Sistema endocanabinoide: o que é e para que serve o SEC
SAÚDE

Sistema endocanabinoide: o que é e para que serve o SEC

Receptores CB1 e CB2, anandamida e 2-AG: o sistema que o corpo já tinha antes de você dar o primeiro tapa.

POR Redação CosechaLibre4 MIN DE LEITURA

O que é o SEC e para que serve o sistema endocanabinoide?

Ilustração do sistema endocanabinoide no corpo humano

O sistema endocanabinoide (SEC) é uma rede de receptores e de moléculas produzidas pelo próprio corpo que ajuda a manter o equilíbrio de funções como dor, humor, sono, apetite e imunidade. É nele que os canabinoides da maconha, como o THC e o CBD, se encaixam, e por isso ele aparece em toda conversa sobre como a cannabis age no corpo.

Esse sistema só ficou conhecido no mundo da medicina nos anos 1990, o que mostra que ainda tem muito para estudar e aprender antes de aproveitar todo o potencial medicinal da cannabis.

Para entender as propriedades e funções básicas do sistema endocanabinoide, primeiro é preciso entender o que é um canabinoide.

Resumindo, canabinoides são os compostos químicos ativos da maconha, o que inclui todas as plantas do gênero Cannabis (ou seja, Cannabis indica, Cannabis sativa e Cannabis ruderalis).

Molécula de canabinoide

Quais são os tipos de canabinoides?

Já foram identificados mais de cem canabinoides diferentes na cannabis (e mais de 500 compostos no total), mas os dois que mais pesam nos efeitos da planta no corpo humano parecem ser o THC (tetra-hidrocanabinol) e o CBD (canabidiol). Outros canabinoides naturais da maconha são o CBG, o CBC, o THCA e o THCV, só para citar alguns.

Esses canabinoides ativos são os responsáveis pelos efeitos profundos e amplos no sistema endocanabinoide e pelas propriedades terapêuticas que fazem a cannabis ser procurada para tantas condições de saúde.

Uma das partes mais interessantes dessa história é que, assim como a planta, nós humanos também produzimos canabinoides naturais, chamados endocanabinoides (os que a planta de maconha produz se chamam fitocanabinoides).

Provavelmente ainda há muitos outros por descobrir, mas os dois endocanabinoides principais do corpo humano parecem ser a anandamida e o 2-AG (2-araquidonoilglicerol). Simplificando bastante, dá para pensar nessas duas moléculas como as versões humanas do THC e do CBD. Há estudos que apontam endocanabinoides em quase todos os seres vivos do planeta, de mamíferos a plantas.

Na prática, os endocanabinoides funcionam se ligando aos seus receptores, chamados receptores canabinoides. Os mais importantes são o CB1 e o CB2: o CB1 atua principalmente na atividade do cérebro, e o CB2 principalmente no sistema imunológico e na interação com os tecidos e órgãos do corpo.

Como os endocanabinoides estão presentes em quase todos os tipos de células e tecidos do corpo humano, fica claro que eles (e seus receptores) têm influência sobre praticamente todos os aspectos do corpo e da mente, e isso abre muitas possibilidades para a cannabis na saúde.

Inclusive, o sistema endocanabinoide (toda a rede de canabinoides e receptores do corpo) está tão espalhado pelo organismo que já foi descrito como uma ponte entre corpo e mente, e talvez um dos sistemas fisiológicos mais importantes para manter a saúde.

Onde ficam os receptores CB1 e CB2 no corpo

Onde ficam os endocanabinoides no corpo?


Já se encontraram endocanabinoides em abundância no cérebro todo, nos órgãos, nos tecidos conjuntivos, nas glândulas e nas células de defesa, e já foi documentado o papel deles na regulação de processos como a comunicação entre células, a neurogênese (o nascimento de novas células nervosas) e até a apoptose, a morte celular programada que o corpo usa para eliminar células danificadas, inclusive células tumorais.

Mas o que acontece quando faltam endocanabinoides ou o SEC não funciona direito? Uma das hipóteses é que isso possa estar por trás de várias doenças e desequilíbrios no corpo, e é por isso que se acredita que a cannabis possa trazer alívio para uma lista enorme de condições de saúde.

Se endocanabinoides como o 2-AG e a anandamida ajudam a manter a saúde e a homeostase (o equilíbrio interno) em cada célula, faz sentido pensar que a maconha, com moléculas como o THC e o CBD que agem de forma parecida, possa ajudar quando o SEC está em déficit, mas isso ainda está sendo estudado.

Dá para dizer que o corpo tem seu próprio sistema de “maconha natural”, capaz de mexer tanto com as funções mentais quanto com as físicas e de ajudar no equilíbrio do organismo inteiro. Seja numa questão psicológica, como insônia ou ansiedade, ou física, como dor, inflamação ou diabetes, há estudos que apontam que a cannabis pode trazer alívio, sempre com acompanhamento médico.

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