Viajar de avião com maconha na Argentina: como é passar pelo aeroporto com REPROCANN
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Viajar de avião com maconha na Argentina: como é passar pelo aeroporto com REPROCANN

Dois cultivadores argentinos contam, passo a passo, como foi embarcar com os 40 gramas de flor que o REPROCANN permite levar.

POR Redação CosechaLibre7 MIN DE LEITURA


Se você está lendo esta matéria em 2025, recomendamos também este artigo: REPROCANN 2025
Como é viajar de avião com maconha dentro da Argentina?

Na Argentina, quem tem o REPROCANN (o registro argentino de cannabis medicinal) com permissão de cultivo pode transportar até 40 gramas de flores secas, inclusive em voos domésticos. Na prática, você se apresenta à polícia do aeroporto, mostra a documentação, eles pesam a erva e você embarca. Faz todo sentido: se é a sua medicina, ela tem que poder ir com você para qualquer canto do país.

Aqui na CosechaLibre, fomos atrás de gente que já passou por isso para trazer o relato em primeira pessoa.

Relato de @fela_arnaudin

Fela, que conta a experiência dele, tem a permissão do REPROCANN que o habilita a cultivar e transportar cannabis dentro da Argentina, como qualquer pessoa inscrita.

Ele ia para Bariloche visitar a família e queria levar a medicina junto. Juntou toda a papelada e foi para o Aeroparque Jorge Newbery, em Buenos Aires, pegar o voo.

“Assim que cheguei no aeroporto, a primeira coisa que fiz foi procurar um agente da Polícia de Segurança Aeroportuária (PSA) que estava na porta e explicar minha situação: que sou paciente inscrito no REPROCANN, com a permissão para cultivar e transportar cannabis em dia, e que estava com toda a documentação. O agente me disse que eu tinha que ir até a área de embarque, onde iam revisar tudo o que eu levava, e que lá eu devia perguntar pelo oficial responsável do turno”, conta Fela.

“O responsável apareceu com mais cinco policiais para ficar de olho em mim enquanto levavam meu passaporte (no meu caso foi o passaporte porque eu tinha perdido o DNI, a identidade argentina), e ligou para o escritório da PSA”.

“Quando desligou, ele pediu para fotografar os certificados do Mi Argentina, o app do governo, que eu tinha levado impressos. Tirou foto da frente, do verso e do QR code. Aí avisou que um agente ia vir pesar a maconha, o que levou uns 30 minutos entre chegarem com a balança e fazerem a pesagem”

“Essa meia hora foi de perguntas, mas mais no sentido de se informar. Onde se consegue? Como eles liberam? Pra que se usa de verdade? Fiquei com a sensação de que o oficial queria aprender, mais do que investigar a minha permissão em si.“

Fela também fez questão de dizer que todos os agentes da PSA foram muito tranquilos e o trataram bem o tempo todo.

No fim, uma testemunha veio conferir se o procedimento foi feito direito e se o peso da cannabis estava dentro do limite legal.

O melhor que você pode fazer, como usuário e paciente, é:

-Se informar sobre todas as leis, direitos, decisões judiciais e permissões que te protegem.

-Ir com toda a documentação certinha.

-Mostrar sempre a quantidade real e agir com a naturalidade que a situação pede, porque você não está cometendo crime nenhum.

-Falar com calma e humildade: nem todo mundo tem acesso à mesma informação.

Relato de @detectivecannabico

“Hoje, pela primeira vez, consegui viajar de avião levando meus 40 g de flores de cannabis medicinal”, conta @detectivecannabico.

"Graças à nova lei de cannabis medicinal 27.350 e ao programa REPROCANN, muitos cultivadores podem plantar a própria erva e transportar a sua medicina pela Argentina inteira. "

“Sei que em muitos lugares as forças de segurança ainda estão desinformadas, então é tarefa de todos, e principalmente do governo, levar a informação certa e treinar de novo o pessoal da segurança.“, comentou Julián. 

Ele também conta que não teve problema nenhum para embarcar e foi bem tratado, “com um pouco de humor e de incerteza pela novidade”. Depois de anos se sentindo na ilegalidade, finalmente conseguiu voar para o sul com a sua medicina, e faz questão de lembrar: “isso não seria possível sem a energia de toda a parte da sociedade que lutou por esse direito desde o primeiro dia".

É verdade que hoje a cultura canábica está cada vez maior e a luta pela descriminalização, cada vez mais popular. Mas, como bem lembra o @detectivecannabico: “Há 10, 15 anos, a gente era meia dúzia de malucos dando a cara com orgulho. Ninguém esquece essa galera que esteve ali e lutou até hoje. Alguns já não estão, e hoje a gente lembra deles e agradece para sempre.”

Emocionado e satisfeito, Julián fechou agradecendo: ” Valeu a todas e todos os ativistas que tornaram isso possível lutando dia após dia. (…) Hoje viajo tranquilo e em paz para ver minha família! Muito amor para essa comunidade linda” .

O que acontece se acharem um baseado com você no aeroporto na Argentina?

Se encontrarem um baseado com você num aeroporto argentino, as consequências dependem das circunstâncias e da quantidade de cannabis. Na Argentina, a posse e o consumo de pequenas quantidades para uso pessoal estão descriminalizados, ou seja, não são tratados como crime, mas continuam sendo uma infração administrativa.

Se acharem um baseado com você no aeroporto, é possível que as autoridades apreendam a erva e façam um registro da ocorrência. Na maioria dos casos, fica numa sanção administrativa e não vira processo criminal. Ainda assim, vale lembrar que as regras e as políticas mudam com o tempo, então o recomendado é sempre conferir a legislação atual e as normas do aeroporto em questão.

Cumprir as leis e as normas locais quando você viaja é essencial, principalmente quando o assunto é substância controlada, como a cannabis. O recomendado é não levar cannabis nem outras substâncias ilegais para o aeroporto e seguir as regras estabelecidas, para evitar problema com a lei ou dor de cabeça durante a viagem.

O que eu preciso para viajar com REPROCANN?

O REPROCANN autoriza, na Argentina, a compra de até 40 gramas de flores de cannabis por mês e/ou até 15 gramas de óleo de cannabis por mês; essa é a referência para o que dá para transportar com a permissão.

Vale destacar que essa quantidade pode variar conforme o tratamento médico de cada pessoa, e que é preciso ter prescrição médica para ter acesso à cannabis medicinal. Além disso, o transporte deve ser feito em embalagem adequada e lacrada, que indique o conteúdo e a quantidade.

É fundamental seguir os requisitos e as normas do REPROCANN e as leis vigentes para evitar sanções ou problemas legais no transporte e no uso da cannabis medicinal.

Quanto tempo vale o REPROCANN na Argentina?

A validade da permissão do REPROCANN varia conforme o caso e a prescrição médica de cada paciente. Em geral, a autorização para autocultivo e/ou transporte de cannabis medicinal com o REPROCANN costumava valer por um ano quando este relato foi escrito (as regras de validade mudaram depois) e pode ser renovada, desde que se cumpram os requisitos e as normas estabelecidas.

Lembre que o REPROCANN é um registro em constante atualização, que vai se adaptando às necessidades de pacientes, cultivadores e profissionais de saúde na Argentina. Por isso, vale ficar de olho nas mudanças e novidades da regulação da cannabis medicinal no país.

Montamos este guia para que todo mundo possa entender a fundo do que se trata o REPROCANN, como são as telas e os textos que aparecem conforme você avança e algumas dicas sobre o que escrever em cada campo. 

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