesquisas indicam que o uso de maconha pela mãe durante a gravidez pode estar ligado a problemas de atenção, memória, capacidade de resolver problemas e comportamento nos filhos.

Fumar maconha na adolescência faz mal?

Fumar maconha na adolescência, antes dos 18 anos, pode afetar o jeito como o cérebro cria as conexões pra funções como atenção, memória e aprendizado. Esses efeitos podem durar muito tempo ou até ser permanentes, mas ainda falta pesquisa pra entender isso a fundo.

O que dizem os estudos?

Um estudo com adolescentes encontrou conectividade neural prejudicada em regiões específicas do cérebro ligadas a várias funções executivas, como memória, aprendizado e controle de impulsos, na comparação com quem não usava.

Adolescentes que fumaram maconha com regularidade (todo dia, durante três anos) mostraram alterações no hipocampo, a parte do cérebro responsável pela memória de longo prazo. Os pesquisadores viram que, quanto mais tempo (e de forma mais crônica) os participantes usaram maconha, mais alterado era o formato do hipocampo, o que se traduzia em pior memória de longo prazo.

Maconha faz mal para o pulmão?

Maconha e tabaco são substâncias completamente diferentes, mas fumar qualquer uma delas pode ter efeitos parecidos nos pulmões. Assim como quem fuma cigarro, quem fuma maconha também tem mais risco de resfriado, bronquite e infecções pulmonares.

Antes se achava que vaporizar maconha era mais seguro que fumar, mas hoje se sabe que pode causar a lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico ou produtos de vape, uma condição que dá falta de ar e pode levar à internação e até à morte.

Alguns efeitos colaterais:

A tosse e os resfriados são os efeitos colaterais mais chatos de fumar maconha, mas um risco maior de câncer de pulmão pode ser fatal. A fumaça da maconha tem alguns dos mesmos compostos cancerígenos do tabaco, às vezes em concentração maior.

Mesmo assim, até agora os estudos populacionais não encontraram um aumento claro do risco de câncer de pulmão em quem usa maconha.

Ainda falta pesquisa pra entender os efeitos específicos que fumar maconha pode ter no câncer de pulmão e em outras doenças respiratórias, como o enfisema (condição pulmonar que causa falta de ar) e a doença pulmonar obstrutiva crônica.

Maconha e câncer: o que se sabe

Fumar maconha pode ser especialmente arriscado pra homens jovens. Alguns estudos sugerem uma ligação entre o uso de maconha e um risco maior de um tipo específico de câncer de testículo.

Um estudo de 2015 publicado na revista BMC Cancer concluiu que usar cannabis uma vez por semana, ou por mais de 10 anos, estava associado a um risco maior de tumores testiculares de células germinativas.

A maconha fumada leva THC e outros canabinoides pro corpo, mas também leva substâncias nocivas, incluindo muitas das mesmas toxinas e carcinógenos (substâncias que causam câncer) da fumaça do tabaco, que fazem mal pros pulmões e pro sistema cardiovascular. Ainda falta pesquisa pra entender os efeitos que a maconha pode ter no câncer de pulmão e em outros cânceres respiratórios.

Quais os riscos da maconha para o coração?

Poucos minutos depois de fumar, os batimentos aceleram e a pressão pode mudar, o que pode ser perigoso pra quem tem doença cardíaca. Pesquisadores descobriram que quem usa maconha tem mais risco de infarto logo depois de fumar, em comparação com quem não usa.

Os estudos também encontraram relação entre o uso de maconha e arritmias, além de um risco possivelmente maior de AVC.

A maconha pode interferir nos remédios?

Os canabinoides também podem interferir no efeito de vários remédios usados pra doenças do coração, como antiarrítmicos, estatinas, bloqueadores dos canais de cálcio e betabloqueadores.

Ao contrário do que muita gente pensa, o uso prolongado pode levar a um transtorno por uso de cannabis. Por isso a gente sempre explica que existem formas de consumir cannabis mais saudáveis que outras, que dá pra controlar a dose e a quantidade pra evitar boa parte desses riscos, e que terapias com cannabis medicinal indicadas e acompanhadas por profissionais podem trazer bons resultados quando bem feitas. 

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