
Fitocanabinoides: o que são e como agem no corpo
THC, CBD e companhia: os canabinoides que a planta fabrica nos tricomas e como eles conversam com o sistema endocanabinoide.
Fitocanabinoides: o que são?
Fitocanabinoides são os canabinoides produzidos pela planta de cannabis, nos tricomas, e os mais famosos são o CBD e o THC. A definição mais simples é: qualquer canabinoide fabricado nos tricomas de uma planta de cannabis. Quando são extraídos da planta e consumidos, eles interagem com receptores do nosso corpo e produzem vários efeitos psicoativos e terapêuticos. Plantas e animais fabricam seus próprios canabinoides. Os que são produzidos dentro do corpo dos mamíferos se chamam endocanabinoides.
Os canabinoides são uma classe de moléculas lipofílicas (que se dissolvem em gordura) que interagem com o sistema endocanabinoide (SEC) do corpo. Os fitocanabinoides, ou canabinoides exógenos, são canabinoides de origem vegetal produzidos pelos tricomas glandulares que cobrem a superfície da cannabis sativa. Os tricomas, aquelas glândulas de resina que deixam o bud brilhando, são responsáveis por produzir todos os compostos desejáveis da planta. Já foram descobertos mais de 100 canabinoides na cannabis, mas só os mais conhecidos foram bem estudados: o delta-9-tetra-hidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD).

O termo canabinoide se refere a uma classe ampla de compostos químicos produzidos por muitas espécies. De forma geral, essas substâncias ajudam a regular e equilibrar uma série de funções biológicas.
O mundo dos canabinoides costuma ser dividido em duas grandes categorias: fitocanabinoides e endocanabinoides. A diferença é simples. Os fitocanabinoides são produzidos por plantas; os endocanabinoides, por mamíferos.
Os canabinoides endógenos, ou endocanabinoides, são produzidos dentro do corpo dos mamíferos. Cada função do corpo precisa de um equilíbrio específico de fatores para funcionar no máximo. Quando esse equilíbrio é alcançado, chamamos de homeostase. Os endocanabinoides têm um papel importante na sobrevivência porque ajudam o corpo a manter a homeostase. Como o nosso corpo já usa moléculas canabinoides para regular muitas funções, já viemos de fábrica com vários alvos que a planta de cannabis consegue ativar.
Endocanabinoides e fitocanabinoides não são necessariamente diferentes na estrutura. Os dois ativam o SEC ao se ligarem aos receptores canabinoides. Os endocanabinoides ativam um efeito homeostático, levando o corpo a um estado de saúde equilibrado.
Os fitocanabinoides conseguem produzir efeitos medicinais mais evidentes e podem compensar deficiências de endocanabinoides no corpo quando disparam respostas terapêuticas. Os fitocanabinoides também conseguem dar brisa, coisa que os endocanabinoides sozinhos não fazem.

O corpo humano produz canabinoides para sobreviver, ativando a homeostase. A planta de cannabis também produz canabinoides para sobreviver, mas como resposta bem mais direta às pressões externas. Os fitocanabinoides produzidos pelos tricomas cobrem a superfície da planta como defesa contra ameaças do ambiente, como insetos predadores e clima pesado.
Como a planta fabrica os fitocanabinoides
Os canabinoides são produzidos por biossíntese: enzimas disparam uma série de reações químicas que criam moléculas complexas a partir de moléculas simples. As enzimas responsáveis pelos canabinoides que a maioria de nós conhece são: a CBDA sintase (que forma o ácido canabidiólico), a CBCA sintase (ácido canabicromênico) e a THCA sintase (ácido tetra-hidrocanabinólico). Essas enzimas pegam os precursores centrais, o ácido canabigerovarínico (CBGVA) e o ácido canabigerólico (CBGA), e os transformam nos canabinoides ácidos CBDA, CBCA e THCA.
Esses canabinoides ainda podem mudar com a descarboxilação. Quando um composto descarboxila, ele perde um grupo carboxila e libera dióxido de carbono, seja pelo calor ou por exposição prolongada ao estresse do ambiente. O THCA e o CBDA viram, respectivamente, THC e CBD, e só então mostram seus efeitos — no caso do THC, a brisa. O THC, o CBD e outros canabinoides neutros podem ser metabolizados ou degradados em outros canabinoides por oxidação ou exposição ao oxigênio. O CBD, por exemplo, pode oxidar e virar os metabólitos canabielsoína (CBE) e canabinodiol (CBND).
O SEC ajuda o corpo a manter o equilíbrio por meio de três componentes principais: as moléculas “mensageiras” que o próprio corpo sintetiza, os receptores aos quais elas se ligam e as enzimas que as degradam. Dor, estresse, apetite, metabolismo energético, função cardiovascular, recompensa e motivação, reprodução e sono são só algumas das funções influenciadas pelo sistema endocanabinoide.
Os receptores canabinoides se dividem em duas categorias: CB1 e CB2. Os receptores CB1 ficam principalmente no sistema nervoso central, onde regulam uma grande variedade de funções cerebrais. Na verdade, são o receptor desse tipo mais abundante no cérebro. O papel principal do CB1 é controlar o momento e a frequência da liberação de outros neurotransmissores, como serotonina, dopamina e glutamato. Os receptores CB2 ficam principalmente nas células imunológicas, que circulam pelo corpo e pelo cérebro através do sangue. Também aparecem em neurônios de algumas regiões específicas do cérebro. Os CB2 comandam as respostas imunológicas, incluindo dor e inflamação. Os fitocanabinoides interagem com o SEC ligando-se a esses receptores, o que provoca uma resposta reguladora do corpo.
O sistema endocanabinoide de cada pessoa é único. A produção de endocanabinoides varia muito de uma pessoa para outra, assim como a quantidade de receptores canabinoides no corpo.
O que é o CBD?
CBD é a abreviação de canabidiol, um dos muitos canabinoides ou compostos químicos encontrados na maconha e no cânhamo.
Você provavelmente já conhece o tetra-hidrocanabinol, ou THC, outro composto da planta de cannabis e o principal componente psicoativo dela. Mas, diferente do THC, o CBD não dá brisa. Ou seja, não é ele que te deixa chapado.
O CBD é só uma das mais de 500 substâncias ativas diferentes, e das 60 moléculas canabinoides diferentes da maconha, conhecidas até hoje.
O que é o THC?
THC significa tetra-hidrocanabinol, ou delta-9-tetra-hidrocanabinol. É uma molécula canabinoide da maconha (cannabis) que por muito tempo foi reconhecida como o principal ingrediente psicoativo, ou seja, a substância que deixa quem fuma maconha chapado ou “brisado”.
O THC age se ligando aos receptores canabinoides do corpo, espalhados pelo cérebro e pelo sistema nervoso. O THC pode ser detectado no corpo por muito mais tempo que a maioria das outras drogas (no sangue, até umas 20 horas depois do consumo; os metabólitos aparecem em exames por bem mais tempo), embora a brisa dure só algumas horas.
Os receptores canabinoides se concentram em certas áreas do cérebro ligadas ao pensamento, à memória, ao prazer, à coordenação e à percepção do tempo. O THC se liga a esses receptores, ativa-os e mexe com a memória, o prazer, os movimentos, o raciocínio, a concentração, a coordenação e a percepção sensorial e do tempo.
O THC estimula as células do cérebro a liberar dopamina, o que gera euforia. Ele também interfere no jeito como a informação é processada no hipocampo, a parte do cérebro responsável por formar novas memórias.
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